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A Hipster Chique

humor . coisas . nerd . fluente em klingon . criativa - ish . comics . opinião

A Hipster Chique

humor . coisas . nerd . fluente em klingon . criativa - ish . comics . opinião

O ÓRFÃO . CAPÍTULO V

CAPÍTULO IV

 

 

 

V

 

 

Assim que me preparava para deitar recebo uma notificação de que alguém comentou a minha resposta no blog e quando abri a notificação não queria acreditar no que estava a ler...

 

"Ue uos aleuqa euq ut oãn sereuq rebas. Eceuqse o euq etsiv. Et-arbmel od euqot on orbmo"

 

Mais uma vez, com a ajuda do espelho consegui decifrar a mensagem, "eU sou aquela que tu não queres saber. esquecE o que viste. lembra-tE do toque no ombro." e não fiquei com dúvidas. As mensagens tinham de vir da mulher porque eu não contei ao Dr. Rato sobre o encontro de terceiro grau que tivemos com aquele toque no ombro.

Não percebi como é que ela descobriu o meu blog e muito menos como sabia que eu andava a tentar saber mais sobre ela. A verdade é que toda a minha vida me senti atraído por coisas do oculto e mistérios, mas talvez devesse ter ficado quieto em relação a este assunto.

Tinha a cabeça a mil e começava a sentir-me um pouco tonto, logo fui dormir para ver se aliviava a pressão de estar a ter mais confusões do que aquelas que tinha antecipado.

 

O acordar não foi o melhor que tive, mal comi ao pequeno-almoço e no duche, até uma vassoura conseguia ter mais vida que eu. Estava calado e pensativo e enquanto percorria o caminho do orfanato até à escola apercebi-me que estava sozinho, não fisicamente, mas na vida. Afastei os meus únicos amigos, não me conseguia enquadrar em nenhum grupo da escola e a verdade é que os meus melhores momentos foram vividos na solidão.

Quando cheguei à escola, a Fitipa e o Jaimi já nem escondiam mais que estavam juntos e muito menos pararam com a fornicação bocal para me dizer bom dia e eu sei que a Fitipa viu-me a chegar.

Segui para as aulas e reparei mais uma vez na ausência da Madonna, mas não ia voltar à moradia dos Pitéu principalmente porque estava com medo de ver a mulher misteriosa outra vez e o Dr. Fizvaldo Pitéu não contribuía para que o meu medo diminuísse.

Ao tirar os meus livros da mochila, um papel desconhecido caiu ao chão e a primeira coisa que reparei foi no símbolo que estava desenhado nas costas do papel que era do WebSite Estranho do Dr. Rato.

Peguei no papel e o seu conteúdo foi sem dúvida, surpreendente, para não dizer macabro...

 

"Olá Barry,

Sou eu, o Dr. Rato e não te queria assustar ou intimidar no nosso encontro de ontem mas tu foste o único jovem dessa coisa chamada escola que apareceu por cá e eu estou mesmo a precisar de um assistente. Compreendo que não queiras o tão prestigiado lugar e mesmo assim vou ajudar-te, um pouco.

Eu sei quem é a mulher que descreveste e posso falar-te mais dela, mas tem de ser num local neutro como o meu escritório depois das tuas aulas. Após te contar a história, talvez mudes a tua opinião em relação a seres meu assistente e entres na causa.

Abraço,

Dr. Rato"

 

Assim que li aquilo pensei que realmente estava a lidar com um maluco, mas a verdade é que não tinha muito a perder e neste momento acho que só a assistente virtual do meu computador me dá conversa, a Floriana.

Dizem ser a bisneta da ex-assistente oficial da marca Apple, Siri e Cortana, ex-assistente da Microsoft que após uma relação proibida e muitas horas de coding criaram a avó da Floriana. Uma história de amor que tenho de desenvolver no meu blog porque os meus leitores já estão a precisar de algo diferente.

As aulas passaram rápido e eu não prestei atenção a nada do que se falou e consegui ser libertado da aula de educação física porque disse que estava com o período. Sim, uma falha nos sistemas dos Storbots faz com que o seu software não consiga distinguir rapazes de raparigas e por isso a desculpa do período virou rotina para todos os sexos.

 

Quando estava prestes a sair da escola, ouço a Fitipa...

"Barry!", gritou ela.

"Ei, Fitipa. Tudo bem?", perguntei.

"Ei, sim e contigo? Já sei que o Jaimi te contou a verdade e nós não queremos estar chateados contigo e acho que devemos tentar voltar a ser o trio com mais fama aqui da escola. Que dizes?", disse a Fitipa.

"Eu estou bem. Ainda bem, eu também não quero estar chateado com vocês e estou aberto para uma nova tentativa... de amizade. Não aberto para outras coisas.", disse com necessidade de me enfiar num buraco...

"Claro! Amizade. Nós vamos agora ao CPU, vens?", perguntou a Fitipa.

"Agora? Não me dava muito jeito.", respondi.

"Porquê? Anda lá, que tens assim de tão importante para fazer?", insistiu a Fitipa.

"Tenho de ir a um sítio...", eu não queria dizer onde ia e preferia guardar segredo em relação à mulher misteriosa.

"Onde?", continuou a Fitipa.

"Um sítio, F.  Mas eu depois vejo se posso ir lá ter...", disse.

"Nem te incomodes... Já percebi Bar, se não estás disposto a fazer um esforço porque raio havemos nós de o fazer. Tu continuas com os teus segredos e com a tua vida misteriosa. Ainda vais acabar sozinho. Adeus.", disse a Fitipa com ar de quem tinha feito desta nossa conversa, a última que iríamos ter. Eu não consegui dizer uma palavra, apenas fiquei ali parado enquanto ela virava as costas.

Suspirei e pensei que talvez ela tivesse razão, o meu destino era estar e ficar sozinho. 

 

Sem mais demoras e colocando os sentimentos de lado fui em direcção à casa do Dr. Rato para finalmente ter a minha resposta. Quando lá cheguei passei pelo mesmo que da última vez... toquei à campainha e lá veio a "senhora" mãe do Dr. Rato que me mandou ir para o ilustre escritório do mesmo, a cave.

Bati à porta e com a autorização devida entrei. Lá dentro estava o Dr. Rato nos seus quatro computadores e vários quadros brancos com fotografias, mapas e alguns rabiscos numa língua que eu desconhecia...

"É xhosa.", disse o Doutor.

"Santinho?!", respondi.

"Não, a língua que estás a ver nesses quadros chama-se xhosa, é uma língua da África do Sul.", disse o Doutor.

"Ah bom... porque não português?", perguntei.

"Porque assim ninguém descobre os meus segredos, mesmo que seja apanhado. Poucas pessoas conhecem essa língua e assim fico com vantagem cultural.", explicou.

"Pois pois, claro. Vantagem cultural e desvantagem mental...", disse completamente chocado com a loucura que o homem demonstrava.

"Gozas agora, um dia vais ver como é necessária ter vantagem cultural sobre certas pessoas.", disse o Doutor.

"Está bem, mas não estou aqui para isso. Vi o papel que me colocou na mochila, estou aqui porque quero saber quem é a mulher e já nem vou questionar a forma como conseguiu colocar o papel dentro da mochila.", disse.

"Simples, disfarcei-me de estudante e coloquei quando estavas na fila para entrar para a escola. Mas vamos ao que interessa, a mulher mistério...", começou o Dr. Rato.

"Sim, a mulher a mistério... quem é ela? O que anda aqui a fazer e como raio desapareceu do nada enquanto eu a perseguia.", perguntei eu impaciente.

"Vejo que estás sem paciência por isso vou directo ao assunto. A mulher que tens visto chama-se Princesa Maionese, é uma alien e tem sido avistada em outros locais do mundo fazendo aparições estranhas para o comum mortal. A sua missão na Terra é descobrir a sua cria que lhe foi roubada há cerca de quinze anos e enviada para este planeta pelos seus pais, os Reis do planeta dos Molhos da Via do Leite Achocolatado que não concordavam com o seu romance com um Príncipe de uma galáxia distante. Pitéu é só mais uma das suas paragens e eu tenho tentado entrar em contacto com ela, mas não consigo...", explicou o Dr. Rato.

Eu fiquei parado a olhar para o homem, completamente em estado de choque e a única coisa que me saiu foi uma gargalhada de todo o tamanho e um sentimento de estupidez porque tinha acabado de trocar uma tarde de diversão com os meus agora ex-amigos por uma reunião com um homem que precisava de internamento rápido num hospício.

"Achas piada? É um assunto sério. A Princesa tem poderes que podem destruir esta cidade.", continuou o Dr. e continuei eu a rir.

Assim que recuperei o folgo, tive de falar uma última vez...

"Uau, lá imaginação tem você. Eu vou-me embora e obrigada por me fazer rir, porque no fundo o senhor é mesmo uma piada...", disse enquanto me dirigia para a porta, saindo para a rua.

Ainda fiquei uns minutos à porta da casa do Doutor Rato antes de me pôr a caminho do orfanato.

 

Assim que cheguei ao portão vi um vulto na esquina do edifício que se escondeu quando reparou que eu o tinha visto. Curioso como sou, decidi ir na sua direcção e assim que virei a esquina uma luz azul faz-me fechar os olhos e assim que os abro dou comigo numa sala preta com luzes azuis fluorescentes e duas cadeiras brancas no centro. Procuro janelas, portas ou outra saída qualquer e já em pânico começo a bater nas paredes aos gritos sem perceber como tinha ido ali parar. Ainda pensei que o Doutor me tinha drogado com algum tipo de pó ou gás, mas esse meu pensamento foi interrompido...

"Bem-vindo Bartolomeu.", era a mulher misteriosa.

"Você?! Onde é que eu estou? Como é que fez isto?", perguntei em pânico.

"Calma meu rapaz. Não estou aqui para te fazer mal. Estou aqui apenas para te alertar, uma vez mais, que pares de andar à procura de informações sobre mim!", disse a mulher.

"Eu só fiquei curioso e queria saber quem era. Afinal desapareceu na frente dos meus olhos e teve comportamentos estranhos em locais públicos da cidade...", disse.

"Claro, compreendo que os jovens sejam curiosos. Como és bom rapaz, digo-te apenas aquilo que precisas saber, o meu nome... Maionese. Não quero magoar ninguém e estou aqui de passagem. Só quero que me prometas que vais parar de andar atrás de informações sobre a minha pessoa.", insistia a mulher.

"Maionese?!...", questionei lembrando-me da história do Dr. Rato.

"Sim. Já ouviste falar de mim?", perguntou.

"Eu? Não... quer dizer, sim... Apenas para pôr em saladas. Eu só quero sair daqui, por isso sim, prometo que não irei procurar mais informações sobre si. Parei.", disse perante o olhar confuso da mulher.

"Ok. Promessa arquivada e eu levo-as muito a sério, por isso se falhares eu estarei de volta para uma conversa não tão amigável.", ameaçou a mulher e imediatamente a mesma luz azul bloqueia-me a visão e vejo-me sentado no relvado do jardim do orfanato.

 

"Não pode ser. Aquele maluco não pode ter razão!", pensei para mim mesmo. Isto estava a tornar-se demasiado bizarro, mas se alguém me podia ajudar com coisas bizarras e estranhas era sem dúvida o Rato. Peguei no meu telemóvel e no papel com as informações do homem e enviei uma mensagem.

"Precisamos falar! Ass: Barry"

 

A resposta não tardou...

"Não, obrigado. Acabaram as visitas à piada da zona."

 

Eu sabia que perante tal birra, só uma coisa o faria ajudar-me. Respondi...

"Por favor. Eu aceito a posição de assistente e prometo que não gozo mais."

 

Olhei para o portão do orfanato e lá vi o Jaimi com a Fitipa e mais dois rapazes, provavelmente dois novos amigos e percebi que os tinha perdido e que não podia inclui-los nesta loucura principalmente porque nunca iriam acreditar em mim. O meu telemóvel tocou e depois de ler a mensagem eu sabia que já não havia volta a dar...

 

"Bartolomeu Querido, sê bem-vindo ao mundo Estranho. Mãos á obra!"

 

 

CAPÍTULO VI

 

O ÓRFÃO.jpg

 

 (Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o quinto capítulo. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

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