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A Hipster Chique

humor . coisas . nerd . fluente em klingon . criativa - ish . comics . opinião

A Hipster Chique

humor . coisas . nerd . fluente em klingon . criativa - ish . comics . opinião

07
Dez17

O ÓRFÃO . CAPÍTULO V

A Hipster Chique

CAPÍTULO IV

 

 

 

V

 

 

Assim que me preparava para deitar recebo uma notificação de que alguém comentou a minha resposta no blog e quando abri a notificação não queria acreditar no que estava a ler...

 

"Ue uos aleuqa euq ut oãn sereuq rebas. Eceuqse o euq etsiv. Et-arbmel od euqot on orbmo"

 

Mais uma vez, com a ajuda do espelho consegui decifrar a mensagem, "eU sou aquela que tu não queres saber. esquecE o que viste. lembra-tE do toque no ombro." e não fiquei com dúvidas. As mensagens tinham de vir da mulher porque eu não contei ao Dr. Rato sobre o encontro de terceiro grau que tivemos com aquele toque no ombro.

Não percebi como é que ela descobriu o meu blog e muito menos como sabia que eu andava a tentar saber mais sobre ela. A verdade é que toda a minha vida me senti atraído por coisas do oculto e mistérios, mas talvez devesse ter ficado quieto em relação a este assunto.

Tinha a cabeça a mil e começava a sentir-me um pouco tonto, logo fui dormir para ver se aliviava a pressão de estar a ter mais confusões do que aquelas que tinha antecipado.

 

O acordar não foi o melhor que tive, mal comi ao pequeno-almoço e no duche, até uma vassoura conseguia ter mais vida que eu. Estava calado e pensativo e enquanto percorria o caminho do orfanato até à escola apercebi-me que estava sozinho, não fisicamente, mas na vida. Afastei os meus únicos amigos, não me conseguia enquadrar em nenhum grupo da escola e a verdade é que os meus melhores momentos foram vividos na solidão.

Quando cheguei à escola, a Fitipa e o Jaimi já nem escondiam mais que estavam juntos e muito menos pararam com a fornicação bocal para me dizer bom dia e eu sei que a Fitipa viu-me a chegar.

Segui para as aulas e reparei mais uma vez na ausência da Madonna, mas não ia voltar à moradia dos Pitéu principalmente porque estava com medo de ver a mulher misteriosa outra vez e o Dr. Fizvaldo Pitéu não contribuía para que o meu medo diminuísse.

Ao tirar os meus livros da mochila, um papel desconhecido caiu ao chão e a primeira coisa que reparei foi no símbolo que estava desenhado nas costas do papel que era do WebSite Estranho do Dr. Rato.

Peguei no papel e o seu conteúdo foi sem dúvida, surpreendente, para não dizer macabro...

 

"Olá Barry,

Sou eu, o Dr. Rato e não te queria assustar ou intimidar no nosso encontro de ontem mas tu foste o único jovem dessa coisa chamada escola que apareceu por cá e eu estou mesmo a precisar de um assistente. Compreendo que não queiras o tão prestigiado lugar e mesmo assim vou ajudar-te, um pouco.

Eu sei quem é a mulher que descreveste e posso falar-te mais dela, mas tem de ser num local neutro como o meu escritório depois das tuas aulas. Após te contar a história, talvez mudes a tua opinião em relação a seres meu assistente e entres na causa.

Abraço,

Dr. Rato"

 

Assim que li aquilo pensei que realmente estava a lidar com um maluco, mas a verdade é que não tinha muito a perder e neste momento acho que só a assistente virtual do meu computador me dá conversa, a Floriana.

Dizem ser a bisneta da ex-assistente oficial da marca Apple, Siri e Cortana, ex-assistente da Microsoft que após uma relação proibida e muitas horas de coding criaram a avó da Floriana. Uma história de amor que tenho de desenvolver no meu blog porque os meus leitores já estão a precisar de algo diferente.

As aulas passaram rápido e eu não prestei atenção a nada do que se falou e consegui ser libertado da aula de educação física porque disse que estava com o período. Sim, uma falha nos sistemas dos Storbots faz com que o seu software não consiga distinguir rapazes de raparigas e por isso a desculpa do período virou rotina para todos os sexos.

 

Quando estava prestes a sair da escola, ouço a Fitipa...

"Barry!", gritou ela.

"Ei, Fitipa. Tudo bem?", perguntei.

"Ei, sim e contigo? Já sei que o Jaimi te contou a verdade e nós não queremos estar chateados contigo e acho que devemos tentar voltar a ser o trio com mais fama aqui da escola. Que dizes?", disse a Fitipa.

"Eu estou bem. Ainda bem, eu também não quero estar chateado com vocês e estou aberto para uma nova tentativa... de amizade. Não aberto para outras coisas.", disse com necessidade de me enfiar num buraco...

"Claro! Amizade. Nós vamos agora ao CPU, vens?", perguntou a Fitipa.

"Agora? Não me dava muito jeito.", respondi.

"Porquê? Anda lá, que tens assim de tão importante para fazer?", insistiu a Fitipa.

"Tenho de ir a um sítio...", eu não queria dizer onde ia e preferia guardar segredo em relação à mulher misteriosa.

"Onde?", continuou a Fitipa.

"Um sítio, F.  Mas eu depois vejo se posso ir lá ter...", disse.

"Nem te incomodes... Já percebi Bar, se não estás disposto a fazer um esforço porque raio havemos nós de o fazer. Tu continuas com os teus segredos e com a tua vida misteriosa. Ainda vais acabar sozinho. Adeus.", disse a Fitipa com ar de quem tinha feito desta nossa conversa, a última que iríamos ter. Eu não consegui dizer uma palavra, apenas fiquei ali parado enquanto ela virava as costas.

Suspirei e pensei que talvez ela tivesse razão, o meu destino era estar e ficar sozinho. 

 

Sem mais demoras e colocando os sentimentos de lado fui em direcção à casa do Dr. Rato para finalmente ter a minha resposta. Quando lá cheguei passei pelo mesmo que da última vez... toquei à campainha e lá veio a "senhora" mãe do Dr. Rato que me mandou ir para o ilustre escritório do mesmo, a cave.

Bati à porta e com a autorização devida entrei. Lá dentro estava o Dr. Rato nos seus quatro computadores e vários quadros brancos com fotografias, mapas e alguns rabiscos numa língua que eu desconhecia...

"É xhosa.", disse o Doutor.

"Santinho?!", respondi.

"Não, a língua que estás a ver nesses quadros chama-se xhosa, é uma língua da África do Sul.", disse o Doutor.

"Ah bom... porque não português?", perguntei.

"Porque assim ninguém descobre os meus segredos, mesmo que seja apanhado. Poucas pessoas conhecem essa língua e assim fico com vantagem cultural.", explicou.

"Pois pois, claro. Vantagem cultural e desvantagem mental...", disse completamente chocado com a loucura que o homem demonstrava.

"Gozas agora, um dia vais ver como é necessária ter vantagem cultural sobre certas pessoas.", disse o Doutor.

"Está bem, mas não estou aqui para isso. Vi o papel que me colocou na mochila, estou aqui porque quero saber quem é a mulher e já nem vou questionar a forma como conseguiu colocar o papel dentro da mochila.", disse.

"Simples, disfarcei-me de estudante e coloquei quando estavas na fila para entrar para a escola. Mas vamos ao que interessa, a mulher mistério...", começou o Dr. Rato.

"Sim, a mulher a mistério... quem é ela? O que anda aqui a fazer e como raio desapareceu do nada enquanto eu a perseguia.", perguntei eu impaciente.

"Vejo que estás sem paciência por isso vou directo ao assunto. A mulher que tens visto chama-se Princesa Maionese, é uma alien e tem sido avistada em outros locais do mundo fazendo aparições estranhas para o comum mortal. A sua missão na Terra é descobrir a sua cria que lhe foi roubada há cerca de quinze anos e enviada para este planeta pelos seus pais, os Reis do planeta dos Molhos da Via do Leite Achocolatado que não concordavam com o seu romance com um Príncipe de uma galáxia distante. Pitéu é só mais uma das suas paragens e eu tenho tentado entrar em contacto com ela, mas não consigo...", explicou o Dr. Rato.

Eu fiquei parado a olhar para o homem, completamente em estado de choque e a única coisa que me saiu foi uma gargalhada de todo o tamanho e um sentimento de estupidez porque tinha acabado de trocar uma tarde de diversão com os meus agora ex-amigos por uma reunião com um homem que precisava de internamento rápido num hospício.

"Achas piada? É um assunto sério. A Princesa tem poderes que podem destruir esta cidade.", continuou o Dr. e continuei eu a rir.

Assim que recuperei o folgo, tive de falar uma última vez...

"Uau, lá imaginação tem você. Eu vou-me embora e obrigada por me fazer rir, porque no fundo o senhor é mesmo uma piada...", disse enquanto me dirigia para a porta, saindo para a rua.

Ainda fiquei uns minutos à porta da casa do Doutor Rato antes de me pôr a caminho do orfanato.

 

Assim que cheguei ao portão vi um vulto na esquina do edifício que se escondeu quando reparou que eu o tinha visto. Curioso como sou, decidi ir na sua direcção e assim que virei a esquina uma luz azul faz-me fechar os olhos e assim que os abro dou comigo numa sala preta com luzes azuis fluorescentes e duas cadeiras brancas no centro. Procuro janelas, portas ou outra saída qualquer e já em pânico começo a bater nas paredes aos gritos sem perceber como tinha ido ali parar. Ainda pensei que o Doutor me tinha drogado com algum tipo de pó ou gás, mas esse meu pensamento foi interrompido...

"Bem-vindo Bartolomeu.", era a mulher misteriosa.

"Você?! Onde é que eu estou? Como é que fez isto?", perguntei em pânico.

"Calma meu rapaz. Não estou aqui para te fazer mal. Estou aqui apenas para te alertar, uma vez mais, que pares de andar à procura de informações sobre mim!", disse a mulher.

"Eu só fiquei curioso e queria saber quem era. Afinal desapareceu na frente dos meus olhos e teve comportamentos estranhos em locais públicos da cidade...", disse.

"Claro, compreendo que os jovens sejam curiosos. Como és bom rapaz, digo-te apenas aquilo que precisas saber, o meu nome... Maionese. Não quero magoar ninguém e estou aqui de passagem. Só quero que me prometas que vais parar de andar atrás de informações sobre a minha pessoa.", insistia a mulher.

"Maionese?!...", questionei lembrando-me da história do Dr. Rato.

"Sim. Já ouviste falar de mim?", perguntou.

"Eu? Não... quer dizer, sim... Apenas para pôr em saladas. Eu só quero sair daqui, por isso sim, prometo que não irei procurar mais informações sobre si. Parei.", disse perante o olhar confuso da mulher.

"Ok. Promessa arquivada e eu levo-as muito a sério, por isso se falhares eu estarei de volta para uma conversa não tão amigável.", ameaçou a mulher e imediatamente a mesma luz azul bloqueia-me a visão e vejo-me sentado no relvado do jardim do orfanato.

 

"Não pode ser. Aquele maluco não pode ter razão!", pensei para mim mesmo. Isto estava a tornar-se demasiado bizarro, mas se alguém me podia ajudar com coisas bizarras e estranhas era sem dúvida o Rato. Peguei no meu telemóvel e no papel com as informações do homem e enviei uma mensagem.

"Precisamos falar! Ass: Barry"

 

A resposta não tardou...

"Não, obrigado. Acabaram as visitas à piada da zona."

 

Eu sabia que perante tal birra, só uma coisa o faria ajudar-me. Respondi...

"Por favor. Eu aceito a posição de assistente e prometo que não gozo mais."

 

Olhei para o portão do orfanato e lá vi o Jaimi com a Fitipa e mais dois rapazes, provavelmente dois novos amigos e percebi que os tinha perdido e que não podia inclui-los nesta loucura principalmente porque nunca iriam acreditar em mim. O meu telemóvel tocou e depois de ler a mensagem eu sabia que já não havia volta a dar...

 

"Bartolomeu Querido, sê bem-vindo ao mundo Estranho. Mãos á obra!"

 

 

CAPÍTULO VI

 

O ÓRFÃO.jpg

 

 (Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o quinto capítulo. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

24
Nov17

O ÓRFÃO . CAPÍTULO IV

A Hipster Chique

CAPÍTULO III

 

 

!! P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Panteão !!

Já só falta um dia para votarem na primeira fase dos Sapos do Ano 2017 !

 

 

IV

 

 

Tomei então a decisão de contactar o Dr. Rato, pois o homem lida com coisas estranhas, não fosse o seu site, o Website Estranho e ia pedir ajuda com isto. Não vejo mais ninguém que fosse acreditar num miúdo.

Quem é aquela mulher e o que raio lhe aconteceu?

 

Ainda faltavam umas horas para o recolher obrigatório, que normalmente acontece uma hora antes da hora de jantar, por isso aproveitei e fui à escola buscar as informações de contacto do Dr. Rato e assim entrar em contacto com ele.

Assim que cheguei à escola, para surpresa minha, a Fitipa estava a falar com o Jaimi na entrada e antes que me vissem ou que eu os pudesse chamar, eles trocam um beijo na boca e eu fiquei um pouco em estado de choque. Não imaginava que houvesse sentimentos entre eles para além da amizade e muito menos percebia o porquê de me estarem a esconder isso. Fiquei no meu canto e após aquele beijo, cada um foi para o seu lado.

Ainda abalado, mas focado no meu objectivo, escondi-me nas escadas de um prédio porque o Jaimi estava a ir em direcção ao orfanato e assim que ele passou fui tirar as informações ao panfleto, que mesmo já estando gasto dava para ver a morada.

Confesso que cheguei a pensar duas vezes antes de me dirigir à casa de um estranho que tinha cara de quem me ia arrancar um rim e abandonar-me numa banheira cheia de gelo, mas com coragem suficiente toquei à campainha. Veio uma senhora idosa à porta...

"Sim? Diga lá o que quer.", disse a senhora com uma voz rouca e com um bafo de quem fuma desde que saiu da vagina da mãe... ou pai.

"Boa tarde. O meu nome é Barry e eu queria saber se aqui vive o Dr. Camões Rato. Precisava de falar com ele.", disse.

"Barry é nome de cão e doutor?? Doutor do quê?? Esse é o desajeitado do meu filho, que não se chama Camões, mas sim Cassandro, Cassandro Caça Rato. Está na cave, podes seguir.", respondeu a mulher apontado o caminho para a cave.

 

Bati e ouvi uma voz que dizia para entrar e ao abrir a porta da cave um pouco a medo, mal tive dez segundos para ver o estava lá dentro porque o Dr. Rato aparece-me à frente...

"Finalmente, um futuro assistente! Como te chamas filho?", disse ele.

"Olá Dr.. O meu nome é Barry e peço desculpa, mas não. Vinha aqui para falar consigo sobre outro assunto e não para me inscrever como seu assistente. Não me leve a mal, apenas não tenho tempo para essas coisas.", disse.

"Humm, compreendo. Também fica sabendo que tenho muitos candidatos ao lugar e que ainda bem que não te estás a inscrever porque isto será um concurso feroz e violento. Mas diz lá então, o que te traz à sede do WebSite Estranho?", perguntou o Dr..

"Claro, bem... por onde começar. Eu vi algo que não consigo muito bem explicar o que foi e como aconteceu, mas basicamente eu tenho visto uma mulher a vaguear as ruas e a meter-se em situações complicadas, como numa discussão com o segurança do SuperPitéu, uma visita ao Dr. Fizvaldo Pitéu e a desaparecer do nada no limite do bosque Pitesco. Como é uma situação estranha, penso que me poderia ajudar a saber quem é essa mulher.", expliquei da melhor forma que consegui.

"Curioso de facto... Vejo que és alguém atraído pelas obscuridades e estranhezas deste mundo. Tens a certeza que não te queres juntar à causa?", insistiu o Dr. enquanto andava de um lado para o lado.

"Sim, tenho. Apenas gostava de saber quem é aquela mulher e o que anda cá a fazer.", continuei.

"Já agora, porquê?", perguntou o Dr..

"Curiosidade, apenas curiosidade.", respondi.

"Tudo bem, eu ajudo-te a saber quem é essa mulher...", disse o Dr..

Fiquei imediatamente entusiasmado com a ideia... por estranho que parecesse...

"A sério? Muit...".

"Se fores meu assistente", interrompeu-me o Dr. Rato.

"Desculpe? Não. Isso está fora de questão. Não vou ser assistente de um estranho falso Doutor que tem um website sobre coisas estranhas.", disse.

"Curioso dizeres isso porque tu é que vieste ter com o estranho falso Doutor que tem um website sobre coisas estranhas para alimentar a tua curiosidade. Ou te juntas a mim como meu assistente ou podes esquecer a minha ajuda... Barry.", respondeu o Dr..

"Foi uma perda de tempo vir aqui negociar com um doido!", disse eu saindo abruptamente da cave e deixando a casa do Dr. Rato visivelmente irritado.

Tive de voltar para o orfanato a correr porque faltavam cinco minutos para o recolher obrigatório.

 

Mantive-me calado durante o jantar, muito por causa do que tinha acontecido com o Dr. Rato, mas também porque o Figo mostrou a sua colecção de potenciais fungos que tinha recolhido do pé direito durante o seu banho mensal. Outra pessoa que mal abriu a boca foi o Jaimi, que após o jantar dirigiu-se para o quarto. Decidi segui-lo e confronta-lo com aquilo que tinha visto entre ele e a Fitipa.

"Ei, Jaimi! Então, já nem dizes nada? Queres ir ver vídeos de anacondas a dançar com pintainhos bêbados? Ainda há uma colectânea que não vimos.", disse.

"Ei mano. Não, não me apetece. Acho que vou mesmo fazer os trabalhos de casa e depois descansar.", respondeu o Jaimi.

"Trabalhos de casa? Vá lá, não sejas assim. Precisamos pôr a conversa em dia. Quer dizer, a conversa de hoje, do que aconteceu hoje na nossa vida de diferente e do qual não tenhamos conhecimento.", disse eu, subtilmente.

"Tu viste-me com a Fitipa, não viste?", disse o Jaimi em jeito de confissão.

"Pois, vi. Não percebo porque não me contaste que andas com ela. Somos os três grandes amigos, porquê fazer disto um mistério?", perguntei.

"Bar, eu sei que tu achas que tudo continua na mesma, mas não. Nas férias fechaste-te no teu mundo da escrita e quase nunca ligavas à Fitipa ou a mim, que vivo mesmo na cama ao lado. Tu desligaste-te de tudo e todos e no primeiro dia de aulas ages como se nada se tivesse passado.", disse o Jaimi.

"Como assim?", perguntei um pouco confuso.

"Olha, eu não quero confusões. Mas foste tu que te afastas-te e nós sentimo-nos usados por ti, como se só servíssemos para o tempo de aulas. Já não somos os três grandes amigos... tu não foste um grande amigo durante três meses. Podemos continuar amigos, mas as coisas mudaram. Agora desculpa mas vou fazer os trabalhos de casa.", respondeu o Jaimi enquanto se afastava de mim.

 

"Terei eu afastado os meus amigos sem dar conta?, pensei eu...

A verdade é que estive a maior parte do tempo agarrado ao computador a escrever e mal sai para apanhar um ar. Apenas acho o Verão depressivo e muito calor faz-me mal ao espírito. Não quis ser negligente nas minhas amizades, mas também neste momento não conseguia pensar nisso, tinha aquela mulher na cabeça e não me ia tornar assistente de um maluco para conseguir saber quem ela era. Ou seja, o meu computador e algumas horas de pesquisa iam ter de fazer o trabalho por ele.

Pesquisei "mulher desaparece do nada", "mulher com arma estranha", que me fez encontrar páginas perturbadoras e até "mulher estranha aparece em cidade", mas todas as pesquisas foram um beco sem saída. Para pensar mais claramente, fui até ao meu blog ver o que se passava e reparei num comentário que tinha no meu último post...

 

"Ut oãn etsiv adan. Arap ed ratnet rarucorp satsip erbos meuq uos!"

 

Bastou pegar num espelho e lá estava "tU não viste nada. parA de tentar procurar pistas sobre quem sou!". A primeira pessoa que me veio à cabeça foi a mulher misteriosa, mas ela não tinha qualquer informação de quem eu era e não escrevi nada sobre ela no meu blog.

Mas escrevi sobre o Dr. Rato e ele percebeu que levo a curiosidade muito a sério e talvez tenha escrito este comentário para me colocar mais curioso e como não tenho uma solução, teria de virar assistente dele para obter ajuda. Mas isso não ia acontecer!

Respondi ao comentário...

 

"Volta para a cave da tua mãe e deixa-me em paz! Sou um menor, isto é perseguição!"

 

Penso que o ataquei bem com aquilo da cave da mãe. Mas quem sou eu para falar das escolhas dos outros em relação a locais onde decidem viver se eu vivia num quarto com um amigo que não quer saber de mim, um hipocondríaco e um rapaz novo cuja forma de comunicação é através de post-its.

Fui para a cama ler um pouco e dormir porque este dia já deu o que tinha a dar. 

 

Assim que me preparava para deitar recebo uma notificação de que alguém comentou a minha resposta no blog e quando abri a notificação não queria acreditar no que estava a ler...

 

 

CAPÍTULO V  

O ÓRFÃO.jpg

 

(Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o quarto capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.)  

16
Nov17

O ÓRFÃO . CAPÍTULO III

A Hipster Chique

CAPÍTULO II

 

 

P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Portistas.

E fiquem a resposta vencedora do Giveaway, do Triptofano.. If I Were a Girl.

 

 

III

 

 

Lá pensei no dia que tinha passado, no porquê da Fitipa não me falar, a introdução da aula de história com aquele Dr. e naquela mulher que me fez sentir ameaçado.

Bom começo para quem queria um ano lectivo calmo...

 

Já eram dez da noite e eu continuava no telhado a olhar para as estrelas e a aproveitar o silêncio que sabia que não tinha dentro do orfanato. Assim que voltasse para dentro ia levar com os dramas desportivos do Jaimi, a nova doença do Figo, que é hipocondríaco e com o Sr. Godofredo a mandar-nos dormir a cada cinco minutos porque não conseguimos sossegar antes da meia noite. Normalmente paramos antes se ele trouxer a Fiona, porque aquela cabra foi treinada para morder assim que ouvir a palavra "Coça". Até hoje não sei a ligação entre coçar e morder...

Acabei por ir para dentro e o Jaimi lá estava a discutir tácticas de lacrosse com outro rapaz e eu resolvi ir para a cama escrever no blog. Assim que pego no computador o Figo já estava ao meu lado...

"Barry, preciso que me vejas um sinal que tenho na barriga! Está com uma cor estranha, alaranjada e acastanhada e eu tenho comichão.", disse o Figo.

"Figo, já te disse que isso são coisas da tua cabeça e que tens de te acalmar. Já tomaste a medicação de hoje?", disse.

"Já! Não é da minha cabeça, prometo. Vê, por favor!", implorou o Figo.

"Está bem. Mostra lá a mancha.", disse.

Assim que o Figo levantou a camisola não havia dúvidas sobre o que se estava a passar.

"Figo, isso não é um sinal. Isso é uma mancha de molho de tomate da bolonhesa do jantar. Tenta limpar com água e vais ver que passa.", disse, já sem paciência.

O Figo em vez de seguir o meu conselho, levou o dedo à boca e toca de usar saliva como lava tudo e conseguiu limpar o tal "sinal" assustador. 

"B, obrigado. Estava mesmo assustado. Agora posso estar descansado.", disse o Figo.

"E podes também ter mais higiene.", pensei eu. Ele era bom rapaz, mas há limites. 

 

Abri o computador e finalmente deixei-me embarcar no mundo do meu blog...

 

 

Entrada #41

 

Olá...

o dia hoje foi estranho. Já aqui vos contei da parvoíce que foi aquela apresentação do Dr. Rato, mas o que ainda me incomoda é o facto da Fitipa não me falar. Sempre fomos amigos e já não nos víamos há umas semanas, mas estava tudo bem antes, o que será que mudou?...

Provavelmente estar a ler isto F, e podias-me dizer que raio se passou... Enfim.

Vi a Madonna na escola e lá estava ela, linda de morrer e com o brilho mais angelical do mundo. Escrevi uma música para ela e agora só me falta encontrar os acordes perfeitos. Talvez consiga ter coragem e um dia cantar-lhe e este "talvez" é mais "quando ela estiver solteira", sim, porque eu vou esperar.

Posso colocar aqui apenas um pedaço do refrão da música que tem como título "Olhos Quadrados":

 

"Tu sobes e desces,

tu saltas e cais,

Com esse teu brilho ,

Como não te amar mais,

 

A vida perdeu-se,

Nos teus olhos dourados,

Mas no fundo eu sei,

Que eles são apenas quadrados"

 

Profundo, eu sei.

Pode ser que depois de mostrar esta letra com os acordes ao Storbot 4567, ele vai finalmente deixar-me abrir um Glee Club lá na escola, porque a música é outra das minhas paixões. Sou um romântico incurável.

Bem, por aqui fico que se está a fazer tarde e já começo a ver o Figo a vir na minha direcção agarrado ao nariz, uma cavidade com o qual não me apetece confraternizar.

 

O Órfão

 

Fui dormir na esperança de acordar e ter um dia muito melhor.

 

7h00

Credo, hoje não consegui acordar mais cedo e levei com o berro da Fiona e nunca acordo bem disposto depois de tal alarme. Nem o banho me ajudou e o pequeno-almoço são papas de aveia, por isso já imaginava que o dia não fosse de facto ficar melhor. Esperei pelo Jaimi nas escadas do orfanato e fomos para a escola, onde mais uma vez a Fitipa se encontrava no portão e eu estava decidido a falar com ela e perceber o que se passava.

Pedi ao Jaimi para me deixar ir ter com ela sozinho e ele foi indo para a sala.

"Bom dia F! Tudo bem?", disse.

"Olá Barry.", respondeu a Fitipa com um ar seco.

"Podemos falar? É importante.", disse.

"Não precisas de falar muito Bar, eu vi o teu post no blog. Eu não estou chateada, apenas ando sem cabeça e com alguns problemas familiares. Desculpa se te fiz pensar que estava chateada.", explicou a Fitipa.

"A sério? Ainda bem. Não queria nada perder uma amiga como tu.", disse.

"Não perdes. Eu vou tentar andar mais sociável e deixar o mau humor em casa. Como tens estado? Adorei a tua música para a Madonna.", disse a Fitipa.

E lá ficamos nós a falar e a pôr os assuntos em dia. Confesso que já tinha saudades.

 

Deu o primeiro toque de entrada e lá fomos nós ter com o Jaimi para a primeira aula do dia, matemática, com o Storbot Pi. Gosto desta aula porque a Madonna Pitéu senta-se ao meu lado e costumamos ficar em grupo nos projectos, mas hoje ela não veio à aula e eu fiquei um pouco preocupado.

Seguiu-se a aula de Espanhol, Educação Física e Geografia e nada de Madonna, logo tomei a decisão de ir a casa dela ver se estava tudo bem e levar os apontamentos das aulas.

Perguntei se a Fitipa e o Jaimi queriam vir comigo, mas ambos estavam ocupados com as actividades extra-curriculares da escola, como o treino de lacrosse e claque. Fui então sozinho em direcção à moradia dos Pitéu que ficava num dos bairros mais ricos da cidade, o Pitéu Hills. Quando lá cheguei toquei à campainha e apresentei-me...

"Boa tarde. Eu sou o Barry, colega da Madonna, vinha trazer-lhe os apontamentos da escola e saber se estava tudo bem.".

Não obtive resposta, mas o portão abriu-se o que levei como se fosse uma resposta afirmativa e entrei. Assim que cheguei à porta da casa, nem precisei bater porque estava alguém a sair. Era a mulher que estava a discutir com o segurança do SuperPitéu que com cara de poucos amigos se despediu do Dr. Fizvaldo Pitéu. 

"Boa tarde. Deves ser o Barry, o colega da minha filha Madonna. Obrigada por trazeres os apontamentos. Contudo a minha filha não está disponível de momento, mas podes deixar os apontamentos comigo.", disse o Dr. Pitéu.

"Claro. Mas está tudo bem com a Madonna?", perguntei.

"Sim, está. Foi só uma pequena indisposição. Obrigada pela preocupação.", disse o Dr. Pitéu enquanto lhe entregava os apontamentos. 

Despedi-me e fui embora em direcção ao orfanato. Tinha um trabalho de Geografia para escrever e esta não é a minha melhor disciplina.

Antes de chegar ao orfanato vi a mulher misteriosa a caminhar em direcção ao parque e num acto de estupidez decidi segui-la e assim que entra na zona dos limites do bosque Pitesco desaparece. Literalmente! O corpo da mulher foi evaporado! Fui ao limite do bosque e não vi nada. 

Fiquei um pouco assustado e comecei a correr para sair do parque em direcção ao orfanato e só parei quando cheguei ao meu quarto. Fui para o telhado e ainda assustado tentei pensar no que vi e percebi que não havia uma explicação lógica para o que tinha acabado de ver. 

 

Tomei então a decisão de contactar o Dr. Rato, pois o homem lida com coisas estranhas, não fosse o seu site o Website Estranho e ia pedir ajuda com isto. Não vejo mais ninguém que fosse acreditar num miúdo.

Quem é aquela mulher e o que raio lhe aconteceu?

 

 

CAPÍTULO IV

O ÓRFÃO.jpg

 

 

(Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o terceiro capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.)  

04
Nov17

#dia 294 - O meu cérebro hoje está de férias!

A Hipster Chique

Depois de assassinar um pombo com uma azeitona sem caroço e ter apagado o novo capítulo d'Órfão, de mais de 1500 palavras onde apenas foi escrito aqui nos rascunhos do blog, sem querer... Ou seja, o meu cérebro tira férias este fim de semana e os problemas serão problemas de segunda feira.

 

 

Livro

O meu livro já está à venda, pode ser encomendado através do e-mail:ahipsterchique@gmail.com na livraria Chiado Editora , na  Wook  e na Bertrand . Irá brevemente para outras livrarias (Fnac e outras) que irei colocar aqui e nas respectivas plataformas on-line.

 

A Hipster Chique

22
Out17

#dia 281 - Domingo, again...

A Hipster Chique

Quem já me segue aqui há um tempo, sabe que não sou fã de Domingos, porque são chatos, a minha cabeça simplesmente deixa de funcionar como devia e o máximo de criatividade que consigo é o facto que conseguir juntar duas partes de uma mola com um elástico porque as molas estão caras... e mesmo assim reparar que juntei uma parte rosa e outra verde! God have mercy...

 

Por isto este dia serviu para preparar a próxima semana.

Tratei da roupa, respondi a e-mails, limpei a casa, troquei a roupa da cama e ainda fiz um brunch improvisado. 

 

Apresentei ontem "O Órfão", a nova série aqui do blog que irá ter o seu primeiro capítulo no início desta semana. É um spin-off da minha antiga série "O Sítio" que me vi forçada a parar de escrever pois vai ser lançada em livro no próximo ano.

 

Neste momento estou pronta para a cama e para uma semana em cheio, com muito trabalho, criatividade e uma ida ao chinês para comprar molas.

 

 

P.S.

O meu livro já está à venda, pode ser encomendado através do e-mail: ahipsterchique@gmail.comna livraria Chiado Editora, na Wook e na Bertrand. Irá brevemente para outras livrarias (Fnac e outras) que irei colocar aqui e nas respectivas plataformas on-line.

 

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O GIVEAWAY!

 

Os produtos do giveaway são uma carteira em pele, castanha, de valor 44€. A carteira é mais masculina mas cada um tem os seus gostos e pode ser uma óptima prenda de Natal e quatro pulseiras (lote, ver na imagem).

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Para ganhar estes presentinhos apenas tem de participar num pequeno concurso que estará a decorrer pelo menos durante uma semana aqui no blog. Como? Simples (ou não, mas podem fingir que é):

  • mandar um e-mail para ahipsterchique@gmail.com
  • colocar no assunto: "Eu exigo esses produtos!"
  • no corpo do e-mail enviar o nome (verdadeiro, nickname do blog, etc) e um pequeno texto com o tema:
    - Se pudesses viver por um dia no corpo do sexo oposto, o que farias?

Pode ser um texto longo, curto, uma simples frase! Sejam criativos, porque o mais criativo ganha estes dois brindes com um pequeno bónus: um livro meu!

Tem até dia 28 de Outubro para participar!

 

A Hipster Chique

21
Out17

#dia 280 - O Órfão

A Hipster Chique

Como alguns de vocês devem saber, eu andava a escrever aqui no blog uma série chamada "O Sítio" que me vi forçada a parar de escrever no vigésimo capítulo porque a série vai seguir voos mais altos, irá sair em livro no próximo ano!

A verdade é que me dá um gozo enorme escrever ficção e decidi que não iria parar de o fazer aqui no blog, logo este post serve para vos apresentar a nova série aqui do blog...

O ÓRFÃO

 

Para quem leu "O Sítio" até ao fim, a personagem principal desta nova história será familiar, não fosse "O Órfão" um spin-off d'O Sítio. Pois bem, eu vou contar-vos a história do Barry (Bartolomeu Querido) e irei continuar com o humor habitual que trago para estas histórias de ficção, mas desta vez num local diferente.

 

Apresento então "O Órfão", que irá ter aqui no blog o seu primeiro capítulo no início da próximo semana e um novo capítulo todas as semanas...

 

%22This incredible fictional masterpiece has broug

 

Uma espreitadela?!

 

""Bem-vindos a Pitéu! Com uns quantos habitantes e agora TU!"

...é a primeira coisa que se vê quando entramos na minha cidade, Pitéu. Como tal indica ainda somos uns quantos habitantes, mas eu já não faço parte de tal comunidade.
Estou neste momento de viagem para um sítio novo, numa missão para encontrar o meu patrão e como nunca sei o que o desconhecido me prepara, decidi ler o diário da minha história, que se começou a "escrever" há um ano atrás..."

 

Espero que gostem e que acompanhem esta nova aventura!

 

 

P.S.

O meu livro já está à venda, pode ser encomendado através do e-mail: ahipsterchique@gmail.comna livraria Chiado Editora, na Wook e na Bertrand. Irá brevemente para outras livrarias (Fnac e outras) que irei colocar aqui e nas respectivas plataformas on-line.

 

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O GIVEAWAY!

 

Os produtos do giveaway são uma carteira em pele, castanha, de valor 44€. A carteira é mais masculina mas cada um tem os seus gostos e pode ser uma óptima prenda de Natal e quatro pulseiras (lote, ver na imagem).

20686837_0CTZk.jpeg20686838_12Pwd.jpeg

Para ganhar estes presentinhos apenas tem de participar num pequeno concurso que estará a decorrer pelo menos durante uma semana aqui no blog. Como? Simples (ou não, mas podem fingir que é):

  • mandar um e-mail para ahipsterchique@gmail.com
  • colocar no assunto: "Eu exigo esses produtos!"
  • no corpo do e-mail enviar o nome (verdadeiro, nickname do blog, etc) e um pequeno texto com o tema:
    - Se pudesses viver por um dia no corpo do sexo oposto, o que farias?

Pode ser um texto longo, curto, uma simples frase! Sejam criativos, porque o mais criativo ganha estes dois brindes com um pequeno bónus: um livro meu!

Tem até dia 28 de Outubro para participar!

 

A Hipster Chique

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