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A Hipster Chique

humor . coisas . nerd . fluente em klingon . criativa - ish . comics . opinião

A Hipster Chique

humor . coisas . nerd . fluente em klingon . criativa - ish . comics . opinião

O ÓRFÃO . CAPÍTULO VI

!! POST NÚMERO 400 !!

 

ESTOU A DAR COISAS!! ABRAM O LINK!!

GIVEAWAY DE NATAL: MR. WONDERFUL, GOING NUTS E EUROTECH

 

......

 

CAPÍTULO V

 

 

VI

(ESPECIAL - PRINCESA MAIONESE E DR. RATO)

 

 

O meu telemóvel tocou e depois de ler a mensagem eu sabia que já não havia volta a dar...

 

"Bartolomeu Querido, sê bem-vindo ao mundo Estranho. Mãos á obra!"

 

 

Dei por mim parado a olhar para o telemóvel, para a mensagem que o Dr. Rato me tinha enviado e por estranho que pareça não me sentia arrependido por me ter oferecido para assistente dele. Afinal tinha acabado de ter um encontro com uma mulher doida varrida que pelos vistos é uma alien e consegui afastar os meus amigos. 

Estava sozinho, sem perspectivas de futuro e bastante cansado. Entrei no orfanato e fui preparar-me para o jantar.

Quando me dirigi para o salão principal, o Jaimi já lá estava numa mesa acompanhado pelo Figo e por outro rapaz e eu senti que não era bem-vindo, então fui-me sentar numa mesa sozinho e o Sr. Godofredo, um funcionário que é quase como um padrinho para nós, aproximou-se...

"Então Bartolomeu, por aqui sozinho?", perguntou.

"Sim, hoje estou com vontade de estar sozinho, comer rápido e ir dormir.", respondi.

"Mas não te sentes bem?", insistiu o Sr. Godofredo.

"Sinto, apenas é um daqueles dias. Devem ser as hormonas adolescentes a fervilhar dentro de mim. Não se preocupe.", disse, fazendo-o abanar a cabeça e afastar-se da minha mesa.

O Jaimi olhava para mim mas a sua expressão era vazia. Sentia-me triste...

Mal acabei o jantar, fui para a cama e desliguei do mundo.

 

6h59

Acordei num sobressalto porque tinha acabado de ter um pesadelo com a tal Maionese e percebi que hoje não havia aulas, logo a Fiona só vem berrar por volta das 9h, contudo o meu telemóvel estava a apresentar uma notificação e quando fui ver percebi que era mais uma mensagem do Dr. Rato...

 

"Bartolomeu, preciso que te apresentes aqui no meu escritório pelas 8h da manhã para começarmos o trabalho. Não toques à campainha, tem um chave debaixo do tapete. Acordar a minha mãe é pedir para seres perseguido por um pterodactilo que não come há mais de um ano."

 

Não achei que trabalhar para este homem iria ser uma experiência normal, mas ia ser um desafio. Fui tomar banho, passei pela cozinha para roubar uma maça e segui para o escritório do Dr., ou melhor, para a cave da casa da sua mãe.

Assim que cheguei à casa do Dr. fiz como me tinha indicado e peguei na chave que estava debaixo do tapete. Entrei e bati à porta da cave.

"Entra Bartolomeu!", ouvi o Dr. Rato a chamar.

Entrei...

"Bom dia. E pode chamar-me Barry, eu prefiro.", disse.

"Claro, Barry. Como estás hoje? Preparado para entrar no mundo estranho?", perguntou o Dr. com um entusiasmo que naquele momento só ele sentia.

"Sim, cá estou eu. Em que posso ajudar?", perguntei.

"Calma meu caro. Antes de começares o teu trabalho como meu assistente precisas de saber a verdade sobre o meu projecto.", disse o Dr..

"Então mas o seu projecto não é trazer ao mundo informações sobre acontecimentos estranhos que o Governo quer esconder?", perguntei.

"Sim e não. Aqui no Website Estranho eu uso notícias de ovnis perdidos e avistamentos do oculto como disfarce do meu verdadeiro propósito.", explicou.

"Que é?...", perguntei, já impaciente.

"O mesmo da Princesa Maionese. Eu quero encontrar a cria.", respondeu o Dr..

"Mas porquê? O que tem de importante essa cria?", perguntei.

"Essa cria é o fruto de um amor puro e proibido.", disse o Dr..

"E onde é que o Dr. entra nessa história?", perguntei.

"Aí é que está Barry, eu não entro, eu sou parte da história.", respondeu o Dr. fazendo um ar enigmático.

"Isso é a mesma coisa... Mas como assim, faz parte da história? Conhece a Princesa Maionese?", perguntei, reparando que começava a ficar cada vez mais interessado com aquilo que estava a ouvir, o que me levou a pensar por segundos que a loucura do homem se tinha apoderado de mim.

O Dr. sentou-se e começou...

"Conheço. E vou-te contar como...

... Eu nem sempre fui este homem que vês diante dos teus olhos, há 18 anos atrás eu era um homem bem parecido, um génio do oculto que trabalhava numa empresa de investigação espacial onde era conhecido como o Príncipe Espacial e a minha especialidade era a descoberta de novas galáxias e para isso eu construí uma máquina que não só me permitia fazer uma exploração em tempo real como também me permitia uma viagem até novas galáxias por via de tele-transportação. Algo que não agradou aos meus superiores, pois achavam que tal tecnologia era avançada demais e podia cair nas mãos erradas. Por isso, despediram-me, cancelaram o meu projecto, destruíram a máquina e apagaram todos os meus cálculos e estudos. O que eles não sabem é que eu consegui ficar com os dados todos através de uma cópia que fiz e a máquina que eles destruíram foi na realidade o protótipo inicial. A verdadeira veio comigo porque eu não ia desistir de um trabalho de uma vida inteira.

Assim que consegui encontrar um local seguro e com recursos suficientes para colocar a máquina a trabalhar, decidi iniciar a minha exploração pelo Universo e a minha primeira paragem foi uma galáxia distante mas muito parecida com a nossa onde mais tarde vim a descobrir que se tratava da galáxia gémea da Via Láctea, a Via do Leite Achocolatado.

O planeta onde fui parar tinha o nome de planeta dos Molhos, um planeta pequeno e que vivia numa monarquia harmoniosa, falava a nossa língua e recebia muito bem os seus visitantes. Decidi então que seria a minha paragem e por lá me estabeleci.

Passaram algumas semanas e eu já tinha preenchido cerca de cinco blocos de apontamentos e tirado milhares de fotos daquele planeta maravilhoso, até que um dia numa aventura pelo Vale da Lactose ouvi uma voz que pedia socorro e assim que segui a sua direcção reparei numa rapariga linda de morrer que estava presa numa rocha do vale e que estava em perigo de ser levada pelo vento. Armei-me de coragem e com apenas um braço consegui libertar a rapariga segurando-a com força contra mim. Os seus olhos eram verdes e era dona de uma beleza que nunca tinha visto neste nosso mundo. Ela olhou para mim e disse "Obrigada, foste o meu Príncipe salvador." e após o nosso primeiro contacto ficamos horas a falar e a passear pelo Vale. Ela disse-me ser a filha dos Reis e queria saber mais sobre o meu mundo até que ela teve de se ir embora. Marcamos de nos encontrar no dia seguinte e assim aconteceu.

Fomo-nos encontrando e aos poucos percebi que a nossa relação começava a ficar cada vez mais forte e isso fez com que ficasse cada vez mais secreta pois a Princesa estava prometida a um filho de um Conde porque a sua união era importante para manter uma hierarquia "saudável" no planeta. Dei por mim apaixonado e a viver um romance proibido. Encontrávamo-nos às escondidas e numa noite perdemos a noção do tempo e passamos a noite juntos. Foi a melhor noite da minha vida que acabou com um ataque à casa onde nos encontrávamos por parte do exército do Rei que através de uma denúncia anónima descobriu onde a sua filha estava. Ela foi levada à força, eu fui feito prisioneiro e eu mal sabia o que estava prestes a acontecer.

Pelas minhas contas fiquei preso durante oito semanas onde mal via a luz do dia, sem interacções com outras pessoas e a receber água e comida por um buraco pequeno da porta. Um dia, a comida veio com algo extra, um papel com a seguinte mensagem "Tive de arriscar mandar-te esta nota porque não sei mais que fazer. Estou grávida e não consigo convencer o meu pai a libertar-te, eu própria estou presa no meu quarto e apenas consegui mandar-te esta mensagem após subornar o guarda que protege a minha entrada. Amo-te. Ajuda-me.".

Aquele pedido de ajuda deixou-me de rastos porque eu não sabia como sair dali... então durante uma semana eu gritei, bati na parede até que as minhas forças de esgotaram e eu desmaiei no chão frio da cela.

Quando acordei, uma luz cegou-me a vista e mal conseguia perceber mais do que sombras e uma dessas sombras aproximou-se e eu percebi que era o Rei, que ao apresentar-se como tal anunciou "Tu, visitante longínquo, serás enviado de volta à tua terra e estás proibido de voltar a esta galáxia. Como penitência irás também perder as memórias da tua vida neste planeta". Assim que terminou a frase eu senti um frio na testa e acordei aqui em Pitéu, mas com uma penitência ainda maior do aquela proclamada... eu lembrava-me de tudo e não tinha como voltar. Penso que assim que saí daquela galáxia o encantamento que o Rei me fez deixou de funcionar e até hoje não sei porquê, mas quero acreditar que foi pelo amor que que sentia pela Princesa.

Durante anos tentei procurar formas de voltar e construi o Website Estranho para controlar avistamentos de coisas sobrenaturais que o governo esconde na procura por uma mera informação que me levasse à minha Princesa.

Há precisamente onze anos uma notícia captou a minha atenção, na cidade de Roda tinha sido avistada uma mulher estranha que diziam ter poderes e que andava a anunciar que enquanto não tivesse a sua cria de volta iria trazer terror aos seus habitantes. E assim começou a minha procura por ela e pela cria. Até hoje cheguei sempre atrasado ao local onde ela se encontrava porque ela começou a ficar boa em esconder a sua presença entre nós e quando me falaste dessa mulher eu finalmente achei que me podia reencontrar com ela, mas até agora não tive sucesso... ao contrário de ti. Eu preciso que tu me ajudes a encontra-la e preciso que me ajudes a encontrar o meu filho ou filha... por favor."

 

Ficou um silêncio naquela cave e a minha mente estava paralisada. Tudo parecia surreal mas eu, por algum motivo muito doido, acreditava em cada palavra e em cada sentimento que o Dr. me mostrou ao longo da história. Pensei que talvez fosse este o meu destino e que talvez o meu fascínio pelo oculto não era em vão.

Ficamos a olhar um para o outro e eu abracei a loucura com toda a força dizendo...

 

"Por onde começamos?"

 

 

O ÓRFÃO.jpg

 

(Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o sexto capítulo. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

 

O ÓRFÃO . CAPÍTULO V

CAPÍTULO IV

 

 

 

V

 

 

Assim que me preparava para deitar recebo uma notificação de que alguém comentou a minha resposta no blog e quando abri a notificação não queria acreditar no que estava a ler...

 

"Ue uos aleuqa euq ut oãn sereuq rebas. Eceuqse o euq etsiv. Et-arbmel od euqot on orbmo"

 

Mais uma vez, com a ajuda do espelho consegui decifrar a mensagem, "eU sou aquela que tu não queres saber. esquecE o que viste. lembra-tE do toque no ombro." e não fiquei com dúvidas. As mensagens tinham de vir da mulher porque eu não contei ao Dr. Rato sobre o encontro de terceiro grau que tivemos com aquele toque no ombro.

Não percebi como é que ela descobriu o meu blog e muito menos como sabia que eu andava a tentar saber mais sobre ela. A verdade é que toda a minha vida me senti atraído por coisas do oculto e mistérios, mas talvez devesse ter ficado quieto em relação a este assunto.

Tinha a cabeça a mil e começava a sentir-me um pouco tonto, logo fui dormir para ver se aliviava a pressão de estar a ter mais confusões do que aquelas que tinha antecipado.

 

O acordar não foi o melhor que tive, mal comi ao pequeno-almoço e no duche, até uma vassoura conseguia ter mais vida que eu. Estava calado e pensativo e enquanto percorria o caminho do orfanato até à escola apercebi-me que estava sozinho, não fisicamente, mas na vida. Afastei os meus únicos amigos, não me conseguia enquadrar em nenhum grupo da escola e a verdade é que os meus melhores momentos foram vividos na solidão.

Quando cheguei à escola, a Fitipa e o Jaimi já nem escondiam mais que estavam juntos e muito menos pararam com a fornicação bocal para me dizer bom dia e eu sei que a Fitipa viu-me a chegar.

Segui para as aulas e reparei mais uma vez na ausência da Madonna, mas não ia voltar à moradia dos Pitéu principalmente porque estava com medo de ver a mulher misteriosa outra vez e o Dr. Fizvaldo Pitéu não contribuía para que o meu medo diminuísse.

Ao tirar os meus livros da mochila, um papel desconhecido caiu ao chão e a primeira coisa que reparei foi no símbolo que estava desenhado nas costas do papel que era do WebSite Estranho do Dr. Rato.

Peguei no papel e o seu conteúdo foi sem dúvida, surpreendente, para não dizer macabro...

 

"Olá Barry,

Sou eu, o Dr. Rato e não te queria assustar ou intimidar no nosso encontro de ontem mas tu foste o único jovem dessa coisa chamada escola que apareceu por cá e eu estou mesmo a precisar de um assistente. Compreendo que não queiras o tão prestigiado lugar e mesmo assim vou ajudar-te, um pouco.

Eu sei quem é a mulher que descreveste e posso falar-te mais dela, mas tem de ser num local neutro como o meu escritório depois das tuas aulas. Após te contar a história, talvez mudes a tua opinião em relação a seres meu assistente e entres na causa.

Abraço,

Dr. Rato"

 

Assim que li aquilo pensei que realmente estava a lidar com um maluco, mas a verdade é que não tinha muito a perder e neste momento acho que só a assistente virtual do meu computador me dá conversa, a Floriana.

Dizem ser a bisneta da ex-assistente oficial da marca Apple, Siri e Cortana, ex-assistente da Microsoft que após uma relação proibida e muitas horas de coding criaram a avó da Floriana. Uma história de amor que tenho de desenvolver no meu blog porque os meus leitores já estão a precisar de algo diferente.

As aulas passaram rápido e eu não prestei atenção a nada do que se falou e consegui ser libertado da aula de educação física porque disse que estava com o período. Sim, uma falha nos sistemas dos Storbots faz com que o seu software não consiga distinguir rapazes de raparigas e por isso a desculpa do período virou rotina para todos os sexos.

 

Quando estava prestes a sair da escola, ouço a Fitipa...

"Barry!", gritou ela.

"Ei, Fitipa. Tudo bem?", perguntei.

"Ei, sim e contigo? Já sei que o Jaimi te contou a verdade e nós não queremos estar chateados contigo e acho que devemos tentar voltar a ser o trio com mais fama aqui da escola. Que dizes?", disse a Fitipa.

"Eu estou bem. Ainda bem, eu também não quero estar chateado com vocês e estou aberto para uma nova tentativa... de amizade. Não aberto para outras coisas.", disse com necessidade de me enfiar num buraco...

"Claro! Amizade. Nós vamos agora ao CPU, vens?", perguntou a Fitipa.

"Agora? Não me dava muito jeito.", respondi.

"Porquê? Anda lá, que tens assim de tão importante para fazer?", insistiu a Fitipa.

"Tenho de ir a um sítio...", eu não queria dizer onde ia e preferia guardar segredo em relação à mulher misteriosa.

"Onde?", continuou a Fitipa.

"Um sítio, F.  Mas eu depois vejo se posso ir lá ter...", disse.

"Nem te incomodes... Já percebi Bar, se não estás disposto a fazer um esforço porque raio havemos nós de o fazer. Tu continuas com os teus segredos e com a tua vida misteriosa. Ainda vais acabar sozinho. Adeus.", disse a Fitipa com ar de quem tinha feito desta nossa conversa, a última que iríamos ter. Eu não consegui dizer uma palavra, apenas fiquei ali parado enquanto ela virava as costas.

Suspirei e pensei que talvez ela tivesse razão, o meu destino era estar e ficar sozinho. 

 

Sem mais demoras e colocando os sentimentos de lado fui em direcção à casa do Dr. Rato para finalmente ter a minha resposta. Quando lá cheguei passei pelo mesmo que da última vez... toquei à campainha e lá veio a "senhora" mãe do Dr. Rato que me mandou ir para o ilustre escritório do mesmo, a cave.

Bati à porta e com a autorização devida entrei. Lá dentro estava o Dr. Rato nos seus quatro computadores e vários quadros brancos com fotografias, mapas e alguns rabiscos numa língua que eu desconhecia...

"É xhosa.", disse o Doutor.

"Santinho?!", respondi.

"Não, a língua que estás a ver nesses quadros chama-se xhosa, é uma língua da África do Sul.", disse o Doutor.

"Ah bom... porque não português?", perguntei.

"Porque assim ninguém descobre os meus segredos, mesmo que seja apanhado. Poucas pessoas conhecem essa língua e assim fico com vantagem cultural.", explicou.

"Pois pois, claro. Vantagem cultural e desvantagem mental...", disse completamente chocado com a loucura que o homem demonstrava.

"Gozas agora, um dia vais ver como é necessária ter vantagem cultural sobre certas pessoas.", disse o Doutor.

"Está bem, mas não estou aqui para isso. Vi o papel que me colocou na mochila, estou aqui porque quero saber quem é a mulher e já nem vou questionar a forma como conseguiu colocar o papel dentro da mochila.", disse.

"Simples, disfarcei-me de estudante e coloquei quando estavas na fila para entrar para a escola. Mas vamos ao que interessa, a mulher mistério...", começou o Dr. Rato.

"Sim, a mulher a mistério... quem é ela? O que anda aqui a fazer e como raio desapareceu do nada enquanto eu a perseguia.", perguntei eu impaciente.

"Vejo que estás sem paciência por isso vou directo ao assunto. A mulher que tens visto chama-se Princesa Maionese, é uma alien e tem sido avistada em outros locais do mundo fazendo aparições estranhas para o comum mortal. A sua missão na Terra é descobrir a sua cria que lhe foi roubada há cerca de quinze anos e enviada para este planeta pelos seus pais, os Reis do planeta dos Molhos da Via do Leite Achocolatado que não concordavam com o seu romance com um Príncipe de uma galáxia distante. Pitéu é só mais uma das suas paragens e eu tenho tentado entrar em contacto com ela, mas não consigo...", explicou o Dr. Rato.

Eu fiquei parado a olhar para o homem, completamente em estado de choque e a única coisa que me saiu foi uma gargalhada de todo o tamanho e um sentimento de estupidez porque tinha acabado de trocar uma tarde de diversão com os meus agora ex-amigos por uma reunião com um homem que precisava de internamento rápido num hospício.

"Achas piada? É um assunto sério. A Princesa tem poderes que podem destruir esta cidade.", continuou o Dr. e continuei eu a rir.

Assim que recuperei o folgo, tive de falar uma última vez...

"Uau, lá imaginação tem você. Eu vou-me embora e obrigada por me fazer rir, porque no fundo o senhor é mesmo uma piada...", disse enquanto me dirigia para a porta, saindo para a rua.

Ainda fiquei uns minutos à porta da casa do Doutor Rato antes de me pôr a caminho do orfanato.

 

Assim que cheguei ao portão vi um vulto na esquina do edifício que se escondeu quando reparou que eu o tinha visto. Curioso como sou, decidi ir na sua direcção e assim que virei a esquina uma luz azul faz-me fechar os olhos e assim que os abro dou comigo numa sala preta com luzes azuis fluorescentes e duas cadeiras brancas no centro. Procuro janelas, portas ou outra saída qualquer e já em pânico começo a bater nas paredes aos gritos sem perceber como tinha ido ali parar. Ainda pensei que o Doutor me tinha drogado com algum tipo de pó ou gás, mas esse meu pensamento foi interrompido...

"Bem-vindo Bartolomeu.", era a mulher misteriosa.

"Você?! Onde é que eu estou? Como é que fez isto?", perguntei em pânico.

"Calma meu rapaz. Não estou aqui para te fazer mal. Estou aqui apenas para te alertar, uma vez mais, que pares de andar à procura de informações sobre mim!", disse a mulher.

"Eu só fiquei curioso e queria saber quem era. Afinal desapareceu na frente dos meus olhos e teve comportamentos estranhos em locais públicos da cidade...", disse.

"Claro, compreendo que os jovens sejam curiosos. Como és bom rapaz, digo-te apenas aquilo que precisas saber, o meu nome... Maionese. Não quero magoar ninguém e estou aqui de passagem. Só quero que me prometas que vais parar de andar atrás de informações sobre a minha pessoa.", insistia a mulher.

"Maionese?!...", questionei lembrando-me da história do Dr. Rato.

"Sim. Já ouviste falar de mim?", perguntou.

"Eu? Não... quer dizer, sim... Apenas para pôr em saladas. Eu só quero sair daqui, por isso sim, prometo que não irei procurar mais informações sobre si. Parei.", disse perante o olhar confuso da mulher.

"Ok. Promessa arquivada e eu levo-as muito a sério, por isso se falhares eu estarei de volta para uma conversa não tão amigável.", ameaçou a mulher e imediatamente a mesma luz azul bloqueia-me a visão e vejo-me sentado no relvado do jardim do orfanato.

 

"Não pode ser. Aquele maluco não pode ter razão!", pensei para mim mesmo. Isto estava a tornar-se demasiado bizarro, mas se alguém me podia ajudar com coisas bizarras e estranhas era sem dúvida o Rato. Peguei no meu telemóvel e no papel com as informações do homem e enviei uma mensagem.

"Precisamos falar! Ass: Barry"

 

A resposta não tardou...

"Não, obrigado. Acabaram as visitas à piada da zona."

 

Eu sabia que perante tal birra, só uma coisa o faria ajudar-me. Respondi...

"Por favor. Eu aceito a posição de assistente e prometo que não gozo mais."

 

Olhei para o portão do orfanato e lá vi o Jaimi com a Fitipa e mais dois rapazes, provavelmente dois novos amigos e percebi que os tinha perdido e que não podia inclui-los nesta loucura principalmente porque nunca iriam acreditar em mim. O meu telemóvel tocou e depois de ler a mensagem eu sabia que já não havia volta a dar...

 

"Bartolomeu Querido, sê bem-vindo ao mundo Estranho. Mãos á obra!"

 

 

CAPÍTULO VI

 

O ÓRFÃO.jpg

 

 (Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o quinto capítulo. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

O ÓRFÃO . CAPÍTULO IV

CAPÍTULO III

 

 

!! P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Panteão !!

Já só falta um dia para votarem na primeira fase dos Sapos do Ano 2017 !

 

 

IV

 

 

Tomei então a decisão de contactar o Dr. Rato, pois o homem lida com coisas estranhas, não fosse o seu site, o Website Estranho e ia pedir ajuda com isto. Não vejo mais ninguém que fosse acreditar num miúdo.

Quem é aquela mulher e o que raio lhe aconteceu?

 

Ainda faltavam umas horas para o recolher obrigatório, que normalmente acontece uma hora antes da hora de jantar, por isso aproveitei e fui à escola buscar as informações de contacto do Dr. Rato e assim entrar em contacto com ele.

Assim que cheguei à escola, para surpresa minha, a Fitipa estava a falar com o Jaimi na entrada e antes que me vissem ou que eu os pudesse chamar, eles trocam um beijo na boca e eu fiquei um pouco em estado de choque. Não imaginava que houvesse sentimentos entre eles para além da amizade e muito menos percebia o porquê de me estarem a esconder isso. Fiquei no meu canto e após aquele beijo, cada um foi para o seu lado.

Ainda abalado, mas focado no meu objectivo, escondi-me nas escadas de um prédio porque o Jaimi estava a ir em direcção ao orfanato e assim que ele passou fui tirar as informações ao panfleto, que mesmo já estando gasto dava para ver a morada.

Confesso que cheguei a pensar duas vezes antes de me dirigir à casa de um estranho que tinha cara de quem me ia arrancar um rim e abandonar-me numa banheira cheia de gelo, mas com coragem suficiente toquei à campainha. Veio uma senhora idosa à porta...

"Sim? Diga lá o que quer.", disse a senhora com uma voz rouca e com um bafo de quem fuma desde que saiu da vagina da mãe... ou pai.

"Boa tarde. O meu nome é Barry e eu queria saber se aqui vive o Dr. Camões Rato. Precisava de falar com ele.", disse.

"Barry é nome de cão e doutor?? Doutor do quê?? Esse é o desajeitado do meu filho, que não se chama Camões, mas sim Cassandro, Cassandro Caça Rato. Está na cave, podes seguir.", respondeu a mulher apontado o caminho para a cave.

 

Bati e ouvi uma voz que dizia para entrar e ao abrir a porta da cave um pouco a medo, mal tive dez segundos para ver o estava lá dentro porque o Dr. Rato aparece-me à frente...

"Finalmente, um futuro assistente! Como te chamas filho?", disse ele.

"Olá Dr.. O meu nome é Barry e peço desculpa, mas não. Vinha aqui para falar consigo sobre outro assunto e não para me inscrever como seu assistente. Não me leve a mal, apenas não tenho tempo para essas coisas.", disse.

"Humm, compreendo. Também fica sabendo que tenho muitos candidatos ao lugar e que ainda bem que não te estás a inscrever porque isto será um concurso feroz e violento. Mas diz lá então, o que te traz à sede do WebSite Estranho?", perguntou o Dr..

"Claro, bem... por onde começar. Eu vi algo que não consigo muito bem explicar o que foi e como aconteceu, mas basicamente eu tenho visto uma mulher a vaguear as ruas e a meter-se em situações complicadas, como numa discussão com o segurança do SuperPitéu, uma visita ao Dr. Fizvaldo Pitéu e a desaparecer do nada no limite do bosque Pitesco. Como é uma situação estranha, penso que me poderia ajudar a saber quem é essa mulher.", expliquei da melhor forma que consegui.

"Curioso de facto... Vejo que és alguém atraído pelas obscuridades e estranhezas deste mundo. Tens a certeza que não te queres juntar à causa?", insistiu o Dr. enquanto andava de um lado para o lado.

"Sim, tenho. Apenas gostava de saber quem é aquela mulher e o que anda cá a fazer.", continuei.

"Já agora, porquê?", perguntou o Dr..

"Curiosidade, apenas curiosidade.", respondi.

"Tudo bem, eu ajudo-te a saber quem é essa mulher...", disse o Dr..

Fiquei imediatamente entusiasmado com a ideia... por estranho que parecesse...

"A sério? Muit...".

"Se fores meu assistente", interrompeu-me o Dr. Rato.

"Desculpe? Não. Isso está fora de questão. Não vou ser assistente de um estranho falso Doutor que tem um website sobre coisas estranhas.", disse.

"Curioso dizeres isso porque tu é que vieste ter com o estranho falso Doutor que tem um website sobre coisas estranhas para alimentar a tua curiosidade. Ou te juntas a mim como meu assistente ou podes esquecer a minha ajuda... Barry.", respondeu o Dr..

"Foi uma perda de tempo vir aqui negociar com um doido!", disse eu saindo abruptamente da cave e deixando a casa do Dr. Rato visivelmente irritado.

Tive de voltar para o orfanato a correr porque faltavam cinco minutos para o recolher obrigatório.

 

Mantive-me calado durante o jantar, muito por causa do que tinha acontecido com o Dr. Rato, mas também porque o Figo mostrou a sua colecção de potenciais fungos que tinha recolhido do pé direito durante o seu banho mensal. Outra pessoa que mal abriu a boca foi o Jaimi, que após o jantar dirigiu-se para o quarto. Decidi segui-lo e confronta-lo com aquilo que tinha visto entre ele e a Fitipa.

"Ei, Jaimi! Então, já nem dizes nada? Queres ir ver vídeos de anacondas a dançar com pintainhos bêbados? Ainda há uma colectânea que não vimos.", disse.

"Ei mano. Não, não me apetece. Acho que vou mesmo fazer os trabalhos de casa e depois descansar.", respondeu o Jaimi.

"Trabalhos de casa? Vá lá, não sejas assim. Precisamos pôr a conversa em dia. Quer dizer, a conversa de hoje, do que aconteceu hoje na nossa vida de diferente e do qual não tenhamos conhecimento.", disse eu, subtilmente.

"Tu viste-me com a Fitipa, não viste?", disse o Jaimi em jeito de confissão.

"Pois, vi. Não percebo porque não me contaste que andas com ela. Somos os três grandes amigos, porquê fazer disto um mistério?", perguntei.

"Bar, eu sei que tu achas que tudo continua na mesma, mas não. Nas férias fechaste-te no teu mundo da escrita e quase nunca ligavas à Fitipa ou a mim, que vivo mesmo na cama ao lado. Tu desligaste-te de tudo e todos e no primeiro dia de aulas ages como se nada se tivesse passado.", disse o Jaimi.

"Como assim?", perguntei um pouco confuso.

"Olha, eu não quero confusões. Mas foste tu que te afastas-te e nós sentimo-nos usados por ti, como se só servíssemos para o tempo de aulas. Já não somos os três grandes amigos... tu não foste um grande amigo durante três meses. Podemos continuar amigos, mas as coisas mudaram. Agora desculpa mas vou fazer os trabalhos de casa.", respondeu o Jaimi enquanto se afastava de mim.

 

"Terei eu afastado os meus amigos sem dar conta?, pensei eu...

A verdade é que estive a maior parte do tempo agarrado ao computador a escrever e mal sai para apanhar um ar. Apenas acho o Verão depressivo e muito calor faz-me mal ao espírito. Não quis ser negligente nas minhas amizades, mas também neste momento não conseguia pensar nisso, tinha aquela mulher na cabeça e não me ia tornar assistente de um maluco para conseguir saber quem ela era. Ou seja, o meu computador e algumas horas de pesquisa iam ter de fazer o trabalho por ele.

Pesquisei "mulher desaparece do nada", "mulher com arma estranha", que me fez encontrar páginas perturbadoras e até "mulher estranha aparece em cidade", mas todas as pesquisas foram um beco sem saída. Para pensar mais claramente, fui até ao meu blog ver o que se passava e reparei num comentário que tinha no meu último post...

 

"Ut oãn etsiv adan. Arap ed ratnet rarucorp satsip erbos meuq uos!"

 

Bastou pegar num espelho e lá estava "tU não viste nada. parA de tentar procurar pistas sobre quem sou!". A primeira pessoa que me veio à cabeça foi a mulher misteriosa, mas ela não tinha qualquer informação de quem eu era e não escrevi nada sobre ela no meu blog.

Mas escrevi sobre o Dr. Rato e ele percebeu que levo a curiosidade muito a sério e talvez tenha escrito este comentário para me colocar mais curioso e como não tenho uma solução, teria de virar assistente dele para obter ajuda. Mas isso não ia acontecer!

Respondi ao comentário...

 

"Volta para a cave da tua mãe e deixa-me em paz! Sou um menor, isto é perseguição!"

 

Penso que o ataquei bem com aquilo da cave da mãe. Mas quem sou eu para falar das escolhas dos outros em relação a locais onde decidem viver se eu vivia num quarto com um amigo que não quer saber de mim, um hipocondríaco e um rapaz novo cuja forma de comunicação é através de post-its.

Fui para a cama ler um pouco e dormir porque este dia já deu o que tinha a dar. 

 

Assim que me preparava para deitar recebo uma notificação de que alguém comentou a minha resposta no blog e quando abri a notificação não queria acreditar no que estava a ler...

 

 

CAPÍTULO V  

O ÓRFÃO.jpg

 

(Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o quarto capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.)  

O ÓRFÃO . CAPÍTULO III

CAPÍTULO II

 

 

P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Portistas.

E fiquem a resposta vencedora do Giveaway, do Triptofano.. If I Were a Girl.

 

 

III

 

 

Lá pensei no dia que tinha passado, no porquê da Fitipa não me falar, a introdução da aula de história com aquele Dr. e naquela mulher que me fez sentir ameaçado.

Bom começo para quem queria um ano lectivo calmo...

 

Já eram dez da noite e eu continuava no telhado a olhar para as estrelas e a aproveitar o silêncio que sabia que não tinha dentro do orfanato. Assim que voltasse para dentro ia levar com os dramas desportivos do Jaimi, a nova doença do Figo, que é hipocondríaco e com o Sr. Godofredo a mandar-nos dormir a cada cinco minutos porque não conseguimos sossegar antes da meia noite. Normalmente paramos antes se ele trouxer a Fiona, porque aquela cabra foi treinada para morder assim que ouvir a palavra "Coça". Até hoje não sei a ligação entre coçar e morder...

Acabei por ir para dentro e o Jaimi lá estava a discutir tácticas de lacrosse com outro rapaz e eu resolvi ir para a cama escrever no blog. Assim que pego no computador o Figo já estava ao meu lado...

"Barry, preciso que me vejas um sinal que tenho na barriga! Está com uma cor estranha, alaranjada e acastanhada e eu tenho comichão.", disse o Figo.

"Figo, já te disse que isso são coisas da tua cabeça e que tens de te acalmar. Já tomaste a medicação de hoje?", disse.

"Já! Não é da minha cabeça, prometo. Vê, por favor!", implorou o Figo.

"Está bem. Mostra lá a mancha.", disse.

Assim que o Figo levantou a camisola não havia dúvidas sobre o que se estava a passar.

"Figo, isso não é um sinal. Isso é uma mancha de molho de tomate da bolonhesa do jantar. Tenta limpar com água e vais ver que passa.", disse, já sem paciência.

O Figo em vez de seguir o meu conselho, levou o dedo à boca e toca de usar saliva como lava tudo e conseguiu limpar o tal "sinal" assustador. 

"B, obrigado. Estava mesmo assustado. Agora posso estar descansado.", disse o Figo.

"E podes também ter mais higiene.", pensei eu. Ele era bom rapaz, mas há limites. 

 

Abri o computador e finalmente deixei-me embarcar no mundo do meu blog...

 

 

Entrada #41

 

Olá...

o dia hoje foi estranho. Já aqui vos contei da parvoíce que foi aquela apresentação do Dr. Rato, mas o que ainda me incomoda é o facto da Fitipa não me falar. Sempre fomos amigos e já não nos víamos há umas semanas, mas estava tudo bem antes, o que será que mudou?...

Provavelmente estar a ler isto F, e podias-me dizer que raio se passou... Enfim.

Vi a Madonna na escola e lá estava ela, linda de morrer e com o brilho mais angelical do mundo. Escrevi uma música para ela e agora só me falta encontrar os acordes perfeitos. Talvez consiga ter coragem e um dia cantar-lhe e este "talvez" é mais "quando ela estiver solteira", sim, porque eu vou esperar.

Posso colocar aqui apenas um pedaço do refrão da música que tem como título "Olhos Quadrados":

 

"Tu sobes e desces,

tu saltas e cais,

Com esse teu brilho ,

Como não te amar mais,

 

A vida perdeu-se,

Nos teus olhos dourados,

Mas no fundo eu sei,

Que eles são apenas quadrados"

 

Profundo, eu sei.

Pode ser que depois de mostrar esta letra com os acordes ao Storbot 4567, ele vai finalmente deixar-me abrir um Glee Club lá na escola, porque a música é outra das minhas paixões. Sou um romântico incurável.

Bem, por aqui fico que se está a fazer tarde e já começo a ver o Figo a vir na minha direcção agarrado ao nariz, uma cavidade com o qual não me apetece confraternizar.

 

O Órfão

 

Fui dormir na esperança de acordar e ter um dia muito melhor.

 

7h00

Credo, hoje não consegui acordar mais cedo e levei com o berro da Fiona e nunca acordo bem disposto depois de tal alarme. Nem o banho me ajudou e o pequeno-almoço são papas de aveia, por isso já imaginava que o dia não fosse de facto ficar melhor. Esperei pelo Jaimi nas escadas do orfanato e fomos para a escola, onde mais uma vez a Fitipa se encontrava no portão e eu estava decidido a falar com ela e perceber o que se passava.

Pedi ao Jaimi para me deixar ir ter com ela sozinho e ele foi indo para a sala.

"Bom dia F! Tudo bem?", disse.

"Olá Barry.", respondeu a Fitipa com um ar seco.

"Podemos falar? É importante.", disse.

"Não precisas de falar muito Bar, eu vi o teu post no blog. Eu não estou chateada, apenas ando sem cabeça e com alguns problemas familiares. Desculpa se te fiz pensar que estava chateada.", explicou a Fitipa.

"A sério? Ainda bem. Não queria nada perder uma amiga como tu.", disse.

"Não perdes. Eu vou tentar andar mais sociável e deixar o mau humor em casa. Como tens estado? Adorei a tua música para a Madonna.", disse a Fitipa.

E lá ficamos nós a falar e a pôr os assuntos em dia. Confesso que já tinha saudades.

 

Deu o primeiro toque de entrada e lá fomos nós ter com o Jaimi para a primeira aula do dia, matemática, com o Storbot Pi. Gosto desta aula porque a Madonna Pitéu senta-se ao meu lado e costumamos ficar em grupo nos projectos, mas hoje ela não veio à aula e eu fiquei um pouco preocupado.

Seguiu-se a aula de Espanhol, Educação Física e Geografia e nada de Madonna, logo tomei a decisão de ir a casa dela ver se estava tudo bem e levar os apontamentos das aulas.

Perguntei se a Fitipa e o Jaimi queriam vir comigo, mas ambos estavam ocupados com as actividades extra-curriculares da escola, como o treino de lacrosse e claque. Fui então sozinho em direcção à moradia dos Pitéu que ficava num dos bairros mais ricos da cidade, o Pitéu Hills. Quando lá cheguei toquei à campainha e apresentei-me...

"Boa tarde. Eu sou o Barry, colega da Madonna, vinha trazer-lhe os apontamentos da escola e saber se estava tudo bem.".

Não obtive resposta, mas o portão abriu-se o que levei como se fosse uma resposta afirmativa e entrei. Assim que cheguei à porta da casa, nem precisei bater porque estava alguém a sair. Era a mulher que estava a discutir com o segurança do SuperPitéu que com cara de poucos amigos se despediu do Dr. Fizvaldo Pitéu. 

"Boa tarde. Deves ser o Barry, o colega da minha filha Madonna. Obrigada por trazeres os apontamentos. Contudo a minha filha não está disponível de momento, mas podes deixar os apontamentos comigo.", disse o Dr. Pitéu.

"Claro. Mas está tudo bem com a Madonna?", perguntei.

"Sim, está. Foi só uma pequena indisposição. Obrigada pela preocupação.", disse o Dr. Pitéu enquanto lhe entregava os apontamentos. 

Despedi-me e fui embora em direcção ao orfanato. Tinha um trabalho de Geografia para escrever e esta não é a minha melhor disciplina.

Antes de chegar ao orfanato vi a mulher misteriosa a caminhar em direcção ao parque e num acto de estupidez decidi segui-la e assim que entra na zona dos limites do bosque Pitesco desaparece. Literalmente! O corpo da mulher foi evaporado! Fui ao limite do bosque e não vi nada. 

Fiquei um pouco assustado e comecei a correr para sair do parque em direcção ao orfanato e só parei quando cheguei ao meu quarto. Fui para o telhado e ainda assustado tentei pensar no que vi e percebi que não havia uma explicação lógica para o que tinha acabado de ver. 

 

Tomei então a decisão de contactar o Dr. Rato, pois o homem lida com coisas estranhas, não fosse o seu site o Website Estranho e ia pedir ajuda com isto. Não vejo mais ninguém que fosse acreditar num miúdo.

Quem é aquela mulher e o que raio lhe aconteceu?

 

 

CAPÍTULO IV

O ÓRFÃO.jpg

 

 

(Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o terceiro capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.)  

O ÓRFÃO . CAPÍTULO II

CAPÍTULO I

 

P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Traidores!

 

Na última semana não coloquei o capítulo porque perdi-o nos rascunhos e três horas de escrita e mais de 1500 palavras desapareceram... Mas hoje cá está ele, um novo capítulo e se estás a ler isto é porque nada de mal aconteceu!

 

II

 

 

Bem, mais vale apressar-me porque hoje há jantar de despedida das férias e amanhã é dia de aulas. Só peço para não levar com brilhantes no arroz, porque depois de três meses onde o clube de strip funcionou mais do que a cantina, surpresas serão encontradas no menu...

 

O jantar foi bom, tirando o facto de andar à luta pela última asa de frango com o Jaimi, não porque ele a quisesse, mas porque ele é vegan e então esta é uma das formas de defender os direitos do animal... Enfim, nada que eu não aguentasse, até porque acabei por comer a asa de frango acompanhado pelo olhar de julgamento do Jaimi.

Antes de ir dormir gosto sempre de dar uma vista de olhos no meu blog e escrever algo. Como não sou totalmente anónimo nestas paragens, não queria escrever sobre a situação da asa de frango porque o Jaimi ia levar a mal, então decidi falar um pouco dos meus sentimentos...

 

Entrada #39

Olá...

 

 

Não conseguia escrever, a minha cabeça andava a mil, como sempre. Tenho andado preocupado, vou para o 11º ano e não sei o que quero para a minha vida. Aos 18 anos é costume mandar os rapazes órfãos para casas do campus da Universidade e ai de quem se atreve a dizer que não quer ir. Eu quero ir, mas não sei para que curso e hoje em dia o que tem mais sucesso é Engenharia de Mentes, mas eu não me interesso por codificar mentes de robots para que estes sejam cidadãos funcionais na sociedade.

Quem não quiser ir para a Universidade é automaticamente posto na rua e se não me decidir será esse o meu caminho. Um escanzelado como eu, sem qualquer atributo físico de qualidade, acabarei a trabalhar n'O Varão Saudável a servir cosmos na noite das dragmen, sim, porque aquele local tem especialidade em entretenimento para todos, heterossexuais e qualquer membro do grupo LGBTADDRNF (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Assexuais, Dragqueens, Dragmen, Robotxxx, Ninfos, Francisconas). Segundo o Director do Orfanato no tempo do avô dele era apenas LGBT, mas entretanto outros grupos se juntaram. Para mim é uma estupidez, cada um é como é, não deveria existir rótulos, até porque tenho amigos de todos os grupos.

Vou mas é dormir, tenho de estar pronto para as aulas e para rever os meus amigos.

 

6h59

Desde que colocaram uma cabra a berrar como despertador que consigo acordar um minuto antes de trazerem o animal. A cabra chama-se Fiona porque nasceu com um pequeno problema genético e metade do seu pêlo é verde. É o animal de estimação do Senhor Godofredo, que já cá trabalha há mais de 40 anos.

Uma festinha à Fiona, banho, pequeno-almoço e lá fui eu a caminho da escola com o Jaimi. O Liceu D. Pitéu fica a cinco minutos do orfanato e é uma boa escola. Somos obrigados a andar de farda, pelo menos uma camisa branca e umas calças escuras, porque o que calçamos é à nossa escolha. O nome do liceu, D. Pitéu e o nome da cidade, Pitéu, tem uma lenda que explica a sua origem.

Deixem-me contar-vos:

 

"Era uma vez,

um homem grande, muito grande chamado João. 

João vivia na aldeia de Runa e um dia percebeu que a sua vida precisava de um pouco de aventura.

Em busca de aventuras saiu João da sua aldeia indo parar a uma terra sem nome. Aí, João conheceu Matilde, por quem se apaixonou.

Matilde era treinadora de jibóias e lobos, e um dia naquela terra sem nome, uma jibóia e um lobo juntaram forças e comeram João que cortado a meio foi, para saciar ambos.

Nada previa este fim, mas diz a lenda que Matilde antes de matar os assassinos do seu amor, olhou nos olhos do lobo e da jibóia e viu que João tinha sido um pitéu para ambos. 

Enterrou-os e colocou a seguinte inscrição "Aqui jaz, quem comeu um pitéu"."

 

E assim ficou o nome. Acredito que tal história foi inventada, mesmo com a colocação de uma pedra no alto das escadas da escola e à entrada da cidade com essa mesma inscrição. Como é óbvio nesta cidade são todos muito preguiçosos para pesquisar a sua verdadeira origem.

Nada que atrapalhe os meus dias. 

Estavamos a chegar perto da escola e vimos a Fitipa ao portão. Assim que chegamos perto dela, ela apenas cumprimentou o Jaimi e ignorou-me totalmente. 

"Então, eu não sou gente?!", perguntei.

"Ah, olá. Nem te vi.", respondeu a Fitipa.

"Como assim não me viste? Estou literalmente à tua frente.", disse.

"Desculpa, não te vi. Vou ter com as raparigas, hoje começam os treinos da claque e eu quero manter-me informada.", disse a Fitipa, afastando-se de nós.

 

"Bem... Que foi aquilo?", perguntou o Jaimi.

"Não sei nem quero saber. Miúdas são demasiado complicadas. Vamos mas é para a sala.", disse.

Assim que chegamos à sala de aula, já lá estava o Storbot 5x5, o professor de história. Sempre gostei deste professor, que ao contrário do professor humano sabe mesmo como ensinar. A verdade é que nunca fui contra esta nova lei da substituição dos professores por robots, porque acho que houve melhorias significativas nas notas e no empenho dos alunos, afinal ninguém quer levar um choque eléctrico como castigo.

Quando já estávamos todos na sala e prontos para começar a aula, o Storbot 5x5 faz a introdução do dia...

"Bom dia classe de 2054! Bem-vindos a este novo ano lectivo. Para esta primeira aula vou apresentar-vos alguém que está aqui para vos dar uma palavra de cerca de três minutos. Após esse tempo iremos dar entrada na matéria deste ano lectivo. Apresento-vos sem demora o Doutor Camões Rato.".

E mesmo sem demoras entra um homem na sala de aula. Era o homem mais pequeno que já tinha visto e tinha um ar atrapalhado, confuso e um óculos quadrados que em nada beneficiavam o seu aspecto. Olhou para nós e disse...

"Bom dia. O meu nome é Dr. Rato e estou aqui a convite do director do liceu D. Pitéu..."

"Ninguém o convidou, apenas levou o director Guarda ao limite e ele foi obrigado a deixa-lo falar com pelo menos uma turma para que deixasse de o chatear.", interrompeu o Storbot 5x5. Os storbots tinha uma codificação de mente poderosa que vinha equipada com um detector de mentiras infalível.

"Quem convidou quem não é o importante neste momento. Gostaria apenas de dizer que estou à procura de um assistente para o meu website, "O Website Estranho" e nada melhor que mentes jovens e inteligentes para o trabalho. Por isso vou deixar um panfleto no placard da entrada com informações para as candidaturas ao lugar. Quem estiver interessado já sabe. Alguma dúvida?", perguntou o Dr. Rato.

"Não há tempo para dúvidas. Acabou os três minutos. Por favor dirija-se à saída da sala.", disse o Storbot 5x5, que levava as médias de tempo muito a sério.

"Claro! Já sabem, entrada, placard, informações e candidaturas para o Website Estranho...", disse o Dr. já de saída da sala.

 

Mal o Dr. saiu, o Storbot 5x5 começou a escrever no quadro informações sobre a nova matéria, mas eu fiquei distraído com aquilo que estava a ver pela janela. O Dr. Rato estava a passar um aparelho pelas paredes do edifício com uma máquina estranha e sempre que aquilo apitava ele registava tudo num caderno. Era sem dúvida uma figura bizarra e não parecia bater bem da cabeça.

Voltei a minha atenção para as aulas e aguentei o dia todo sem adormecer. A Fitipa mal falou comigo o dia todo e parecia chateada, algo que preciso de averiguar e o Jaimi foi para os treinos. Segui caminho sem antes passar no tal panfleto do Dr. Rato que era tão bizarro quanto ele.

Decidi ir até ao CPU para navegar um pouco na net e a caminho vi uma mulher aos gritos a ser expulsa do SuperPitéu e parecia ser estrangeira porque não percebia uma palavra do que ela dizia. A discussão estava acessa entre ela e o segurança e eu fiquei sossegado do outro lado da rua a ver se aquilo acalmava porque o CPU era ao lado do SuperPitéu.

A mulher calou-se e sacou do bolso uma máquina estranha, apontou para a cara do segurança que voltou para dentro do supermercado como se nada se tivesse passado. Eu achei aquilo tudo muito estranho, mas ignorei porque podia ser um dos dispositivos inventados pela Mente & Coisas Co., a empresa mais importante cá da cidade que fabricada todo o tipo de tecnologias.

O dono da empresa, Fizvaldo Pitéu é o pai da minha musa, Madonna e um dos homens mais temidos e poderosos da cidade.

 

Finalmente cheguei ao CPU, tirei uma senha, fui para o computador e abri o meu blog na esperança que o meu bloqueio de escritor estivesse resolvido após ter visto tanta coisa estranha durante o dia. Escolhi que ia escrever sobre o Dr. Rato e a mulher que comandou a mente do segurança, uma espécie de paródia. 

Assim que coloquei as mãos no teclado senti uma mão no meu ombro direito e quando me virei vi a mulher que discutia com o segurança...

"Olá. Tudo bem?", disse ela.

Afinal sempre fala a minha língua, pensei...

"Olá. Sim, tudo e consigo?", disse um pouco a medo.

"Também. Queria apenas saber se viste alguma coisa lá fora, em frente aquela loja, assim, estranha, antes de entrares aqui.", disse ela.

Eu percebi o que ela queria saber e para a coisa não ir muito longe disse...

"Não. Não vi nada. Vinha distraído a mexer no meu telemóvel. Porquê?".

"Por nada. Apenas podias ter visto algo, diferente.", insistiu a mulher.

"Não, nada diferente. Sou muito trapalhão e distraído, não vejo nada quando ando na rua.", expliquei.

Sem responder a mulher virou costas e saiu do CPU. Claro que modificou logo a minha ideia de escrever sobre o que vi e fez-me pensar se o que vi afinal foi algo de suspeito...

Estava com tantas coisas na cabeça que resolvi esquecer o assunto, pelo menos por enquanto, escrever no blog sobre o Dr. Rato e regressar ao orfanato.

Assim que cheguei fui tomar banho e pedi dispensa do jantar na sala comum e jantei na secretária do quarto alegando que tinha muito para estudar. Comi e fui para um dos meus locais favoritos do orfanato, o telhado, porque é um local sossegado onde tenho acesso a um céu estrelado e a um silêncio impagável. 

 

Lá pensei no dia que tinha passado, no porquê da Fitipa não me falar, a introdução da aula de história com aquele Dr. e naquela mulher que me fez sentir ameaçado.

Bom começo para quem queria um ano lectivo calmo...

 

 

CAPÍTULO III

 

O ÓRFÃO.jpg

 

 (Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o segundo capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

O ÓRFÃO . CAPÍTULO II

CAPÍTULO I

 

P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Traidores!

 

Na última semana não coloquei o capítulo porque perdi-o nos rascunhos e três horas de escrita e mais de 1500 palavras desapareceram... Mas hoje cá está ele, um novo capítulo e se estás a ler isto é porque nada de mal aconteceu!

 

II

 

 

Bem, mais vale apressar-me porque hoje há jantar de despedida das férias e amanhã é dia de aulas. Só peço para não levar com brilhantes no arroz, porque depois de três meses onde o clube de strip funcionou mais do que a cantina, surpresas serão encontradas no menu...

 

O jantar foi bom, tirando o facto de andar à luta pela última asa de frango com o Jaimi, não porque ele a quisesse, mas porque ele é vegan e então esta é uma das formas de defender os direitos do animal... Enfim, nada que eu não aguentasse, até porque acabei por comer a asa de frango acompanhado pelo olhar de julgamento do Jaimi.

Antes de ir dormir gosto sempre de dar uma vista de olhos no meu blog e escrever algo. Como não sou totalmente anónimo nestas paragens, não queria escrever sobre a situação da asa de frango porque o Jaimi ia levar a mal, então decidi falar um pouco dos meus sentimentos...

 

Entrada #39

Olá...

 

 

Não conseguia escrever, a minha cabeça andava a mil, como sempre. Tenho andado preocupado, vou para o 11º ano e não sei o que quero para a minha vida. Aos 18 anos é costume mandar os rapazes órfãos para casas do campus da Universidade e ai de quem se atreve a dizer que não quer ir. Eu quero ir, mas não sei para que curso e hoje em dia o que tem mais sucesso é Engenharia de Mentes, mas eu não me interesso por codificar mentes de robots para que estes sejam cidadãos funcionais na sociedade.

Quem não quiser ir para a Universidade é automaticamente posto na rua e se não me decidir será esse o meu caminho. Um escanzelado como eu, sem qualquer atributo físico de qualidade, acabarei a trabalhar n'O Varão Saudável a servir cosmos na noite das dragmen, sim, porque aquele local tem especialidade em entretenimento para todos, heterossexuais e qualquer membro do grupo LGBTADDRNF (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Assexuais, Dragqueens, Dragmen, Robotxxx, Ninfos, Francisconas). Segundo o Director do Orfanato no tempo do avô dele era apenas LGBT, mas entretanto outros grupos se juntaram. Para mim é uma estupidez, cada um é como é, não deveria existir rótulos, até porque tenho amigos de todos os grupos.

Vou mas é dormir, tenho de estar pronto para as aulas e para rever os meus amigos.

 

6h59

Desde que colocaram uma cabra a berrar como despertador que consigo acordar um minuto antes de trazerem o animal. A cabra chama-se Fiona porque nasceu com um pequeno problema genético e metade do seu pêlo é verde. É o animal de estimação do Senhor Godofredo, que já cá trabalha há mais de 40 anos.

Uma festinha à Fiona, banho, pequeno-almoço e lá fui eu a caminho da escola com o Jaimi. O Liceu D. Pitéu fica a cinco minutos do orfanato e é uma boa escola. Somos obrigados a andar de farda, pelo menos uma camisa branca e umas calças escuras, porque o que calçamos é à nossa escolha. O nome do liceu, D. Pitéu e o nome da cidade, Pitéu, tem uma lenda que explica a sua origem.

Deixem-me contar-vos:

 

"Era uma vez,

um homem grande, muito grande chamado João. 

João vivia na aldeia de Runa e um dia percebeu que a sua vida precisava de um pouco de aventura.

Em busca de aventuras saiu João da sua aldeia indo parar a uma terra sem nome. Aí, João conheceu Matilde, por quem se apaixonou.

Matilde era treinadora de jibóias e lobos, e um dia naquela terra sem nome, uma jibóia e um lobo juntaram forças e comeram João que cortado a meio foi, para saciar ambos.

Nada previa este fim, mas diz a lenda que Matilde antes de matar os assassinos do seu amor, olhou nos olhos do lobo e da jibóia e viu que João tinha sido um pitéu para ambos. 

Enterrou-os e colocou a seguinte inscrição "Aqui jaz, quem comeu um pitéu"."

 

E assim ficou o nome. Acredito que tal história foi inventada, mesmo com a colocação de uma pedra no alto das escadas da escola e à entrada da cidade com essa mesma inscrição. Como é óbvio nesta cidade são todos muito preguiçosos para pesquisar a sua verdadeira origem.

Nada que atrapalhe os meus dias. 

Estavamos a chegar perto da escola e vimos a Fitipa ao portão. Assim que chegamos perto dela, ela apenas cumprimentou o Jaimi e ignorou-me totalmente. 

"Então, eu não sou gente?!", perguntei.

"Ah, olá. Nem te vi.", respondeu a Fitipa.

"Como assim não me viste? Estou literalmente à tua frente.", disse.

"Desculpa, não te vi. Vou ter com as raparigas, hoje começam os treinos da claque e eu quero manter-me informada.", disse a Fitipa, afastando-se de nós.

 

"Bem... Que foi aquilo?", perguntou o Jaimi.

"Não sei nem quero saber. Miúdas são demasiado complicadas. Vamos mas é para a sala.", disse.

Assim que chegamos à sala de aula, já lá estava o Storbot 5x5, o professor de história. Sempre gostei deste professor, que ao contrário do professor humano sabe mesmo como ensinar. A verdade é que nunca fui contra esta nova lei da substituição dos professores por robots, porque acho que houve melhorias significativas nas notas e no empenho dos alunos, afinal ninguém quer levar um choque eléctrico como castigo.

Quando já estávamos todos na sala e prontos para começar a aula, o Storbot 5x5 faz a introdução do dia...

"Bom dia classe de 2054! Bem-vindos a este novo ano lectivo. Para esta primeira aula vou apresentar-vos alguém que está aqui para vos dar uma palavra de cerca de três minutos. Após esse tempo iremos dar entrada na matéria deste ano lectivo. Apresento-vos sem demora o Doutor Camões Rato.".

E mesmo sem demoras entra um homem na sala de aula. Era o homem mais pequeno que já tinha visto e tinha um ar atrapalhado, confuso e um óculos quadrados que em nada beneficiavam o seu aspecto. Olhou para nós e disse...

"Bom dia. O meu nome é Dr. Rato e estou aqui a convite do director do liceu D. Pitéu..."

"Ninguém o convidou, apenas levou o director Guarda ao limite e ele foi obrigado a deixa-lo falar com pelo menos uma turma para que deixasse de o chatear.", interrompeu o Storbot 5x5. Os storbots tinha uma codificação de mente poderosa que vinha equipada com um detector de mentiras infalível.

"Quem convidou quem não é o importante neste momento. Gostaria apenas de dizer que estou à procura de um assistente para o meu website, "O Website Estranho" e nada melhor que mentes jovens e inteligentes para o trabalho. Por isso vou deixar um panfleto no placard da entrada com informações para as candidaturas ao lugar. Quem estiver interessado já sabe. Alguma dúvida?", perguntou o Dr. Rato.

"Não há tempo para dúvidas. Acabou os três minutos. Por favor dirija-se à saída da sala.", disse o Storbot 5x5, que levava as médias de tempo muito a sério.

"Claro! Já sabem, entrada, placard, informações e candidaturas para o Website Estranho...", disse o Dr. já de saída da sala.

 

Mal o Dr. saiu, o Storbot 5x5 começou a escrever no quadro informações sobre a nova matéria, mas eu fiquei distraído com aquilo que estava a ver pela janela. O Dr. Rato estava a passar um aparelho pelas paredes do edifício com uma máquina estranha e sempre que aquilo apitava ele registava tudo num caderno. Era sem dúvida uma figura bizarra e não parecia bater bem da cabeça.

Voltei a minha atenção para as aulas e aguentei o dia todo sem adormecer. A Fitipa mal falou comigo o dia todo e parecia chateada, algo que preciso de averiguar e o Jaimi foi para os treinos. Segui caminho sem antes passar no tal panfleto do Dr. Rato que era tão bizarro quanto ele.

Decidi ir até ao CPU para navegar um pouco na net e a caminho vi uma mulher aos gritos a ser expulsa do SuperPitéu e parecia ser estrangeira porque não percebia uma palavra do que ela dizia. A discussão estava acessa entre ela e o segurança e eu fiquei sossegado do outro lado da rua a ver se aquilo acalmava porque o CPU era ao lado do SuperPitéu.

A mulher calou-se e sacou do bolso uma máquina estranha, apontou para a cara do segurança que voltou para dentro do supermercado como se nada se tivesse passado. Eu achei aquilo tudo muito estranho, mas ignorei porque podia ser um dos dispositivos inventados pela Mente & Coisas Co., a empresa mais importante cá da cidade que fabricada todo o tipo de tecnologias.

O dono da empresa, Fizvaldo Pitéu é o pai da minha musa, Madonna e um dos homens mais temidos e poderosos da cidade.

 

Finalmente cheguei ao CPU, tirei uma senha, fui para o computador e abri o meu blog na esperança que o meu bloqueio de escritor estivesse resolvido após ter visto tanta coisa estranha durante o dia. Escolhi que ia escrever sobre o Dr. Rato e a mulher que comandou a mente do segurança, uma espécie de paródia. 

Assim que coloquei as mãos no teclado senti uma mão no meu ombro direito e quando me virei vi a mulher que discutia com o segurança...

"Olá. Tudo bem?", disse ela.

Afinal sempre fala a minha língua, pensei...

"Olá. Sim, tudo e consigo?", disse um pouco a medo.

"Também. Queria apenas saber se viste alguma coisa lá fora, em frente aquela loja, assim, estranha, antes de entrares aqui.", disse ela.

Eu percebi o que ela queria saber e para a coisa não ir muito longe disse...

"Não. Não vi nada. Vinha distraído a mexer no meu telemóvel. Porquê?".

"Por nada. Apenas podias ter visto algo, diferente.", insistiu a mulher.

"Não, nada diferente. Sou muito trapalhão e distraído, não vejo nada quando ando na rua.", expliquei.

Sem responder a mulher virou costas e saiu do CPU. Claro que modificou logo a minha ideia de escrever sobre o que vi e fez-me pensar se o que vi afinal foi algo de suspeito...

Estava com tantas coisas na cabeça que resolvi esquecer o assunto, pelo menos por enquanto, escrever no blog sobre o Dr. Rato e regressar ao orfanato.

Assim que cheguei fui tomar banho e pedi dispensa do jantar na sala comum e jantei na secretária do quarto alegando que tinha muito para estudar. Comi e fui para um dos meus locais favoritos do orfanato, o telhado, porque é um local sossegado onde tenho acesso a um céu estrelado e a um silêncio impagável. 

 

Lá pensei no dia que tinha passado, no porquê da Fitipa não me falar, a introdução da aula de história com aquele Dr. e naquela mulher que me fez sentir ameaçado.

Bom começo para quem queria um ano lectivo calmo...

 

 

CAPÍTULO III

 

O ÓRFÃO.jpg

 

 (Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o segundo capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

O ÓRFÃO . CAPÍTULO I

Bem-vindos ao primeiro capítulo da nova série aqui do blog, "O Órfão", uma espécie de introdução. Espero que gostem!

 

I

 

 

"Bem-vindos a Pitéu! Com uns quantos habitantes e agora TU!"

...é a primeira coisa que se vê quando entramos na minha cidade, Pitéu. Como tal indica ainda somos uns quantos habitantes, mas eu já não faço parte de tal comunidade.
Estou neste momento de viagem para um sítio novo, numa missão para encontrar o meu patrão e como nunca sei o que o desconhecido me prepara, decidi ler o diário da minha história, que se começou a "escrever" há um ano atrás...

 

 

Há um ano atrás...

Oi? Olá?! Ya, eu sou o Bartolomeu, Bartolomeu Querido, mas Barry é como gosto que me tratem.

Vivo no orfanato "Leve 2 Pague 1" desde que me lembro de ser gente e sempre passei despercebido, tão despercebido que nunca ninguém me quis adoptar e eu passei por diversas casas de acolhimento.

Nunca me hei-de esquecer dos Sr. e Sra. Galdino que me queriam alimentar apenas com sementes até perceberem que adoptaram uma criança e não uma galinha ou os Donuts, a família, não os bolos, que se esqueciam de mim cada vez que íamos comprar pacotes de açúcar pequeninos a uns amigos estranhos deles. Nunca tive muita sorte nisso da família e agora vejo-me com 16 anos, a viver num orfanato que oferece melhores promoções que o SuperPitéu, o supermercado mais agitado da cidade.

Hoje é o último dia das férias de Verão e eu estava desejoso por voltar às aulas. A minha escola, Liceu D. Pitéu, era muito moderna, os professores foram substituídos por robots, ou como nós os chamamos Storbots, tinha um bom grupo de amigos, considerava-me um rapaz popular e posso dizer que as aulas eram do outro mundo. 

Mesmo com isto tudo na minha vida sempre senti que não pertencia a esta era de mega tecnologias e a esta cidade, onde muitos dos seus habitantes tinham problemas com os meninos do orfanato.

 

Falando tudo isto a cidade de Pitéu parece um bom local para viver, mas uma crise tinha acabado de chegar à cidade e por isso mesmo muitos dos negócios locais tiveram de fazer parcerias e dividir o espaço comercial para conseguirem continuar em funcionamento.

A cantina do liceu era um desses negócios que ficou afectado com a crise e teve de se unir ao clube de strip "O Varão", logo de dia funcionava como cantina e alimentava os alunos do liceu e há noite era um clube de strip. Para comemorar a parceria mudaram o nome do estabelecimento para ser mais facilmente reconhecido, chama-se agora "O Varão Saudável".

Os negócios que mais sofreram foram o Café Virtual, onde íamos para usar os computadores e tablets para socializar uns com os outros, o Centro de Depilação e a Frutaria, que tiveram de se juntar os três e agora o estabelecimento chama-se "C.P.U."(Cera, Portáteis e Uvas). Sou cliente assíduo do C.P.U. e eles conseguem safar-se com um bom esquema, aquecem a cera nos cpu dos computadores e muita gente aproveita um snack saudável enquanto navega na internet.

Mas mais para a frente falarei sobre outros detalhes desta minha cidade.

 

Eu tenho dois amigos que não trocava por nada deste mundo, o Jaimi Hernandi e a Fitipa Gorda. O Jaimi vivia comigo no orfanato e foi abandonado pelos pais aos cinco anos de idade porque não conseguia controlar o vício de cheirar o dedo grande do pé, algo que hoje em dia está bastante controlado e a Fitipa conheço desde a escola primária, a pobre coitada tem um pai que é vesgo e quando a foi registar em vez de Filipa, escreveu Fitipa, mas ela compensa essa "falha" com os seus conhecimentos de hacker activista. A sua última proeza foi entrar no site dos produtores de bombocas de mentol e conseguir que entregassem um carregamento antes da data prevista no SuperPitéu.

Somos boa gente e na escola todos nos conhecem, o escritor, o desportista e a hacker. Sim, considero-me um escritor, pois tenho um blog onde posto diariamente chamado "O Órfão" e escrevo sobre as pessoas da cidade, novidades, textos e poemas.

Ainda hoje escrevi um pequeno poema para colocar on-line...

 

Chatos

"Mesmo sabendo para onde olhas

A minha alma a ti te quer impressionar

E mesmo com todas aquelas molhas

O guarda-chuva continuo a guardar

 

Os teus olhos olham para o além

Perseguindo todos os matos

Mas na esperança de um amém

Rezo para não ter chatos"

 

Ainda sou um pouco amador e como devem ter reparado, um apaixonado. Sou apaixonado pela Madonna Pitéu, neta do fundador desta cidade, com nome inspirado numa deusa da música que teima em não morrer e de pele lisa, sem entulhos nos poros. Ela anda na minha turma e namora com o Diana, o jogador número um de pinball lá da equipa da escola, um bom rapaz. Mesmo sabendo que não tenho hipóteses com ela, sonho com ela todos os dias, onde estou semi-nu, deitado num prado verde a recitar os meus poemas com um guitarlele.

 

Bem, mais vale apressar-me porque hoje há jantar de despedida das férias e amanhã é dia de aulas. Só peço para não levar com brilhantes no arroz, porque depois de três meses onde o clube de strip funcionou mais do que a cantina, surpresas serão encontradas no menu...

 

 

CAPÍTULO II

O ÓRFÃO.jpg

 

 (Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o primeiro capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

O Sítio . Capítulo XX

CAPÍTULO XX

 

Este capítulo será o último que irei colocar aqui no blog, porque "O Sítio" irá seguir um caminho diferente, irá sair em livro no final do próximo ano. A mesma história, mais detalhes e mais mistérios. Espero que tenham gostado destes vinte capítulos e desta história que não irá acabar aqui.

Para que este meu cantinho não fique sem um pouco de ficção, irei apresentar na próxima semana a nova série que irá fazer parte dos posts semanais. Sem mais demoras, apresento então o último capítulo d'O Sítio, aqui no blog.

 

 

CAPÍTULO, O VIGÉSIMO

 

 

 

A Ema, o Vasco e o Hugo já tinham terminado uma lista gigante de possíveis suspeitos, o Barry trouxe o manuscrito com alguns documentos para tentarmos descobrir o código da cria e eu e o Tobias tínhamos a ideia de um plano para invadir a O.P.I.M..

Por isso parece mesmo que este nosso grupo de amadores, ou S.A.I.D.A.S. como diz o Hugo, vai mesmo cometer suicídio conjunto.

 

Podíamos ter um plano e as coisas pareciam estar a andar para a frente, mas eu estava nervosa. No fundo não passávamos de um bando de adolescentes a tentar invadir uma base secreta de uma organização de força quase militar. 

Mesmo com tudo isto o meu nervosismo estava também ligado ao beijo que o Tobias me deu. Ele fez tanta porcaria nos últimos tempos e deixou-me de pé atrás com isto tudo, que fará se eu misturar sentimentos mais íntimos... Preciso de o tirar da cabeça.

"Jessyca, concordas?", perguntou o Hugo.

"Ah? Não estava a ouvir, desculpa. Concordo com o quê?", perguntei.

"Antes de irmos ao ataque da O.P.I.M. devíamos ir dar uma volta pelo Sítio para tentar identificar outros que tenham a tatuagem de ovo rachado, para diminuir a nossa lista. Dividimo-nos em três grupos de dois e procurávamos em diferentes locais onde a malta da nossa idade se encontra.", explicou o Hugo.

"Boa ideia, sim. Mas não podemos adiar muito o assalto à O.P.I.M.", disse.

"Vamos agora durante o dia procurar potenciais jovens com as tatuagens de ovo rachado e vamos depois do jantar para a O.P.I.M. porque durante a noite não tem tantos agentes e conseguimos fugir melhor. Se nos conseguirmos safar pensamos em decifrar os códigos da cria com a ajuda de quem mais interessa aqui, o Rato e a Maionese", disse o Tobias.

"Concordo! Excelente ideia. Vamos então sair e procurar possíveis não-crias.", disse.

"Ou sortudos!", rematou o Barry.

 

Fizemos três grupos de dois com papéis retirados de uma tigela e nem de propósito fiquei com o Tobias para ir para o parque, o Barry ficou com o Hugo e foram para o café do Xavier e o Vasco com a Ema que ficaram com a biblioteca e sala de estudo.

No parque estavam vários grupos e como ainda estava tempo quente, vestiam pouca roupa, logo podíamos ver bem o pulso de cada um. Levei um bloco de notas e fui apontando os nomes para depois retirar da lista.

  • Gaspar Costelo
  • Branca Fisga
  • Edgar Ganso
  • Tatiana Tavira
  • Miguel Ião
  • Viviana Guarda

Cerca de dez pessoas não tinham tatuagem nenhuma, logo entravam na lista de possíveis crias. Mais à frente no parque reparei que um palco estava montado com um cartaz que anunciava o concerto dos Pingos Soltos, que estavam nesse preciso momento a fazer o sound-check.

Decidimos sentar-nos um pouco e apenas ficamos calados a ouvir a música "Levitar um Porco no Churrasco", uma balada da banda...

 

"Às vezes não sei o que te dizer

Às vezes só fico apenas a olhar

Porque mesmo sentindo demais

Preciso deixar-te ir

 

Eu não sei como te prender

Eu não sei se tu vais ficar

Eu só sei que tu não vais ver

Quando eu levitar um porco no churrasco

No churraaasco, no churraaaasco..."

 

De repente o Tobias olha para mim e eu sabia que ia ser um pouco impossível não falar sobre o que nos aconteceu...

"Tu estás chateada comigo?", perguntou.

"Não. Apenas fiquei um pouco em choque e sinceramente preferia não falar do que aconteceu.", disse.

"Quando podemos falar?", perguntou o Tobias.

"Quando isto tudo estiver resolvido. Porque nós precisamos de estar focados no assalto à O.P.I.M..", disse.

"Combinado. Devíamos ir ter com os outros porque esta música está a fazer-me sangrar dos ouvidos.", disse o Tobias.

Fiquei desagradada com aquela afirmação porque eu adorava esta música, mas ele é estranho e eu não quero pensar nos gostos dele ou nele no geral.

 

Fomos ter com os outros à garagem e em conjunto conseguimos quarenta e seis nomes de pessoas com a tatuagem de ovo rachado que provavelmente nem sabiam porque tinham tal desenho no pulso.

"A Carolina Banana estava de camisola de manga comprida e não conseguimos ver se tinha tatuagem. Ainda lhe perguntamos as horas, mas ela nem respondeu.", disse o Hugo.

"Mas ela supostamente foi raptada. Se fosse a cria a Princesa Maionese tinha descoberto, parado com a busca e não tínhamos ido tão longe.", disse o Tobias.

"Então porque raio estava toda tapada num dia em que estão 39º?", perguntei.

"Não podemos agora perder tempo com isso. Temos de nos preparar para o assalto.", disse a Ema e com razão.

 

Vestimos roupas pretas, preparamos lanternas, o Tobias foi para a O.P.I.M. e ficou combinado que às 21h ele desligava a electricidade e lançava uma granada de fumo na sala principal para ser criada uma emergência que destrancasse a porta das traseiras e fizesse com que todos os agentes fossem para a sala. Tínhamos até às 21h03 para entrar, seguir para as salas de detenção, colocar o código "4391" na porta das celas, retirar a Princesa Maionese e o Dr. Rato e sair pela porta das traseiras.

Estava tudo pronto, eram 20h50 e estávamos à espera do sinal do Tobias...

"Desde que quase matei a minha avó quando me assumi gay que não tinha tanta adrenalina no meu corpo.", sussurrou o Hugo.

"Hugo, não é o momento apropriado.", disse a Ema.

"Calem-se, está quase na hora.", disse.

Mal acabei de falar recebo uma mensagem do Tobias para irmos para a porta das traseiras e assim que lá chegamos ouvimos uma sirene e as portas destrancaram-se automaticamente.

Entramos a correr e ainda vimos um último agente a dirigir-se para a sala principal. Continuamos caminho e a Ema abriu a porta que dava acesso ao túnel das celas.

Chegamos à primeira cela e com o código que o Tobias nos deu abrimos a porta e para surpresa nossa, estava vazia. Seguimos para a outra cela que vazia estava. Não percebemos o que se estava a passar e o Tobias entretanto já se tinha reunido connosco para nos ajudar por isso decidimos entrar numa das celas para procurar por pistas. Assim que entramos todos, uma porta de vidro cai e forma uma barreira nas nossas traseiras.

Tentamos sair de todas as maneiras, mas nada. Ouvimos um barulho e de repente um vulto aproxima-se da porta de vidro... era o Capitão Douradinho Tio Viagem.

"Que grupinho que eu aqui tenho e que desilusão ver que te juntaste aos fracos, Tobias.", disse o Capitão.

"Tira-nos daqui! Nós só viemos salvar o Dr. Rato e a Princesa Maionese que tu ilegalmente prendeste!", respondeu o Tobias.

"Eles são uma ameaça para nós, humanos.", disse o Capitão.

"Vocês querem encontrar a cria para a usar como uma arma!", disse.

"Sim! E nós até temos uma lista de suspeitos que nunca iremos entregar. São cerca de cento e tal pessoas, mas nós vamos conseguir diminui-la porque há certas pessoas aqui na população do Sítio que até podem parecer aliens por certas atitudes, como o Joaquim da Ramada que anda a recolher assinaturas para poder casar com uma boca de incêndio, mas ...", disse o Hugo quando o interrompi, porque ele quando fica nervoso, perde o filtro e a inteligência.

"Uma lista de cento e tal? Ena, tantos. Pois, eu também tenho a minha lista e é bem mais pequena.", disse o Capitão.

"Tem?! Como? Quem está nessa lista?", perguntei.

"Boa pergunta Jessyca! Eu não tinha essa lista até agora. Mas a partir do momento em que esta porta de vidro se fechou e vocês ficaram aí dentro, a minha lista tem agora apenas seis suspeitos. Porque ambas as celas foram programadas para reconhecer os traços genéticos da cria e assim que ela coloca-se um pé aí dentro, automaticamente a cela fechava-se.", explicou o Capitão.

"Está a querer dizer?...", disse.

O Capitão fez uma pausa, olhou para mim e disse...

 

"Sim Jessyca, um de vocês é a cria!"

 

 

E este é o fim da série "O Sítio" aqui no blog! A história completa com mais detalhes, mas mistérios e a revelação da verdadeira identidade da cria irão ser divulgados em livro, que irá ser lançado daqui a um ano.

A nova série que irá substituir "O Sítio", irá ser um spin-off sobre uma das suas personagens que será apresentado na próxima semana. Espero que tenham gostado!

 

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