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A Hipster Chique

humor . coisas . nerd . fluente em klingon . criativa - ish . comics . opinião

A Hipster Chique

humor . coisas . nerd . fluente em klingon . criativa - ish . comics . opinião

15
Dez17

O ÓRFÃO . CAPÍTULO VI

A Hipster Chique

!! POST NÚMERO 400 !!

 

ESTOU A DAR COISAS!! ABRAM O LINK!!

GIVEAWAY DE NATAL: MR. WONDERFUL, GOING NUTS E EUROTECH

 

......

 

CAPÍTULO V

 

 

VI

(ESPECIAL - PRINCESA MAIONESE E DR. RATO)

 

 

O meu telemóvel tocou e depois de ler a mensagem eu sabia que já não havia volta a dar...

 

"Bartolomeu Querido, sê bem-vindo ao mundo Estranho. Mãos á obra!"

 

 

Dei por mim parado a olhar para o telemóvel, para a mensagem que o Dr. Rato me tinha enviado e por estranho que pareça não me sentia arrependido por me ter oferecido para assistente dele. Afinal tinha acabado de ter um encontro com uma mulher doida varrida que pelos vistos é uma alien e consegui afastar os meus amigos. 

Estava sozinho, sem perspectivas de futuro e bastante cansado. Entrei no orfanato e fui preparar-me para o jantar.

Quando me dirigi para o salão principal, o Jaimi já lá estava numa mesa acompanhado pelo Figo e por outro rapaz e eu senti que não era bem-vindo, então fui-me sentar numa mesa sozinho e o Sr. Godofredo, um funcionário que é quase como um padrinho para nós, aproximou-se...

"Então Bartolomeu, por aqui sozinho?", perguntou.

"Sim, hoje estou com vontade de estar sozinho, comer rápido e ir dormir.", respondi.

"Mas não te sentes bem?", insistiu o Sr. Godofredo.

"Sinto, apenas é um daqueles dias. Devem ser as hormonas adolescentes a fervilhar dentro de mim. Não se preocupe.", disse, fazendo-o abanar a cabeça e afastar-se da minha mesa.

O Jaimi olhava para mim mas a sua expressão era vazia. Sentia-me triste...

Mal acabei o jantar, fui para a cama e desliguei do mundo.

 

6h59

Acordei num sobressalto porque tinha acabado de ter um pesadelo com a tal Maionese e percebi que hoje não havia aulas, logo a Fiona só vem berrar por volta das 9h, contudo o meu telemóvel estava a apresentar uma notificação e quando fui ver percebi que era mais uma mensagem do Dr. Rato...

 

"Bartolomeu, preciso que te apresentes aqui no meu escritório pelas 8h da manhã para começarmos o trabalho. Não toques à campainha, tem um chave debaixo do tapete. Acordar a minha mãe é pedir para seres perseguido por um pterodactilo que não come há mais de um ano."

 

Não achei que trabalhar para este homem iria ser uma experiência normal, mas ia ser um desafio. Fui tomar banho, passei pela cozinha para roubar uma maça e segui para o escritório do Dr., ou melhor, para a cave da casa da sua mãe.

Assim que cheguei à casa do Dr. fiz como me tinha indicado e peguei na chave que estava debaixo do tapete. Entrei e bati à porta da cave.

"Entra Bartolomeu!", ouvi o Dr. Rato a chamar.

Entrei...

"Bom dia. E pode chamar-me Barry, eu prefiro.", disse.

"Claro, Barry. Como estás hoje? Preparado para entrar no mundo estranho?", perguntou o Dr. com um entusiasmo que naquele momento só ele sentia.

"Sim, cá estou eu. Em que posso ajudar?", perguntei.

"Calma meu caro. Antes de começares o teu trabalho como meu assistente precisas de saber a verdade sobre o meu projecto.", disse o Dr..

"Então mas o seu projecto não é trazer ao mundo informações sobre acontecimentos estranhos que o Governo quer esconder?", perguntei.

"Sim e não. Aqui no Website Estranho eu uso notícias de ovnis perdidos e avistamentos do oculto como disfarce do meu verdadeiro propósito.", explicou.

"Que é?...", perguntei, já impaciente.

"O mesmo da Princesa Maionese. Eu quero encontrar a cria.", respondeu o Dr..

"Mas porquê? O que tem de importante essa cria?", perguntei.

"Essa cria é o fruto de um amor puro e proibido.", disse o Dr..

"E onde é que o Dr. entra nessa história?", perguntei.

"Aí é que está Barry, eu não entro, eu sou parte da história.", respondeu o Dr. fazendo um ar enigmático.

"Isso é a mesma coisa... Mas como assim, faz parte da história? Conhece a Princesa Maionese?", perguntei, reparando que começava a ficar cada vez mais interessado com aquilo que estava a ouvir, o que me levou a pensar por segundos que a loucura do homem se tinha apoderado de mim.

O Dr. sentou-se e começou...

"Conheço. E vou-te contar como...

... Eu nem sempre fui este homem que vês diante dos teus olhos, há 18 anos atrás eu era um homem bem parecido, um génio do oculto que trabalhava numa empresa de investigação espacial onde era conhecido como o Príncipe Espacial e a minha especialidade era a descoberta de novas galáxias e para isso eu construí uma máquina que não só me permitia fazer uma exploração em tempo real como também me permitia uma viagem até novas galáxias por via de tele-transportação. Algo que não agradou aos meus superiores, pois achavam que tal tecnologia era avançada demais e podia cair nas mãos erradas. Por isso, despediram-me, cancelaram o meu projecto, destruíram a máquina e apagaram todos os meus cálculos e estudos. O que eles não sabem é que eu consegui ficar com os dados todos através de uma cópia que fiz e a máquina que eles destruíram foi na realidade o protótipo inicial. A verdadeira veio comigo porque eu não ia desistir de um trabalho de uma vida inteira.

Assim que consegui encontrar um local seguro e com recursos suficientes para colocar a máquina a trabalhar, decidi iniciar a minha exploração pelo Universo e a minha primeira paragem foi uma galáxia distante mas muito parecida com a nossa onde mais tarde vim a descobrir que se tratava da galáxia gémea da Via Láctea, a Via do Leite Achocolatado.

O planeta onde fui parar tinha o nome de planeta dos Molhos, um planeta pequeno e que vivia numa monarquia harmoniosa, falava a nossa língua e recebia muito bem os seus visitantes. Decidi então que seria a minha paragem e por lá me estabeleci.

Passaram algumas semanas e eu já tinha preenchido cerca de cinco blocos de apontamentos e tirado milhares de fotos daquele planeta maravilhoso, até que um dia numa aventura pelo Vale da Lactose ouvi uma voz que pedia socorro e assim que segui a sua direcção reparei numa rapariga linda de morrer que estava presa numa rocha do vale e que estava em perigo de ser levada pelo vento. Armei-me de coragem e com apenas um braço consegui libertar a rapariga segurando-a com força contra mim. Os seus olhos eram verdes e era dona de uma beleza que nunca tinha visto neste nosso mundo. Ela olhou para mim e disse "Obrigada, foste o meu Príncipe salvador." e após o nosso primeiro contacto ficamos horas a falar e a passear pelo Vale. Ela disse-me ser a filha dos Reis e queria saber mais sobre o meu mundo até que ela teve de se ir embora. Marcamos de nos encontrar no dia seguinte e assim aconteceu.

Fomo-nos encontrando e aos poucos percebi que a nossa relação começava a ficar cada vez mais forte e isso fez com que ficasse cada vez mais secreta pois a Princesa estava prometida a um filho de um Conde porque a sua união era importante para manter uma hierarquia "saudável" no planeta. Dei por mim apaixonado e a viver um romance proibido. Encontrávamo-nos às escondidas e numa noite perdemos a noção do tempo e passamos a noite juntos. Foi a melhor noite da minha vida que acabou com um ataque à casa onde nos encontrávamos por parte do exército do Rei que através de uma denúncia anónima descobriu onde a sua filha estava. Ela foi levada à força, eu fui feito prisioneiro e eu mal sabia o que estava prestes a acontecer.

Pelas minhas contas fiquei preso durante oito semanas onde mal via a luz do dia, sem interacções com outras pessoas e a receber água e comida por um buraco pequeno da porta. Um dia, a comida veio com algo extra, um papel com a seguinte mensagem "Tive de arriscar mandar-te esta nota porque não sei mais que fazer. Estou grávida e não consigo convencer o meu pai a libertar-te, eu própria estou presa no meu quarto e apenas consegui mandar-te esta mensagem após subornar o guarda que protege a minha entrada. Amo-te. Ajuda-me.".

Aquele pedido de ajuda deixou-me de rastos porque eu não sabia como sair dali... então durante uma semana eu gritei, bati na parede até que as minhas forças de esgotaram e eu desmaiei no chão frio da cela.

Quando acordei, uma luz cegou-me a vista e mal conseguia perceber mais do que sombras e uma dessas sombras aproximou-se e eu percebi que era o Rei, que ao apresentar-se como tal anunciou "Tu, visitante longínquo, serás enviado de volta à tua terra e estás proibido de voltar a esta galáxia. Como penitência irás também perder as memórias da tua vida neste planeta". Assim que terminou a frase eu senti um frio na testa e acordei aqui em Pitéu, mas com uma penitência ainda maior do aquela proclamada... eu lembrava-me de tudo e não tinha como voltar. Penso que assim que saí daquela galáxia o encantamento que o Rei me fez deixou de funcionar e até hoje não sei porquê, mas quero acreditar que foi pelo amor que que sentia pela Princesa.

Durante anos tentei procurar formas de voltar e construi o Website Estranho para controlar avistamentos de coisas sobrenaturais que o governo esconde na procura por uma mera informação que me levasse à minha Princesa.

Há precisamente onze anos uma notícia captou a minha atenção, na cidade de Roda tinha sido avistada uma mulher estranha que diziam ter poderes e que andava a anunciar que enquanto não tivesse a sua cria de volta iria trazer terror aos seus habitantes. E assim começou a minha procura por ela e pela cria. Até hoje cheguei sempre atrasado ao local onde ela se encontrava porque ela começou a ficar boa em esconder a sua presença entre nós e quando me falaste dessa mulher eu finalmente achei que me podia reencontrar com ela, mas até agora não tive sucesso... ao contrário de ti. Eu preciso que tu me ajudes a encontra-la e preciso que me ajudes a encontrar o meu filho ou filha... por favor."

 

Ficou um silêncio naquela cave e a minha mente estava paralisada. Tudo parecia surreal mas eu, por algum motivo muito doido, acreditava em cada palavra e em cada sentimento que o Dr. me mostrou ao longo da história. Pensei que talvez fosse este o meu destino e que talvez o meu fascínio pelo oculto não era em vão.

Ficamos a olhar um para o outro e eu abracei a loucura com toda a força dizendo...

 

"Por onde começamos?"

 

 

O ÓRFÃO.jpg

 

(Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o sexto capítulo. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

 

07
Dez17

O ÓRFÃO . CAPÍTULO V

A Hipster Chique

CAPÍTULO IV

 

 

 

V

 

 

Assim que me preparava para deitar recebo uma notificação de que alguém comentou a minha resposta no blog e quando abri a notificação não queria acreditar no que estava a ler...

 

"Ue uos aleuqa euq ut oãn sereuq rebas. Eceuqse o euq etsiv. Et-arbmel od euqot on orbmo"

 

Mais uma vez, com a ajuda do espelho consegui decifrar a mensagem, "eU sou aquela que tu não queres saber. esquecE o que viste. lembra-tE do toque no ombro." e não fiquei com dúvidas. As mensagens tinham de vir da mulher porque eu não contei ao Dr. Rato sobre o encontro de terceiro grau que tivemos com aquele toque no ombro.

Não percebi como é que ela descobriu o meu blog e muito menos como sabia que eu andava a tentar saber mais sobre ela. A verdade é que toda a minha vida me senti atraído por coisas do oculto e mistérios, mas talvez devesse ter ficado quieto em relação a este assunto.

Tinha a cabeça a mil e começava a sentir-me um pouco tonto, logo fui dormir para ver se aliviava a pressão de estar a ter mais confusões do que aquelas que tinha antecipado.

 

O acordar não foi o melhor que tive, mal comi ao pequeno-almoço e no duche, até uma vassoura conseguia ter mais vida que eu. Estava calado e pensativo e enquanto percorria o caminho do orfanato até à escola apercebi-me que estava sozinho, não fisicamente, mas na vida. Afastei os meus únicos amigos, não me conseguia enquadrar em nenhum grupo da escola e a verdade é que os meus melhores momentos foram vividos na solidão.

Quando cheguei à escola, a Fitipa e o Jaimi já nem escondiam mais que estavam juntos e muito menos pararam com a fornicação bocal para me dizer bom dia e eu sei que a Fitipa viu-me a chegar.

Segui para as aulas e reparei mais uma vez na ausência da Madonna, mas não ia voltar à moradia dos Pitéu principalmente porque estava com medo de ver a mulher misteriosa outra vez e o Dr. Fizvaldo Pitéu não contribuía para que o meu medo diminuísse.

Ao tirar os meus livros da mochila, um papel desconhecido caiu ao chão e a primeira coisa que reparei foi no símbolo que estava desenhado nas costas do papel que era do WebSite Estranho do Dr. Rato.

Peguei no papel e o seu conteúdo foi sem dúvida, surpreendente, para não dizer macabro...

 

"Olá Barry,

Sou eu, o Dr. Rato e não te queria assustar ou intimidar no nosso encontro de ontem mas tu foste o único jovem dessa coisa chamada escola que apareceu por cá e eu estou mesmo a precisar de um assistente. Compreendo que não queiras o tão prestigiado lugar e mesmo assim vou ajudar-te, um pouco.

Eu sei quem é a mulher que descreveste e posso falar-te mais dela, mas tem de ser num local neutro como o meu escritório depois das tuas aulas. Após te contar a história, talvez mudes a tua opinião em relação a seres meu assistente e entres na causa.

Abraço,

Dr. Rato"

 

Assim que li aquilo pensei que realmente estava a lidar com um maluco, mas a verdade é que não tinha muito a perder e neste momento acho que só a assistente virtual do meu computador me dá conversa, a Floriana.

Dizem ser a bisneta da ex-assistente oficial da marca Apple, Siri e Cortana, ex-assistente da Microsoft que após uma relação proibida e muitas horas de coding criaram a avó da Floriana. Uma história de amor que tenho de desenvolver no meu blog porque os meus leitores já estão a precisar de algo diferente.

As aulas passaram rápido e eu não prestei atenção a nada do que se falou e consegui ser libertado da aula de educação física porque disse que estava com o período. Sim, uma falha nos sistemas dos Storbots faz com que o seu software não consiga distinguir rapazes de raparigas e por isso a desculpa do período virou rotina para todos os sexos.

 

Quando estava prestes a sair da escola, ouço a Fitipa...

"Barry!", gritou ela.

"Ei, Fitipa. Tudo bem?", perguntei.

"Ei, sim e contigo? Já sei que o Jaimi te contou a verdade e nós não queremos estar chateados contigo e acho que devemos tentar voltar a ser o trio com mais fama aqui da escola. Que dizes?", disse a Fitipa.

"Eu estou bem. Ainda bem, eu também não quero estar chateado com vocês e estou aberto para uma nova tentativa... de amizade. Não aberto para outras coisas.", disse com necessidade de me enfiar num buraco...

"Claro! Amizade. Nós vamos agora ao CPU, vens?", perguntou a Fitipa.

"Agora? Não me dava muito jeito.", respondi.

"Porquê? Anda lá, que tens assim de tão importante para fazer?", insistiu a Fitipa.

"Tenho de ir a um sítio...", eu não queria dizer onde ia e preferia guardar segredo em relação à mulher misteriosa.

"Onde?", continuou a Fitipa.

"Um sítio, F.  Mas eu depois vejo se posso ir lá ter...", disse.

"Nem te incomodes... Já percebi Bar, se não estás disposto a fazer um esforço porque raio havemos nós de o fazer. Tu continuas com os teus segredos e com a tua vida misteriosa. Ainda vais acabar sozinho. Adeus.", disse a Fitipa com ar de quem tinha feito desta nossa conversa, a última que iríamos ter. Eu não consegui dizer uma palavra, apenas fiquei ali parado enquanto ela virava as costas.

Suspirei e pensei que talvez ela tivesse razão, o meu destino era estar e ficar sozinho. 

 

Sem mais demoras e colocando os sentimentos de lado fui em direcção à casa do Dr. Rato para finalmente ter a minha resposta. Quando lá cheguei passei pelo mesmo que da última vez... toquei à campainha e lá veio a "senhora" mãe do Dr. Rato que me mandou ir para o ilustre escritório do mesmo, a cave.

Bati à porta e com a autorização devida entrei. Lá dentro estava o Dr. Rato nos seus quatro computadores e vários quadros brancos com fotografias, mapas e alguns rabiscos numa língua que eu desconhecia...

"É xhosa.", disse o Doutor.

"Santinho?!", respondi.

"Não, a língua que estás a ver nesses quadros chama-se xhosa, é uma língua da África do Sul.", disse o Doutor.

"Ah bom... porque não português?", perguntei.

"Porque assim ninguém descobre os meus segredos, mesmo que seja apanhado. Poucas pessoas conhecem essa língua e assim fico com vantagem cultural.", explicou.

"Pois pois, claro. Vantagem cultural e desvantagem mental...", disse completamente chocado com a loucura que o homem demonstrava.

"Gozas agora, um dia vais ver como é necessária ter vantagem cultural sobre certas pessoas.", disse o Doutor.

"Está bem, mas não estou aqui para isso. Vi o papel que me colocou na mochila, estou aqui porque quero saber quem é a mulher e já nem vou questionar a forma como conseguiu colocar o papel dentro da mochila.", disse.

"Simples, disfarcei-me de estudante e coloquei quando estavas na fila para entrar para a escola. Mas vamos ao que interessa, a mulher mistério...", começou o Dr. Rato.

"Sim, a mulher a mistério... quem é ela? O que anda aqui a fazer e como raio desapareceu do nada enquanto eu a perseguia.", perguntei eu impaciente.

"Vejo que estás sem paciência por isso vou directo ao assunto. A mulher que tens visto chama-se Princesa Maionese, é uma alien e tem sido avistada em outros locais do mundo fazendo aparições estranhas para o comum mortal. A sua missão na Terra é descobrir a sua cria que lhe foi roubada há cerca de quinze anos e enviada para este planeta pelos seus pais, os Reis do planeta dos Molhos da Via do Leite Achocolatado que não concordavam com o seu romance com um Príncipe de uma galáxia distante. Pitéu é só mais uma das suas paragens e eu tenho tentado entrar em contacto com ela, mas não consigo...", explicou o Dr. Rato.

Eu fiquei parado a olhar para o homem, completamente em estado de choque e a única coisa que me saiu foi uma gargalhada de todo o tamanho e um sentimento de estupidez porque tinha acabado de trocar uma tarde de diversão com os meus agora ex-amigos por uma reunião com um homem que precisava de internamento rápido num hospício.

"Achas piada? É um assunto sério. A Princesa tem poderes que podem destruir esta cidade.", continuou o Dr. e continuei eu a rir.

Assim que recuperei o folgo, tive de falar uma última vez...

"Uau, lá imaginação tem você. Eu vou-me embora e obrigada por me fazer rir, porque no fundo o senhor é mesmo uma piada...", disse enquanto me dirigia para a porta, saindo para a rua.

Ainda fiquei uns minutos à porta da casa do Doutor Rato antes de me pôr a caminho do orfanato.

 

Assim que cheguei ao portão vi um vulto na esquina do edifício que se escondeu quando reparou que eu o tinha visto. Curioso como sou, decidi ir na sua direcção e assim que virei a esquina uma luz azul faz-me fechar os olhos e assim que os abro dou comigo numa sala preta com luzes azuis fluorescentes e duas cadeiras brancas no centro. Procuro janelas, portas ou outra saída qualquer e já em pânico começo a bater nas paredes aos gritos sem perceber como tinha ido ali parar. Ainda pensei que o Doutor me tinha drogado com algum tipo de pó ou gás, mas esse meu pensamento foi interrompido...

"Bem-vindo Bartolomeu.", era a mulher misteriosa.

"Você?! Onde é que eu estou? Como é que fez isto?", perguntei em pânico.

"Calma meu rapaz. Não estou aqui para te fazer mal. Estou aqui apenas para te alertar, uma vez mais, que pares de andar à procura de informações sobre mim!", disse a mulher.

"Eu só fiquei curioso e queria saber quem era. Afinal desapareceu na frente dos meus olhos e teve comportamentos estranhos em locais públicos da cidade...", disse.

"Claro, compreendo que os jovens sejam curiosos. Como és bom rapaz, digo-te apenas aquilo que precisas saber, o meu nome... Maionese. Não quero magoar ninguém e estou aqui de passagem. Só quero que me prometas que vais parar de andar atrás de informações sobre a minha pessoa.", insistia a mulher.

"Maionese?!...", questionei lembrando-me da história do Dr. Rato.

"Sim. Já ouviste falar de mim?", perguntou.

"Eu? Não... quer dizer, sim... Apenas para pôr em saladas. Eu só quero sair daqui, por isso sim, prometo que não irei procurar mais informações sobre si. Parei.", disse perante o olhar confuso da mulher.

"Ok. Promessa arquivada e eu levo-as muito a sério, por isso se falhares eu estarei de volta para uma conversa não tão amigável.", ameaçou a mulher e imediatamente a mesma luz azul bloqueia-me a visão e vejo-me sentado no relvado do jardim do orfanato.

 

"Não pode ser. Aquele maluco não pode ter razão!", pensei para mim mesmo. Isto estava a tornar-se demasiado bizarro, mas se alguém me podia ajudar com coisas bizarras e estranhas era sem dúvida o Rato. Peguei no meu telemóvel e no papel com as informações do homem e enviei uma mensagem.

"Precisamos falar! Ass: Barry"

 

A resposta não tardou...

"Não, obrigado. Acabaram as visitas à piada da zona."

 

Eu sabia que perante tal birra, só uma coisa o faria ajudar-me. Respondi...

"Por favor. Eu aceito a posição de assistente e prometo que não gozo mais."

 

Olhei para o portão do orfanato e lá vi o Jaimi com a Fitipa e mais dois rapazes, provavelmente dois novos amigos e percebi que os tinha perdido e que não podia inclui-los nesta loucura principalmente porque nunca iriam acreditar em mim. O meu telemóvel tocou e depois de ler a mensagem eu sabia que já não havia volta a dar...

 

"Bartolomeu Querido, sê bem-vindo ao mundo Estranho. Mãos á obra!"

 

 

CAPÍTULO VI

 

O ÓRFÃO.jpg

 

 (Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o quinto capítulo. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

24
Nov17

O ÓRFÃO . CAPÍTULO IV

A Hipster Chique

CAPÍTULO III

 

 

!! P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Panteão !!

Já só falta um dia para votarem na primeira fase dos Sapos do Ano 2017 !

 

 

IV

 

 

Tomei então a decisão de contactar o Dr. Rato, pois o homem lida com coisas estranhas, não fosse o seu site, o Website Estranho e ia pedir ajuda com isto. Não vejo mais ninguém que fosse acreditar num miúdo.

Quem é aquela mulher e o que raio lhe aconteceu?

 

Ainda faltavam umas horas para o recolher obrigatório, que normalmente acontece uma hora antes da hora de jantar, por isso aproveitei e fui à escola buscar as informações de contacto do Dr. Rato e assim entrar em contacto com ele.

Assim que cheguei à escola, para surpresa minha, a Fitipa estava a falar com o Jaimi na entrada e antes que me vissem ou que eu os pudesse chamar, eles trocam um beijo na boca e eu fiquei um pouco em estado de choque. Não imaginava que houvesse sentimentos entre eles para além da amizade e muito menos percebia o porquê de me estarem a esconder isso. Fiquei no meu canto e após aquele beijo, cada um foi para o seu lado.

Ainda abalado, mas focado no meu objectivo, escondi-me nas escadas de um prédio porque o Jaimi estava a ir em direcção ao orfanato e assim que ele passou fui tirar as informações ao panfleto, que mesmo já estando gasto dava para ver a morada.

Confesso que cheguei a pensar duas vezes antes de me dirigir à casa de um estranho que tinha cara de quem me ia arrancar um rim e abandonar-me numa banheira cheia de gelo, mas com coragem suficiente toquei à campainha. Veio uma senhora idosa à porta...

"Sim? Diga lá o que quer.", disse a senhora com uma voz rouca e com um bafo de quem fuma desde que saiu da vagina da mãe... ou pai.

"Boa tarde. O meu nome é Barry e eu queria saber se aqui vive o Dr. Camões Rato. Precisava de falar com ele.", disse.

"Barry é nome de cão e doutor?? Doutor do quê?? Esse é o desajeitado do meu filho, que não se chama Camões, mas sim Cassandro, Cassandro Caça Rato. Está na cave, podes seguir.", respondeu a mulher apontado o caminho para a cave.

 

Bati e ouvi uma voz que dizia para entrar e ao abrir a porta da cave um pouco a medo, mal tive dez segundos para ver o estava lá dentro porque o Dr. Rato aparece-me à frente...

"Finalmente, um futuro assistente! Como te chamas filho?", disse ele.

"Olá Dr.. O meu nome é Barry e peço desculpa, mas não. Vinha aqui para falar consigo sobre outro assunto e não para me inscrever como seu assistente. Não me leve a mal, apenas não tenho tempo para essas coisas.", disse.

"Humm, compreendo. Também fica sabendo que tenho muitos candidatos ao lugar e que ainda bem que não te estás a inscrever porque isto será um concurso feroz e violento. Mas diz lá então, o que te traz à sede do WebSite Estranho?", perguntou o Dr..

"Claro, bem... por onde começar. Eu vi algo que não consigo muito bem explicar o que foi e como aconteceu, mas basicamente eu tenho visto uma mulher a vaguear as ruas e a meter-se em situações complicadas, como numa discussão com o segurança do SuperPitéu, uma visita ao Dr. Fizvaldo Pitéu e a desaparecer do nada no limite do bosque Pitesco. Como é uma situação estranha, penso que me poderia ajudar a saber quem é essa mulher.", expliquei da melhor forma que consegui.

"Curioso de facto... Vejo que és alguém atraído pelas obscuridades e estranhezas deste mundo. Tens a certeza que não te queres juntar à causa?", insistiu o Dr. enquanto andava de um lado para o lado.

"Sim, tenho. Apenas gostava de saber quem é aquela mulher e o que anda cá a fazer.", continuei.

"Já agora, porquê?", perguntou o Dr..

"Curiosidade, apenas curiosidade.", respondi.

"Tudo bem, eu ajudo-te a saber quem é essa mulher...", disse o Dr..

Fiquei imediatamente entusiasmado com a ideia... por estranho que parecesse...

"A sério? Muit...".

"Se fores meu assistente", interrompeu-me o Dr. Rato.

"Desculpe? Não. Isso está fora de questão. Não vou ser assistente de um estranho falso Doutor que tem um website sobre coisas estranhas.", disse.

"Curioso dizeres isso porque tu é que vieste ter com o estranho falso Doutor que tem um website sobre coisas estranhas para alimentar a tua curiosidade. Ou te juntas a mim como meu assistente ou podes esquecer a minha ajuda... Barry.", respondeu o Dr..

"Foi uma perda de tempo vir aqui negociar com um doido!", disse eu saindo abruptamente da cave e deixando a casa do Dr. Rato visivelmente irritado.

Tive de voltar para o orfanato a correr porque faltavam cinco minutos para o recolher obrigatório.

 

Mantive-me calado durante o jantar, muito por causa do que tinha acontecido com o Dr. Rato, mas também porque o Figo mostrou a sua colecção de potenciais fungos que tinha recolhido do pé direito durante o seu banho mensal. Outra pessoa que mal abriu a boca foi o Jaimi, que após o jantar dirigiu-se para o quarto. Decidi segui-lo e confronta-lo com aquilo que tinha visto entre ele e a Fitipa.

"Ei, Jaimi! Então, já nem dizes nada? Queres ir ver vídeos de anacondas a dançar com pintainhos bêbados? Ainda há uma colectânea que não vimos.", disse.

"Ei mano. Não, não me apetece. Acho que vou mesmo fazer os trabalhos de casa e depois descansar.", respondeu o Jaimi.

"Trabalhos de casa? Vá lá, não sejas assim. Precisamos pôr a conversa em dia. Quer dizer, a conversa de hoje, do que aconteceu hoje na nossa vida de diferente e do qual não tenhamos conhecimento.", disse eu, subtilmente.

"Tu viste-me com a Fitipa, não viste?", disse o Jaimi em jeito de confissão.

"Pois, vi. Não percebo porque não me contaste que andas com ela. Somos os três grandes amigos, porquê fazer disto um mistério?", perguntei.

"Bar, eu sei que tu achas que tudo continua na mesma, mas não. Nas férias fechaste-te no teu mundo da escrita e quase nunca ligavas à Fitipa ou a mim, que vivo mesmo na cama ao lado. Tu desligaste-te de tudo e todos e no primeiro dia de aulas ages como se nada se tivesse passado.", disse o Jaimi.

"Como assim?", perguntei um pouco confuso.

"Olha, eu não quero confusões. Mas foste tu que te afastas-te e nós sentimo-nos usados por ti, como se só servíssemos para o tempo de aulas. Já não somos os três grandes amigos... tu não foste um grande amigo durante três meses. Podemos continuar amigos, mas as coisas mudaram. Agora desculpa mas vou fazer os trabalhos de casa.", respondeu o Jaimi enquanto se afastava de mim.

 

"Terei eu afastado os meus amigos sem dar conta?, pensei eu...

A verdade é que estive a maior parte do tempo agarrado ao computador a escrever e mal sai para apanhar um ar. Apenas acho o Verão depressivo e muito calor faz-me mal ao espírito. Não quis ser negligente nas minhas amizades, mas também neste momento não conseguia pensar nisso, tinha aquela mulher na cabeça e não me ia tornar assistente de um maluco para conseguir saber quem ela era. Ou seja, o meu computador e algumas horas de pesquisa iam ter de fazer o trabalho por ele.

Pesquisei "mulher desaparece do nada", "mulher com arma estranha", que me fez encontrar páginas perturbadoras e até "mulher estranha aparece em cidade", mas todas as pesquisas foram um beco sem saída. Para pensar mais claramente, fui até ao meu blog ver o que se passava e reparei num comentário que tinha no meu último post...

 

"Ut oãn etsiv adan. Arap ed ratnet rarucorp satsip erbos meuq uos!"

 

Bastou pegar num espelho e lá estava "tU não viste nada. parA de tentar procurar pistas sobre quem sou!". A primeira pessoa que me veio à cabeça foi a mulher misteriosa, mas ela não tinha qualquer informação de quem eu era e não escrevi nada sobre ela no meu blog.

Mas escrevi sobre o Dr. Rato e ele percebeu que levo a curiosidade muito a sério e talvez tenha escrito este comentário para me colocar mais curioso e como não tenho uma solução, teria de virar assistente dele para obter ajuda. Mas isso não ia acontecer!

Respondi ao comentário...

 

"Volta para a cave da tua mãe e deixa-me em paz! Sou um menor, isto é perseguição!"

 

Penso que o ataquei bem com aquilo da cave da mãe. Mas quem sou eu para falar das escolhas dos outros em relação a locais onde decidem viver se eu vivia num quarto com um amigo que não quer saber de mim, um hipocondríaco e um rapaz novo cuja forma de comunicação é através de post-its.

Fui para a cama ler um pouco e dormir porque este dia já deu o que tinha a dar. 

 

Assim que me preparava para deitar recebo uma notificação de que alguém comentou a minha resposta no blog e quando abri a notificação não queria acreditar no que estava a ler...

 

 

CAPÍTULO V  

O ÓRFÃO.jpg

 

(Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o quarto capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.)  

16
Nov17

O ÓRFÃO . CAPÍTULO III

A Hipster Chique

CAPÍTULO II

 

 

P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Portistas.

E fiquem a resposta vencedora do Giveaway, do Triptofano.. If I Were a Girl.

 

 

III

 

 

Lá pensei no dia que tinha passado, no porquê da Fitipa não me falar, a introdução da aula de história com aquele Dr. e naquela mulher que me fez sentir ameaçado.

Bom começo para quem queria um ano lectivo calmo...

 

Já eram dez da noite e eu continuava no telhado a olhar para as estrelas e a aproveitar o silêncio que sabia que não tinha dentro do orfanato. Assim que voltasse para dentro ia levar com os dramas desportivos do Jaimi, a nova doença do Figo, que é hipocondríaco e com o Sr. Godofredo a mandar-nos dormir a cada cinco minutos porque não conseguimos sossegar antes da meia noite. Normalmente paramos antes se ele trouxer a Fiona, porque aquela cabra foi treinada para morder assim que ouvir a palavra "Coça". Até hoje não sei a ligação entre coçar e morder...

Acabei por ir para dentro e o Jaimi lá estava a discutir tácticas de lacrosse com outro rapaz e eu resolvi ir para a cama escrever no blog. Assim que pego no computador o Figo já estava ao meu lado...

"Barry, preciso que me vejas um sinal que tenho na barriga! Está com uma cor estranha, alaranjada e acastanhada e eu tenho comichão.", disse o Figo.

"Figo, já te disse que isso são coisas da tua cabeça e que tens de te acalmar. Já tomaste a medicação de hoje?", disse.

"Já! Não é da minha cabeça, prometo. Vê, por favor!", implorou o Figo.

"Está bem. Mostra lá a mancha.", disse.

Assim que o Figo levantou a camisola não havia dúvidas sobre o que se estava a passar.

"Figo, isso não é um sinal. Isso é uma mancha de molho de tomate da bolonhesa do jantar. Tenta limpar com água e vais ver que passa.", disse, já sem paciência.

O Figo em vez de seguir o meu conselho, levou o dedo à boca e toca de usar saliva como lava tudo e conseguiu limpar o tal "sinal" assustador. 

"B, obrigado. Estava mesmo assustado. Agora posso estar descansado.", disse o Figo.

"E podes também ter mais higiene.", pensei eu. Ele era bom rapaz, mas há limites. 

 

Abri o computador e finalmente deixei-me embarcar no mundo do meu blog...

 

 

Entrada #41

 

Olá...

o dia hoje foi estranho. Já aqui vos contei da parvoíce que foi aquela apresentação do Dr. Rato, mas o que ainda me incomoda é o facto da Fitipa não me falar. Sempre fomos amigos e já não nos víamos há umas semanas, mas estava tudo bem antes, o que será que mudou?...

Provavelmente estar a ler isto F, e podias-me dizer que raio se passou... Enfim.

Vi a Madonna na escola e lá estava ela, linda de morrer e com o brilho mais angelical do mundo. Escrevi uma música para ela e agora só me falta encontrar os acordes perfeitos. Talvez consiga ter coragem e um dia cantar-lhe e este "talvez" é mais "quando ela estiver solteira", sim, porque eu vou esperar.

Posso colocar aqui apenas um pedaço do refrão da música que tem como título "Olhos Quadrados":

 

"Tu sobes e desces,

tu saltas e cais,

Com esse teu brilho ,

Como não te amar mais,

 

A vida perdeu-se,

Nos teus olhos dourados,

Mas no fundo eu sei,

Que eles são apenas quadrados"

 

Profundo, eu sei.

Pode ser que depois de mostrar esta letra com os acordes ao Storbot 4567, ele vai finalmente deixar-me abrir um Glee Club lá na escola, porque a música é outra das minhas paixões. Sou um romântico incurável.

Bem, por aqui fico que se está a fazer tarde e já começo a ver o Figo a vir na minha direcção agarrado ao nariz, uma cavidade com o qual não me apetece confraternizar.

 

O Órfão

 

Fui dormir na esperança de acordar e ter um dia muito melhor.

 

7h00

Credo, hoje não consegui acordar mais cedo e levei com o berro da Fiona e nunca acordo bem disposto depois de tal alarme. Nem o banho me ajudou e o pequeno-almoço são papas de aveia, por isso já imaginava que o dia não fosse de facto ficar melhor. Esperei pelo Jaimi nas escadas do orfanato e fomos para a escola, onde mais uma vez a Fitipa se encontrava no portão e eu estava decidido a falar com ela e perceber o que se passava.

Pedi ao Jaimi para me deixar ir ter com ela sozinho e ele foi indo para a sala.

"Bom dia F! Tudo bem?", disse.

"Olá Barry.", respondeu a Fitipa com um ar seco.

"Podemos falar? É importante.", disse.

"Não precisas de falar muito Bar, eu vi o teu post no blog. Eu não estou chateada, apenas ando sem cabeça e com alguns problemas familiares. Desculpa se te fiz pensar que estava chateada.", explicou a Fitipa.

"A sério? Ainda bem. Não queria nada perder uma amiga como tu.", disse.

"Não perdes. Eu vou tentar andar mais sociável e deixar o mau humor em casa. Como tens estado? Adorei a tua música para a Madonna.", disse a Fitipa.

E lá ficamos nós a falar e a pôr os assuntos em dia. Confesso que já tinha saudades.

 

Deu o primeiro toque de entrada e lá fomos nós ter com o Jaimi para a primeira aula do dia, matemática, com o Storbot Pi. Gosto desta aula porque a Madonna Pitéu senta-se ao meu lado e costumamos ficar em grupo nos projectos, mas hoje ela não veio à aula e eu fiquei um pouco preocupado.

Seguiu-se a aula de Espanhol, Educação Física e Geografia e nada de Madonna, logo tomei a decisão de ir a casa dela ver se estava tudo bem e levar os apontamentos das aulas.

Perguntei se a Fitipa e o Jaimi queriam vir comigo, mas ambos estavam ocupados com as actividades extra-curriculares da escola, como o treino de lacrosse e claque. Fui então sozinho em direcção à moradia dos Pitéu que ficava num dos bairros mais ricos da cidade, o Pitéu Hills. Quando lá cheguei toquei à campainha e apresentei-me...

"Boa tarde. Eu sou o Barry, colega da Madonna, vinha trazer-lhe os apontamentos da escola e saber se estava tudo bem.".

Não obtive resposta, mas o portão abriu-se o que levei como se fosse uma resposta afirmativa e entrei. Assim que cheguei à porta da casa, nem precisei bater porque estava alguém a sair. Era a mulher que estava a discutir com o segurança do SuperPitéu que com cara de poucos amigos se despediu do Dr. Fizvaldo Pitéu. 

"Boa tarde. Deves ser o Barry, o colega da minha filha Madonna. Obrigada por trazeres os apontamentos. Contudo a minha filha não está disponível de momento, mas podes deixar os apontamentos comigo.", disse o Dr. Pitéu.

"Claro. Mas está tudo bem com a Madonna?", perguntei.

"Sim, está. Foi só uma pequena indisposição. Obrigada pela preocupação.", disse o Dr. Pitéu enquanto lhe entregava os apontamentos. 

Despedi-me e fui embora em direcção ao orfanato. Tinha um trabalho de Geografia para escrever e esta não é a minha melhor disciplina.

Antes de chegar ao orfanato vi a mulher misteriosa a caminhar em direcção ao parque e num acto de estupidez decidi segui-la e assim que entra na zona dos limites do bosque Pitesco desaparece. Literalmente! O corpo da mulher foi evaporado! Fui ao limite do bosque e não vi nada. 

Fiquei um pouco assustado e comecei a correr para sair do parque em direcção ao orfanato e só parei quando cheguei ao meu quarto. Fui para o telhado e ainda assustado tentei pensar no que vi e percebi que não havia uma explicação lógica para o que tinha acabado de ver. 

 

Tomei então a decisão de contactar o Dr. Rato, pois o homem lida com coisas estranhas, não fosse o seu site o Website Estranho e ia pedir ajuda com isto. Não vejo mais ninguém que fosse acreditar num miúdo.

Quem é aquela mulher e o que raio lhe aconteceu?

 

 

CAPÍTULO IV

O ÓRFÃO.jpg

 

 

(Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o terceiro capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.)  

11
Out17

O Sítio . Capítulo XX

A Hipster Chique

CAPÍTULO XX

 

Este capítulo será o último que irei colocar aqui no blog, porque "O Sítio" irá seguir um caminho diferente, irá sair em livro no final do próximo ano. A mesma história, mais detalhes e mais mistérios. Espero que tenham gostado destes vinte capítulos e desta história que não irá acabar aqui.

Para que este meu cantinho não fique sem um pouco de ficção, irei apresentar na próxima semana a nova série que irá fazer parte dos posts semanais. Sem mais demoras, apresento então o último capítulo d'O Sítio, aqui no blog.

 

 

CAPÍTULO, O VIGÉSIMO

 

 

 

A Ema, o Vasco e o Hugo já tinham terminado uma lista gigante de possíveis suspeitos, o Barry trouxe o manuscrito com alguns documentos para tentarmos descobrir o código da cria e eu e o Tobias tínhamos a ideia de um plano para invadir a O.P.I.M..

Por isso parece mesmo que este nosso grupo de amadores, ou S.A.I.D.A.S. como diz o Hugo, vai mesmo cometer suicídio conjunto.

 

Podíamos ter um plano e as coisas pareciam estar a andar para a frente, mas eu estava nervosa. No fundo não passávamos de um bando de adolescentes a tentar invadir uma base secreta de uma organização de força quase militar. 

Mesmo com tudo isto o meu nervosismo estava também ligado ao beijo que o Tobias me deu. Ele fez tanta porcaria nos últimos tempos e deixou-me de pé atrás com isto tudo, que fará se eu misturar sentimentos mais íntimos... Preciso de o tirar da cabeça.

"Jessyca, concordas?", perguntou o Hugo.

"Ah? Não estava a ouvir, desculpa. Concordo com o quê?", perguntei.

"Antes de irmos ao ataque da O.P.I.M. devíamos ir dar uma volta pelo Sítio para tentar identificar outros que tenham a tatuagem de ovo rachado, para diminuir a nossa lista. Dividimo-nos em três grupos de dois e procurávamos em diferentes locais onde a malta da nossa idade se encontra.", explicou o Hugo.

"Boa ideia, sim. Mas não podemos adiar muito o assalto à O.P.I.M.", disse.

"Vamos agora durante o dia procurar potenciais jovens com as tatuagens de ovo rachado e vamos depois do jantar para a O.P.I.M. porque durante a noite não tem tantos agentes e conseguimos fugir melhor. Se nos conseguirmos safar pensamos em decifrar os códigos da cria com a ajuda de quem mais interessa aqui, o Rato e a Maionese", disse o Tobias.

"Concordo! Excelente ideia. Vamos então sair e procurar possíveis não-crias.", disse.

"Ou sortudos!", rematou o Barry.

 

Fizemos três grupos de dois com papéis retirados de uma tigela e nem de propósito fiquei com o Tobias para ir para o parque, o Barry ficou com o Hugo e foram para o café do Xavier e o Vasco com a Ema que ficaram com a biblioteca e sala de estudo.

No parque estavam vários grupos e como ainda estava tempo quente, vestiam pouca roupa, logo podíamos ver bem o pulso de cada um. Levei um bloco de notas e fui apontando os nomes para depois retirar da lista.

  • Gaspar Costelo
  • Branca Fisga
  • Edgar Ganso
  • Tatiana Tavira
  • Miguel Ião
  • Viviana Guarda

Cerca de dez pessoas não tinham tatuagem nenhuma, logo entravam na lista de possíveis crias. Mais à frente no parque reparei que um palco estava montado com um cartaz que anunciava o concerto dos Pingos Soltos, que estavam nesse preciso momento a fazer o sound-check.

Decidimos sentar-nos um pouco e apenas ficamos calados a ouvir a música "Levitar um Porco no Churrasco", uma balada da banda...

 

"Às vezes não sei o que te dizer

Às vezes só fico apenas a olhar

Porque mesmo sentindo demais

Preciso deixar-te ir

 

Eu não sei como te prender

Eu não sei se tu vais ficar

Eu só sei que tu não vais ver

Quando eu levitar um porco no churrasco

No churraaasco, no churraaaasco..."

 

De repente o Tobias olha para mim e eu sabia que ia ser um pouco impossível não falar sobre o que nos aconteceu...

"Tu estás chateada comigo?", perguntou.

"Não. Apenas fiquei um pouco em choque e sinceramente preferia não falar do que aconteceu.", disse.

"Quando podemos falar?", perguntou o Tobias.

"Quando isto tudo estiver resolvido. Porque nós precisamos de estar focados no assalto à O.P.I.M..", disse.

"Combinado. Devíamos ir ter com os outros porque esta música está a fazer-me sangrar dos ouvidos.", disse o Tobias.

Fiquei desagradada com aquela afirmação porque eu adorava esta música, mas ele é estranho e eu não quero pensar nos gostos dele ou nele no geral.

 

Fomos ter com os outros à garagem e em conjunto conseguimos quarenta e seis nomes de pessoas com a tatuagem de ovo rachado que provavelmente nem sabiam porque tinham tal desenho no pulso.

"A Carolina Banana estava de camisola de manga comprida e não conseguimos ver se tinha tatuagem. Ainda lhe perguntamos as horas, mas ela nem respondeu.", disse o Hugo.

"Mas ela supostamente foi raptada. Se fosse a cria a Princesa Maionese tinha descoberto, parado com a busca e não tínhamos ido tão longe.", disse o Tobias.

"Então porque raio estava toda tapada num dia em que estão 39º?", perguntei.

"Não podemos agora perder tempo com isso. Temos de nos preparar para o assalto.", disse a Ema e com razão.

 

Vestimos roupas pretas, preparamos lanternas, o Tobias foi para a O.P.I.M. e ficou combinado que às 21h ele desligava a electricidade e lançava uma granada de fumo na sala principal para ser criada uma emergência que destrancasse a porta das traseiras e fizesse com que todos os agentes fossem para a sala. Tínhamos até às 21h03 para entrar, seguir para as salas de detenção, colocar o código "4391" na porta das celas, retirar a Princesa Maionese e o Dr. Rato e sair pela porta das traseiras.

Estava tudo pronto, eram 20h50 e estávamos à espera do sinal do Tobias...

"Desde que quase matei a minha avó quando me assumi gay que não tinha tanta adrenalina no meu corpo.", sussurrou o Hugo.

"Hugo, não é o momento apropriado.", disse a Ema.

"Calem-se, está quase na hora.", disse.

Mal acabei de falar recebo uma mensagem do Tobias para irmos para a porta das traseiras e assim que lá chegamos ouvimos uma sirene e as portas destrancaram-se automaticamente.

Entramos a correr e ainda vimos um último agente a dirigir-se para a sala principal. Continuamos caminho e a Ema abriu a porta que dava acesso ao túnel das celas.

Chegamos à primeira cela e com o código que o Tobias nos deu abrimos a porta e para surpresa nossa, estava vazia. Seguimos para a outra cela que vazia estava. Não percebemos o que se estava a passar e o Tobias entretanto já se tinha reunido connosco para nos ajudar por isso decidimos entrar numa das celas para procurar por pistas. Assim que entramos todos, uma porta de vidro cai e forma uma barreira nas nossas traseiras.

Tentamos sair de todas as maneiras, mas nada. Ouvimos um barulho e de repente um vulto aproxima-se da porta de vidro... era o Capitão Douradinho Tio Viagem.

"Que grupinho que eu aqui tenho e que desilusão ver que te juntaste aos fracos, Tobias.", disse o Capitão.

"Tira-nos daqui! Nós só viemos salvar o Dr. Rato e a Princesa Maionese que tu ilegalmente prendeste!", respondeu o Tobias.

"Eles são uma ameaça para nós, humanos.", disse o Capitão.

"Vocês querem encontrar a cria para a usar como uma arma!", disse.

"Sim! E nós até temos uma lista de suspeitos que nunca iremos entregar. São cerca de cento e tal pessoas, mas nós vamos conseguir diminui-la porque há certas pessoas aqui na população do Sítio que até podem parecer aliens por certas atitudes, como o Joaquim da Ramada que anda a recolher assinaturas para poder casar com uma boca de incêndio, mas ...", disse o Hugo quando o interrompi, porque ele quando fica nervoso, perde o filtro e a inteligência.

"Uma lista de cento e tal? Ena, tantos. Pois, eu também tenho a minha lista e é bem mais pequena.", disse o Capitão.

"Tem?! Como? Quem está nessa lista?", perguntei.

"Boa pergunta Jessyca! Eu não tinha essa lista até agora. Mas a partir do momento em que esta porta de vidro se fechou e vocês ficaram aí dentro, a minha lista tem agora apenas seis suspeitos. Porque ambas as celas foram programadas para reconhecer os traços genéticos da cria e assim que ela coloca-se um pé aí dentro, automaticamente a cela fechava-se.", explicou o Capitão.

"Está a querer dizer?...", disse.

O Capitão fez uma pausa, olhou para mim e disse...

 

"Sim Jessyca, um de vocês é a cria!"

 

 

E este é o fim da série "O Sítio" aqui no blog! A história completa com mais detalhes, mas mistérios e a revelação da verdadeira identidade da cria irão ser divulgados em livro, que irá ser lançado daqui a um ano.

A nova série que irá substituir "O Sítio", irá ser um spin-off sobre uma das suas personagens que será apresentado na próxima semana. Espero que tenham gostado!

 

O SÍTIO.jpg

15
Set17

O Sítio . Capítulo XIX

A Hipster Chique

CAPÍTULO XVIII

 

 Este capítulo é especial por um motivo, será dividido em três partes e não serão narradas pela Jessyca, cada uma delas será narrada por três personagens diferentes. Esta escolha terá muito mais lógica lá para a frente. Espero que gostem.

 

 

CAPÍTULO, O DÉCIMO NONO

(Capítulo Especial)

 

 

"Boa. Faz isso! Já chega, temos de tentar decifrar os códigos e fazer um plano definitivo para entrar na O.P.I.M.. Ema, Hugo e Vasco, vocês vão fazer uma lista de possíveis suspeitos de serem a cria, jovens entre os 17 anos, Barry, vai buscar o manuscrito e o Tobias e eu ficamos a fazer um plano de entrada na O.P.I.M..", disse a Jessyca.

 

 

BARRY

 

Afastei-me da casa da Jessyca e ia à casa que tinha alugado no AirSóB buscar o manuscrito, pois tinha trazido vários materiais de pesquisa que eram do Dr. Rato e acho que até poderiam ajudar nesta busca.

Eu já sabia há algum tempo que o Dr. Rato tinha tido uma paixão com a Princesa Maionese e que andavam ambos, em separado, à procura da sua cria e que o primeiro passo que ele queria tomar era encontrar o filho ou filha que ambos tinham em conjunto. Mesmo assim não me recordo de quando ele me fez a tatuagem, mas acredito que o tenha feito para me proteger de possíveis ataques do O.P.I.M..

Ele é como um pai para mim, visto que sou órfão e estive até aos 16 anos num orfanato, antes do Dr. me dar trabalho e um tecto. Todas as pessoas lá da cidade pensam que ele é maluco, eu acho-o genial e vou fazer de tudo para o encontrar.

 

Cheguei a casa e andava à procura do manuscrito...

"Onde é que eu o meti?", falava eu comigo mesmo, algo que penso que o Dr. passou para mim. Trouxe uma mala cheia de documentos, diários e notebooks.

"Encontrei!", gritei assim que pus a mão ao diário que tinha o manuscrito e suas anotações, pois o manuscrito estava escrito em xhosa, uma língua da África do Sul, para protecção de dados. Eu aprendi um pouco de xhosa, mas não o suficiente para uma tradução sem apoio das anotações.

Toc, Toc, Toc... tocaram à porta. Estranho, porque não dei a minha morada a ninguém e devia ser apenas a senhoria da casa a querer saber se estava tudo bem. Arrumei os documentos, guardei o diário e abri a porta... era um homem alto acompanhado por outro vestido com farda da polícia.

"Boa tarde jovem, o meu nome é Capitão Viagem e trabalho para a polícia local. Soube que é novo na cidade e queria dar-lhe as boas vindas e fazer algumas perguntas de rotina. Algo que costumamos fazer com visitantes, turistas, estrangeiros no geral. Podemos entrar?", perguntou.

"Eu estava de saída e com alguma pressa, mas posso ir à Estação de Polícia para falar convosco assim que estiver livre. Pode ser ainda hoje.", respondi. Eu sabia que o nome dele não me era estranho e lembrei-me do nome do chefe do O.P.I.M., Capitão Douradinho Tio Viagem, não podia ser coincidência.

"Insistia que fosse agora. É rápido.", insistiu o Capitão.

"Peço desculpa, tenho mesmo de ir. Com licença.", disse, fechando a porta. Apanhei o máximo de documentos importantes e material do Dr. para uma mochila ou tudo o que pudesse denuncia-lo pois sabia que não poderia voltar cá e que assim que saísse, o O.P.I.M. ia invadir a casa. Saí a correr em direcção à casa da Jessyca após recolha dos documentos. Fiz alguns desvios porque não queria ser seguido.

 

Assim que cheguei a casa da Jessyca, percebi que tinha sido o primeiro a despachar-me na minha tarefa, pois a Ema, o Hugo e o Vasco ainda não tinham acabado de terminar a lista sobre os sujeitos que poderiam ser a cria e a Jessyca e o Tobias estavam lá em cima a discutir planos. Começava a sentir algo pela Jessyca, mas talvez com o Tobias por perto eu estivesse em desvantagem. Então fiquei ali numa mesa à parte da garagem a analisar o manuscrito e tentar pôr tudo em ordem para quando nos juntássemos todos.

 

 

HUGO

 

A tarefa que a Jessyca deu a mim, ao Vasco e à Ema, não era assim tão fácil quanto parecia. Como eu já vivo aqui neste buraco há 17 anos, eu teria de fazer a maior parte do trabalho onde o Vasco inspirava-me a pensar e a Ema apenas dava comigo em doido com a mania do controlo.

"Hugo, faz por ordem de idades! Primeiro os que tem 17 anos e depois os que fizeram 18 anos à menos de 2 meses. Tem mais lógica assim. E não esqueças de nos adicionar.", gritava a Ema, sim, porque ninguém fazia a bicha histérica ladrar mais baixo.

"Ema, querida, sossega sim! Não interessa as idades por ordem, porque nós nem sabemos a data de nascimento do ET e recuso-me a acreditar que os meus pais me adoptaram.", disse.

"Eu não me recuso a acreditar, ó desastre. Porque para que conste, eu fui criada numa sede de uma organização de terroristas que querem lutar com E.T's, por isso nada me espanta se eu for filha de uma Princesa Maionese e um Dr. que nem diploma deve ter com um website ilegal chamado Website Estranho. Eu adoro ketchup, tudo é possível.", disse a Ema.

"Sim, com sorte és tu. Já te imagino com uma palhinha na cabeça, que te irá crescer nesse mar de óleo a que chamas cabelo assim que vires a mamã ET e o papá Doutor juntos.", disse com o meu tom de sempre, sarcástico.

 

"Podem parar os dois?! Isto é ridículo. Vamos tentar pôr o nome de todos os jovens de 17 e 18 anos que não tem tatuagem e ponto. Temos de levar isto a sério.", disse o Vasco.

Eu concordei porque não conseguia dizer não àquela cara linda. Desde o Malaquias, o meu ex e primo em quarto grau, que não me apaixonava por ninguém e o Vasco conquistou-me rápido. Não sabia onde a nossa relação ia ter e como iria fazer se ele tivesse de ir embora, mas gosto tanto dele.

Tenho saudades da normalidade e de quando podia falar com a Jessyca sobre os meus devaneios amorosos. Não conseguia aceitar a ideia de ser um ET, ou o Vasco... Precisamos resolver isto.

 

Peguei numa caneta e comecei a escrever os nomes dos meus colegas de turma e tentei preencher o máximo possível com outros de outras turmas e pessoas que mesmo com 17 e 18 anos já não andavam na escola. Eram cerca de 200 nomes. Seria algo estranho andar a pedir a todos para ver o pulso em busca de tatuagem de ovo rachado ou completo. E perguntar estava um pouco fora de questão.

"E se a cria é alguém que esteve cá, mas já cá não está. O tempo não para só porque andamos nesta missão.", questionou o Vasco.

"Tens razão, mas temos de jogar com as cartas que temos.", disse a Ema.

Entretanto ouvimos a porta da garagem a abrir e era o Barry, que penso que está com um fraquinho pela Jessyca, mas a Jessyca tem uma crush enorme pelo Tobias, que penso que sente o mesmo mas comporta-se como um atrasado mental. Um triângulo amoroso em tempo de guerra, parece o Pearl Harbor dos tempos modernos. Adoro!

Demos uma última vista de olhos na lista e fomos ter com o Barry para ver o manuscrito enquanto o Tobias e a Ema estavam lá em cima a discutir os planos, ou a fazer outras coisas, sabe-se lá.

 

 

TOBIAS

 

Eu não tinha ideia de como ia meter este grupo de amadores dentro da organização super protegida do meu pai, mas ao menos comigo tinham melhores hipóteses e podia estar perto da Jessyca.

Nunca fui uma pessoa de sentimentos e tentei sempre evitar apaixonar-me porque queria ser como o meu pai um dia e focar-me na carreira militar. Até isso me estava a incomodar. Eu achava que o O.P.I.M. era uma organização do bem e que estávamos a proteger a população, mas afinal não, apenas parecem interessados em poder.

"Estás a prestar atenção ao que estou a dizer?!", disse a Jessyca.

"Sim, estou. Estavas a dizer?", perguntei.

"Eu acho que talvez haja uma boa oportunidade de entrarmos pela portas das traseiras, a da emergência.", disse a Jessyca.

"Como?!", perguntei um pouco confuso.

 

"Causando uma emergência claro. Tu tens de causar uma emergência! Nos documentos da O.P.I.M. diz que quando há uma emergência seguida de uma falha de energia o gerador demora cerca de 3 minutos a ligar.", explicou a Jessyca.

"Ok. Então tu queres que eu crie uma emergência e desligue a energia de uma base enorme, de preferência uma que chame os guardas para a Sala Principal. A energia fica em baixo por 3 minutos, vocês os quatro entram pela porta de emergência, libertam a Princesa e o Dr. Rato e saem todos pela mesma porta. Tudo em menos de 3 minutos?", perguntei.

"Sim. Nem mais! Que achas? Achas possível?", perguntou a Jessyca.

"Não acho impossível e isso já é alguma coisa. Precisamos estudar bem o plano e os timings e principalmente que emergência será essa.", respondi.

A cara da Jessyca mudou. Estava a sorrir e eu adorava aquele sorriso e todo aquele positivismo. Estávamos a trocar olhares, contentes com o nosso pré-plano e eu não resisti... beijei-a.

 

Foram apenas alguns segundos, mas foi como se de repente nada se passasse, não houvesses crias, nem Princesas, nem ET's, nada.

"Porque fizeste isto?", sussurrou a Jessyca.

"Desculpa, sei que não devia. Fiquei contente com o nosso plano e deixei-me levar. Desculpa.", expliquei, de certa maneira mentindo. Eu queria fazer aquilo, queria beija-la há muito tempo.

"Tudo bem. Acho que devíamos ir, devem estar todos à nossa espera.", disse a Jessyca com uma cara atordoada...

Saímos do quarto e fomos em direcção à garagem. Lá já estavam todos à nossa espera.

A Ema, o Vasco e o Hugo já tinham terminado uma lista gigante de possíveis suspeitos, o Barry trouxe o manuscrito com alguns documentos para tentarmos descobrir o código da cria e eu e Jessyca tínhamos a ideia de um plano para invadir a O.P.I.M..

Por isso parece mesmo que este grupo de amadores, ou S.A.I.D.A.S. como diz o Hugo, vai mesmo cometer suicídio conjunto.

  

 

CAPÍTULO XX

 

O SÍTIO.jpg

 

(Esta é uma série que já faz parte do blog d'A Hipster Chique há algum tempo e aqui está o décimo nono capítulo. Link dos restantes capítulos no inicio.)

11
Set17

O Sítio . Capítulo XVIII

A Hipster Chique

CAPÍTULO XVII

 

 

CAPÍTULO, O DÉCIMO OITAVO

 

 

 

A resposta do Tobias foi algo que não estávamos à espera...

"O bilhete diz, "EU LEMBRO-ME"."

 

O Dr. Rato sabia que era o Príncipe e provavelmente usava o Website Estranho para conseguir informações sobre onde a cria e a Princesa Maionese estavam e as peças do puzzle começavam a encaixar-se.

"Temos de organizar a informação sobre o que sabemos.", disse.

"Tens razão, vamos fazer uma lista...", concordou o Tobias.

"Vamos dar-lhe o nome de "Projecto da S.A.I.D.A.S"!", gritou o Hugo.

"Porquê SAIDAS?", perguntou o Tobias confuso.

"SAIDAS é o nome do nosso grupo desde que saímos do O.P.I.M.. Quer dizer, Somos A Irmandade Do Amável Sítio.", explicou o Hugo.

"Humm, tens a certeza que tu não és a cria? Com tanta ideia do outro mundo.", disse o Tobias com uma gargalhada.

Ninguém achou piada mas o Tobias não deixava de ter razão, a cria podia ser qualquer um de nós neste momento. Com tanta coisa mirabolante, não duvidava se a cria fosse uma galinha.

"Já chega. Vamos fazer a lista...", disse a Ema.

 

 

Projecto da S.A.I.D.A.S.

 

  • O Dr. Rato é o Príncipe (João Hérnia) e sabe disso
  • Através do Website Estranho ele tirava informações sobre a cria e a Princesa Maionese
  • Quem tiver tatuagem de ovo rachado não é a cria
  • Quem tiver tatuagem de ovo inteiro é a cria
  • A Princesa Maionese e o Dr. Rato estão prisioneiros na base do O.P.I.M.
  • O Barry é assistente do Dr. Rato

 

"Alguém tem de falar com o Barry. Ele pode ser um bom aliado.", disse o Vasco.

"Como assim? Apenas sabemos que ele é o assistente do Dr. Rato, não sabemos as suas intenções.", disse o Tobias.

"Eu vou mandar-lhe mensagem para marcar um encontro e tento falar com ele sem lhe dar muitas informações.", disse.

"Não acho isso boa ideia. E se fores vai com alguém.", disse o Tobias.

"Que bom que não mandas.", respondi.

E por ali ficou a nossa conversa. Eu ainda estava um pouco de pé atrás com o Tobias e não conseguia reagir normal. Afastei-me do grupo e mandei mensagem ao Barry...

 

Para: Barry

"Olá Barry. Preciso de falar contigo com urgência. Achas que nos podemos encontrar no café do Xavier?"

 

Esperei por uma resposta e fui pensando no que devia dizer-lhe, porque em parte o Tobias tinha razão, não podíamos confiar assim cegamente no Barry e contar-lhe todos os nossos planos. Pensei que talvez a intenção dele fosse apenas tentar encontrar o patrão, mas tinha de esperar para saber e decidi que iria ser frontal e directa. Recebi uma mensagem...

 

De: Barry

"Olá Jess. Claro que sim. Daqui a dez minutos no café do Xavier. Até já."

 

Assim que vi a resposta anunciei ao grupo que ia ter com o Barry para falar com ele...

"Devias ir com alguém.", insistia o Tobias.

"Não preciso. É num café público e se ele me quisesse fazer mal, já tinha feito.", disse eu confiante.

"Pronto, tu é que sabes.", respondeu o Tobias desagradado com a minha atitude.

Confirmei a quantidade de informação que ia trocar com o Barry com o grupo e fui embora. A caminho do café do Xavier vi a Carolina Banana a falar com um rapaz que não me era estranho e ela estava a discutir com ele de forma violenta. A vaca era histérica, por isso não dava para perceber ao certo a sua intenção. Decidi ignorar e continuar caminho.

Quando cheguei ao Xavier, o Barry já lá estava sentado e fez-me sinal com a mão. Fui pedir uma garrafa de água ao bar e dirigi-me para a mesa.

"Olá Jess. Fiquei surpreso com a tua mensagem e um pouco preocupado com a tua urgência em falar comigo. Que se passa?", perguntou o Barry.

"Olá Barry... Queria falar contigo sobre o Dr. Rato, Dr. Camões Rato. Sei que és assistente dele.", disse sem ter noção da rapidez com que falei e talvez devesse ter sido menos directa.

 

"Bem, não estava à espera dessa tua frontalidade, mas penso que devo reagir como tal. Como sabes que sou assistente dele? Eu vim procura-lo, porque sei que ele veio cá em missão.", disse o Barry.

"Fui eu que o chamei cá. Como descobri não é agora importante. Eu chamei-o cá porque uma tal de Princesa Maionese ameaçou o Sítio com maldições e acontecimentos estranhos estavam a suceder-se. O Hugo encontrou o Website Estranho e o Dr. Rato falou-nos sobre uma lenda da Princesa Maionese e que queria vir cá para saber mais e fazer uma melhor investigação.", expliquei o melhor que consegui.

"Se foste tu que o chamas-te, deves saber onde ele anda, certo?", perguntou o Barry.

"Sei. Mas não sei se te posso contar.", respondi.

"Como assim? Eu só quero saber onde ele está. Ele é como uma pai para mim e eu já trabalho com ele neste negócio há 2 anos. Já percebi que sabes mais do que contas e podes confiar em mim. Só quero mesmo saber onde ele está. Ele deixou de me responder e nunca ficou tanto tempo em blackout comigo.", disse o Barry.

Eu acreditei nele e queria contar-lhe mais, ele pareceu genuinamente preocupado com o Dr. Rato e talvez com mais informação poderíamos ter uma conversa mais esclarecedora. 

Contei-lhe tudo o que se estava a passar, mesmo ele sabendo já de algumas coisas, desde o quadro a arder, ao jogo fulminante dos Galetas, o O.P.I.M., a prisão do Dr. Rato e da Princesa Maionese, o significado das tatuagens, o facto do Dr. Rato lembrar-se que era o Príncipe, do nosso novo grupo S.A.I.D.A.S e até dos planos para entrar na base do O.P.I.M. e libertar os prisioneiros.

O Barry precisou de uns momentos para reflectir e após muitas caras de choque reagiu...

"Está bem. Eu quero ajudar! Conheço o Dr. Rato e sei informações que vocês não tem acesso. Leva-me ao grupo e eu ajudo.", disse.

Eu concordei e saímos do café do Xavier em direcção à minha casa.

 

Quando chegamos estavam todos sentados na garagem à espera...

"Decidi contar ao Barry tudo o que se anda a passar e ele veio ajudar-nos.", disse.

"E como sabes que podemos confiar nele?", perguntou o Tobias.

"Podem confiar em mim. Eu só quero encontrar o Dr. Rato são e salvo. E posso ajudar, sei coisas que vocês não sabem.", respondeu o Barry.

"Tais como?", perguntou o Tobias.

"Tais como eu vos poder dar a certeza de quem é o Dr. Rato. O seu nome verdadeiro é mesmo João Hérnia, ou Príncipe Vago e que a história da Princesa Maionese não é lenda, é verdade e assim que ele saiu da Via do Leite Achocolatado, o encantamento que o Rei fez para lhe tirar a memória desapareceu, mas ele nunca conseguiu lá voltar. Acabou aqui na Terra e desde então criou o Website Estranho e tem andado numa missão para encontrar a Princesa e a cria que tem em conjunto. Eu ajudo-o há dois anos e sei que todas as vezes que ele foi em missão porque havia uma pista da Princesa, ele nunca conseguia nada, até vir ao Sítio.", explicou o Barry.

"Ele já esteve perto de encontrar a cria?", perguntou o Hugo.

"Não, nem ele nem a sua concorrência, o O.P.I.M..", disse o Barry.

O nome chamou-nos à atenção e o Barry contou-nos que desde que o Dr. Rato começou a sua demanda na procura da Princesa e da cria que o O.P.I.M. tenta seguir os seus rastos para encontrar a cria em primeiro.

Tínhamos mais informações, mas uma pergunta a vaguear...

"Mas afinal o que tem a cria assim tão de especial para todos a quererem encontrar o mais rápido possível?", perguntei.

"A cria não sabe que é um alien e é um bem poderoso e quem a encontrar primeiro e tiver acesso a uma consola da verdade pura pode configurar a sua personalidade com um de dois códigos que estão presentes no manuscrito original que conta a lenda. Um dos códigos serve para configurar a personalidade de forma normal e apenas dar-lhe acesso a traços aliens, como super inteligência e força física, outro dos códigos permite configura-la como uma arma, um ser malvado com poderes sobrenaturais e com capacidades letais", respondeu o Barry.

"E o O.P.I.M. tem uma consola da verdade pura, qual o código que quer usar?", perguntou o Tobias.

"Acho que sabes a resposta a essa pergunta.", respondeu o Barry enquanto ambos trocavam olhares.

 

Ficamos assustados e em estado de choque com este desenvolvimento mas tínhamos de agir.

"Como temos acesso aos códigos?", perguntou o Vasco.

"Eu posso arranjar uma cópia do manuscrito original. Mas o Dr. Rato nunca foi capaz de o resolver. Mas podemos tentar.", respondeu o Barry.

"Boa. Faz isso! Já chega, temos de tentar decifrar os códigos e fazer um plano definitivo para entrar na O.P.I.M.. Ema, Hugo e Vasco, vocês vão fazer uma lista de possíveis suspeitos de serem a cria, jovens entre os 17 anos, Barry, vai buscar o manuscrito e o Tobias e eu ficamos a fazer um plano de entrada na O.P.I.M..", disse.

 

Não sei bem o que estávamos a fazer, mas tínhamos de fazer algo. Eu só queria a minha vida normal e calma aqui no Sítio.

 

CAPÍTULO XIX

 

(P.S. Foi uma grande pausa sem escrever O Sítio, mas estou de volta e esta semana sairá na quinta-feira um capítulo especial!)

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(Esta é uma série que já faz parte do blog d'A Hipster Chique há algum tempo e aqui está o décimo oitavo capítulo. Link dos restantes capítulos no inicio.)

17
Ago17

O Sítio . Capítulo XVII

A Hipster Chique

CAPÍTULO XVI

 

 

CAPÍTULO, O DÉCIMO SÉTIMO

 

 

Não podia ser coincidência. Ambos tinham a mesma tatuagem no pulso e não se lembravam onde tinham feito e o que significava... Seria algo relacionado com a Princesa Maionese? Será que o Barry está ligado a esta confusão toda?

 

Mesmo não parando de pensar na situação das tatuagens tinha de me focar na nossa entrada clandestina na O.P.I.M. e mesmo não confiando a 100% no Tobias, ele era a nossa única hipótese de sucesso. Já íamos em longa noite de planos e discussões, já tínhamos o mapa mas para entrar lá seria preciso muito mais do que reconhecimento do local.

"Tive uma ideia!", disse o Tobias.

"Conta.", disse.

"Eu ainda tenho poder lá dentro e antes de qualquer coisa penso que devia tentar falar com os prisioneiros em questão e saber também como nos podem ajudar. Afinal estamos a falar de um alien e de um ser humano que estudou aliens a vida toda.", explicou o Tobias.

"E que provavelmente fez mais que os estudar, certo?! Certo?", disse o Hugo rindo-se sozinho...

"Tudo bem. Mas houve confirmação da verdadeira identidade do Dr. Rato?", perguntou o Vasco.

"Sim. Segundo as informações que conseguimos recolher sobre a cria e os dados fornecidos na nave da Princesa Maionese, concluímos que o Dr. Rato é na verdade o Príncipe das histórias, João Hérnia, ou seja, o pai da cria.", disse o Tobias.

"O que planeiam fazer com essa informação? A O.P.I.M. não levava isto a fundo se não tivesse um plano por detrás.", perguntou a Ema.

"Tens razão, há um plano. O pai quer ter acesso a todas as informações possíveis sobre a cria. A ideia seria encontra-la antes da Princesa, agora o porquê, nem ele me diz.", disse o Tobias.

Continuamos a falar do plano do Tobias, que até era bom, mas porque iria querer o Capitão Douradinho Tio Viagem ter acesso à cria antes da Princesa? Bem, uma pergunta de cada vez...

Acabamos a reunião e o Tobias voltou para a O.P.I.M. e no dia seguinte depois das aulas tínhamos combinado uma reunião para falar sobre informações que ele conseguiu com a Princesa Maionese e o Dr. Rato. Já eu, fui dormir que estava bem cansada e tantas coisas na minha cabeça nunca era bom.

 

Acordei antes do despertador, era sexta-feira e como tal eu conseguia cheirar as panquecas de nabo que a minha mãe faz. Lá me levantei, tomei banho e fiz um pequeno show de karaoke na banheira ao som da música dos Pingos Soltos, Levitar Um Porco No Churrasco, fui à garagem e a Ema já tinha saído para a escola e fui tomar o pequeno almoço com os meus pais.

"Ai Jessyca rapariga, agora andas sempre com muitas companhias atrás de ti. Tu vê lá se são más companhias.", disse o meu pai.

"Não pai. São boa gente, não te preocupes.", disse.

"Eu não me preocupo filha, mas se descobrem que somos donos de uma farmácia ainda te pedem medicamentos e essas coisas e sabes que eu não sou dessas confianças. A não ser lá com o Virgem.", foi a resposta do meu pai que veio acompanhada de um olhar de esguelha da minha mãe.

"Sim pai. Vou para a escola que já estou atrasada.", disse.

Como ia distraída a ouvir a minha música, nem dei conta das horas e cheguei atrasada, mas assim que entrei na escola e fui logo para a aula de Matemática Nas Redes Sociais e a aula estava cheia. Tobias, Barry, Ema e Hugo olharam para mim assim que cheguei e todos levaram um pequeno cumprimento.

Sentei-me, levei com um sermão da professora e lá se passou a primeira aula, depois a segunda, a terceira e finalmente saímos. Penso que estávamos todos ansiosos para saber que novidades o Tobias nos trazia.

 

Estava na saída à espera dos outros quando sinto um toque no ombro...

"Olá Jess. Então, nunca mais disseste nada ontem.", era o Barry.

"Olá Barry. Desculpa, foi uma noite complicada. Como estás?", disse.

"Estou bem, ainda ando aqui a conhecer as redondezas. Tens aqui uma cidadezinha muito fascinante.", disse o Barry.

"É verdade.", eu não o queria despachar mas estava mais interessada na reunião que ia ter dentro de momentos, mas o Barry continuou...

"Mesmo. Vocês recebem muitos estrangeiros ou gente de fora? Digamos, tem muito turismo?"

"Temos algum. Tínhamos mais por causa dos Galetas, mas agora como estão em remodelações do estádio e substituição das equipas, não temos assim tantos turistas. Porquê?", perguntei.

"Por nada. Já tinha ouvido falar desta terra pela boca de um amigo e como agora aqui vivo apenas queria saber mais.", respondeu o Barry, sorrindo.

Antes que pudéssemos continuar a conversa, que estava um pouco estranha, vejo a Ema a fazer-me sinal, já na companhia do Vasco, do Hugo e do Tobias.

Despedi-me do Barry, pedi desculpa e meti-me em caminho com os outros para minha casa.

 

A nossa reunião teve lugar no que era definitivamente a sala de reuniões dos S.A.I.D.A.S. segundo o Hugo e assim que nos sentamos todos, direccionamos os nossos olhares para o Tobias, que falou...

"Tenho algumas notícias para vos dar."

"Desenvolve!", disse quase num grito.

"Calma... Então, eles transportaram a nave da Princesa Maionese para as instalações da sede da O.P.I.M. que fica em Ribeiro Baixo, perto do Ribeiro Alto para poderem fazer leituras biométricas de todo o hardware e software que a nave tem. Ainda não consegui descobri o que o meu pai quer fazer com a cria, mas tem algo relacionado com os laboratórios porque todas as pastas confidenciais sobre a mesma estão lá arquivados e quase ninguém tem acesso. Tentei falar com a Princesa, mas não me deixaram, muito menos com o Dr. Rato.", disse o Tobias.

"E não conseguiste mais nada? Podias ter dito isso por mensagem!", disse a Ema.

"Sim, podia, mas não ias querer saber por mensagem que tiveram a confirmação que a cria se encontra de facto no Sítio e há uma maneira de a identificar.", disse o Tobias.

"Como assim? Como soubeste isso e qual é a maneira?", perguntei.

"Eu tive acesso aos ficheiros da Princesa Maionese e por causa de uma coisa que tu me perguntas-te eu acabei por resolver o enigma.", disse-me o Tobias.

"Explica-te...", disse.

"Simples, tu perguntas-te sobre a minha tatuagem e a verdade é que eu não sei porque a fiz, mas descobri o quando. Sei que a tenho há menos de um ano. Agora não fui a nenhuma loja de tatuagens e não sei como a tenho. Mesmo assim depois de fazeres essa pergunta eu lembro-me de ter visto um símbolo parecido nos ficheiros da Princesa Maionese e segundo reza a história a Princesa lançou-se na busca pela cria e para desviar suspeitos, ela marcava os mesmos com tatuagens de ovos rachados até encontrar a sua cria que irá ter uma tatuagem de ovo inteiro.", explicou o Tobias.

"Então isso quer dizer que tu não és a cria?", perguntou o Hugo.

"E não só. Se tens essa tatuagem há menos de um ano, quem te fez? Estiveste em contacto com a Princesa e ela fez-te a tatuagem?", perguntou também a Ema.

"Sim, esta tatuagem ao que tudo indica é um sinal de que não sou a cria. E como fiz contacto com a Princesa há menos de um ano e lhe disse que a ajudava, ela deve ter-me marcado para desviar a possibilidade de eu ser a cria.", disse o Tobias.

 

Eu estava calada e apenas ouvia o que o Tobias contava e uma pergunta começou a rondar a minha cabeça, "Porque raio o Barry tinha a tatuagem?" e como tinha contado isso à Ema, não precisei de abrir a boca, ela tratou disso...

"Jessyca, o Barry tem a mesma tatuagem que o Tobias não tem!? Tu disseste-me no outro dia, depois do vosso encontro.".

"Sim, é verdade, o Barry tem essa tatuagem, mas não sei porquê. Não sei qual a ligação dele com a Princesa Maionese.", disse.

"Não sabes tu, mas sei eu.", disse o Tobias.

"Como assim?", perguntei.

"O Barry, ou Bartolomeu Querido, é nada mais nada menos que o assistente do Dr. Rato.", respondeu o Tobias.

Por muito que estivéssemos a processar tudo o que o Tobias nos estava a contar, realmente a conversa do Barry começava a fazer algum sentido, o amigo que já cá esteve no Sítio é o Dr. Rato e muito provavelmente ele estava à procura dele. Eu contei esta minha teoria ao grupo e todos acreditaram que poderia bem ser o que se estava a passar.

"Mas como tem ele a tatuagem? Esteve em contacto com a Princesa Maionese ou foi o Dr. Rato que lhe fez? Visto que é o Príncipe.", perguntou o Vasco.

"Ele é o Príncipe, mas na história o pai da Maionese tirou-lhe a memória, logo ele não podia ter feito a tatuagem.", disse a Ema.

"Aí está o mais interessante. Mesmo não conseguindo falar com a Princesa ou com o Dr. Rato, tive acesso um pequeno bilhete que foi encontrado no casaco do Dr. Rato.", disse o Tobias enquanto desdobrava um pequeno papel e o colocava na mesa.

No papel podia ler-se "NDIKHUMBULA".

"É suposto sabermos o que isso quer dizer?", perguntou a Ema.

"Não. Eu próprio tive de pesquisar. Isso está escrito em xhosa, uma língua da África do Sul, onde o Dr. Rato andou a fazer pesquisa durante uns tempos.", disse o Tobias.

"E o que quer dizer??", perguntei eu já bastante impaciente.

 

A resposta do Tobias foi algo que não estávamos à espera...

"O bilhete diz, "EU LEMBRO-ME"."

 

 

CAPÍTULO XVIII

 

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(Esta é uma série que já faz parte do blog d'A Hipster Chique há algum tempo e aqui está o décimo sétimo capítulo. Link dos restantes capítulos no inicio.) 

08
Ago17

O Sítio . Capítulo XVI

A Hipster Chique

CAPÍTULO XV

 

 

CAPÍTULO, O DÉCIMO SEXTO

 

 

Mas o que era aquela tatuagem e o que significa um ovo de galinha rachado?

 

Afastei-me daquela pergunta que me pairava na cabeça e comecei a pensar no plano para entrar no O.P.I.M. e libertar a Princesa Maionese e o Dr. Rato.

Só de pensar que aquela história que o Dr. Rato contou sobre a Princesa Maionese podia ser verdade e que o Príncipe era ele mesmo deixava-me em choque, no fundo era uma história de amor que ainda podia ter final feliz. Poderiam reencontrar-se e juntarem-se à sua cria. 

Depois de muitos esboços não cheguei a lado nenhum... precisava da ajuda da Ema. Decidi reunir alguns pontos importantes, fazer os trabalhos de casa e ir dormir.

 

Acordei na manhã seguinte com o som do despertador da Ema, o som era uma mistura de vaca com dragão e penso que acordou até os vizinhos da cidade mais próxima. Já que estava acordada comecei a preparar-me para a escola, desci para tomar o pequeno almoço com os meus pais que continuavam sem ter noção do seu próprio desaparecimento.

"Estás muito calada ó Jessyca. Que se passa?", perguntou a minha mãe.

"Nada mãe. Estou apenas um pouco sonolenta. A Ema?", respondi.

"Está bem. A tua amiga já passou por aqui, pegou numa fatia de carne assada e disse que esperava por ti lá fora. E já agora, tens de lhe dizer que aquele barulho de despertador não é barulho para acordar gente.", disse a minha mãe.

"Eu digo-lhe, fica descansada. Até logo.", disse.

Assim que cheguei lá fora a Ema estava já a falar com o Hugo e o Vasco. Aqueles dois já andavam de mãos dadas e eu só torcia para que desta vez o Hugo tivesse sorte.

"Finalmente Jessyca, estávamos à tua espera. A escola hoje fechou. Houve greve dos talhantes e agricultores. Sabes que sem carne e legumes aquela escola não funciona. Temos o dia livre e podemos começar já pela nossa reunião!", informou-me o Hugo.

"Boa! Precisamos meter mãos à obra. Vamos para a minha garagem.", disse.

 

Fomos para a minha garagem e usei a minha velha mesa de ping-peúga como mesa de reuniões. Já não a usava há algum tempo, mas antes passava a vida a jogar com o meu pai. É um jogo onde cada jogador tem uma raquete e tenta acertar com peúgas sujas num caixote que está nos extremos da mesa, quem chegar primeiro às 6 meias colocadas no caixote ganha. Saudades... mas a reunião tinha de começar.

"Vamos lá então. Ideias e planos! Quem tem?", perguntei.

Ficamos todos a olhar uns para os outros e percebemos que ninguém tinha um plano feito e que teríamos de fazer um brainstroming no momento para chegar a algum lado.

"Como vamos começar?", disse o Vasco.

"Acho que pela planta da base. Vocês sabem-na certo?", perguntei à Ema e ao Vasco.

"Há locais que eu não tive acesso e nem sei como estão protegidos.", disse o Vasco.

"Nem eu.", disse a Ema.

"Então quem é que lá dentro tinha acesso à maior parte da base?", perguntei.

"O Tobias, o meu pai, a minha mãe e outro agente sénior. Todos os outros agentes eram espalhados pelas várias secções e por ali ficavam, não tinham mais informações.", disse a Ema.

"Vamos começar pelo que sabemos de certas secções da O.P.I.M..", disse o Hugo.

 

Depois de uma hora de escrita, fizemos esta lista...

  • Fica na Mansão "Custódia"/Viagem, na Rua Principal
  • Base subterrânea com áreas exterior disfarçadas
  • Controlo de entrada com reconhecimento de voz, leitura ocular, impressão digital e leitura de cartão
  • Entrada protegida por dois guardas/agentes
  • Uma saída de emergência que só abre em caso de emergência
  • Duas salas chamadas "X" e "Y" (não se sabe o que contêm)
  • 8 celas protegidas por 5 guardas
  • Dois jardins e um espaço de treino exteriores, protegidos nas entradas com vedação eléctrica

 

"Já não é mau.", disse.

"Sim, mas era ainda melhor se tivéssemos a planta completa, com os detalhes todos.", disse o Hugo.

"Está mesmo fora de questão meter o Tobias ao barulho?", perguntou o Vasco.

"Sim, mas...", disse.

"Mas o quê?", perguntou a Ema.

Continuei...

"Ontem no encontro que tive com o Barry, encontrei o Tobias e ele disse que queria falar comigo, que era importante e que nós não sabíamos tudo.", disse.

"Vamos falar com ele. Marca um encontro e vamos todos. Assim não estás desprotegida e pelo menos ouvimos o que tem a dizer.", disse a Ema.

Após alguma discussão lá concordei em marcar um encontro com o Tobias para saber afinal o que tinha ele de tão importante para me contar. Mandei-lhe uma mensagem e ele disse-me para o encontrar nas traseiras da minha casa, onde havia um jardim de rodénias. Rodénias eram umas flores que apareceram há 5 anos aqui no Sítio. Diz-se serem flores geneticamente alteradas, uma mistura de Rosas com Gardénias.

Era também o jardim onde há noite havia meninas, galdérias como a minha mãe as chamava.

A hora chegou e fomos todos ao encontro do Tobias...

 

"Pensei que virias sozinha.", disse o Tobias.

"Não e ou falas com nós todos, ou não falas com ninguém.", respondi.

"Tudo bem. Tenho quase a certeza que as vossas mentes brilhantes estão a preparar algo para tentarem entrar na O.P.I.M.. Mas não vão conseguir, pelo menos não sem mim.", disse o Tobias.

"Como assim? Afinal estás de que lado?", disse a Ema.

"Estou do lado da verdade. Eu ajudei sim, a prender a Princesa. Fiz jogo triplo com ela, com vocês e com o O.P.I.M., mas apenas porque queria descobrir a verdade. Eu não sei as verdadeiras intenções do O.P.I.M., mas também não sei as verdadeiras intenções da Princesa Maionese e precisava que ela libertasse os reféns. Fazendo-a prisioneira posso ter controlo do que lhe fazem. Há laboratórios e salas secretas dentro do O.P.I.M. e agora que os reféns estão soltos e que parece que tudo voltou ao normal, acho que está na hora de libertar o Dr. Rato e a Princesa e saber exactamente quem são e o que pretendem.", explicou o Tobias.

"Tu precisas de ajuda com tanta personalidade e confusão que tens... Nunca falhes a medicação!", disse o Hugo.

"A partir de agora os meus objectivos são descobrir a cria e saber as intenções da Princesa e do Dr. Rato.", disse o Tobias.

"Porquê tanto jogo sujo?", perguntou a Ema.

"Porque acho que o pai nos mente em relação ao O.P.I.M.... Não acho que seja assim uma organização tão boa para o mundo. Deixem-me ajudar-vos.", disse o Tobias.

 

Houve um momento de silêncio e penso que falei por todos quando me dirigi ao Tobias...

"Precisamos de uma planta da base do O.P.I.M. e que nos arranjes maneira de entrar lá dentro. Assim talvez possamos começar a pensar em confiar em ti.".

"Combinado. Não vos consigo arranjar uma planta original, mas posso ajudar-te a desenhar uma.", disse o Tobias.

Decidimos ir para a minha garagem e após uma meia hora tínhamos uma amostra de planta.

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"Não está má...", disse o Vasco.

"Não está não. Agora só precisamos de um plano para lá entrar.", disse.

"Isso eu consigo arranjar. Prometo que estou aqui para ajudar. Só quero que tudo fique bem e por enquanto o meu pai ainda confia em mim e consigo ter acesso à base.", disse o Tobias.

"Ok, fica lá com as tuas promessas e faz mas é aquilo a que te comprometeste.", disse a Ema, que no fundo era a que estava a sofrer mais com isto tudo pois virou as costas à família...

Enquanto o Vasco, o Hugo e a Ema davam mais uma vista de olhos na planta, eu aproveitei o momento para fazer uma pergunta ao Tobias, que me estava entalada há algum tempo...

"Posso fazer-te uma pergunta?".

"Claro que sim.", disse oTobias.

"Essa tatuagem que tens no pulso, o ovo rachado, o que quer dizer?", perguntei.

"Ah, esta tatuagem. Hum, pois... hum... acho que não sei.", respondeu o Tobias.

"Como assim não sabes? Quando fizeste essa tatuagem? E o que significa?", perguntei outra vez.

"Não sei, não me lembro de a fazer... não sei mesmo o que significa... juro... hum... não, não sei...", disse o Tobias.

 

Eu tinha todos os motivos para não acreditar nele, mas a verdade é que aquela confusão parecia-me legítima. O Tobias não sabia onde e quando tinha feito a tatuagem, nem o seu significado...

Resolvi mandar mensagem ao Barry...

Para: Barry

"Olá, tudo bem? Desculpa incomodar mas ontem reparei que tinhas uma tatuagem no teu pulso, que parecia um ovo rachado e gostei bastante do tipo de desenho. Fizeste cá?"

 

Esperei...

De: Barry

"Hey Jess, tudo bem e contigo? Olha, a verdade é que não lembro muito bem onde fiz..."

 

Respondi...

Para: Barry

"Tudo bem também. Achei que pudesse ter algo relacionado com a equipa dos Galos. Hahaha, eu sou dos Borboletas!"

 

A resposta do Barry em nada me acalmou...

De: Barry

"Não... quer dizer, não sei. Não me lembro mesmo onde fiz e o que quer dizer. Talvez tivesse com os copos Hahahah."

 

Não podia ser coincidência. Ambos tinham a mesma tatuagem no pulso e não se lembravam onde tinham feito e o que significava... Seria algo relacionado com a Princesa Maionese? Será que o Barry está ligado a esta confusão toda?

 

 

CAPÍTULO XVII

 

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(Esta é uma série que já faz parte do blog d'A Hipster Chique há algum tempo e aqui está o décimo sexto capítulo. Link dos restantes capítulos no inicio.) 

23
Jul17

O Sítio . Capítulo XV

A Hipster Chique

CAPÍTULO XIV

 

 

CAPÍTULO, O DÉCIMO QUINTO

 

 

 

"Já temos a mãe e o possível pai, só nos falta saber quem é a cria.", disse.

"Isso e como lhe vamos contar que a sua mãe lhe meteu o nome de Mostarda Antiga, ninguém merece, não é nome de gente.", disse o Hugo.

 

Continuamos a nossa reunião que parecia não ter fim nem lógica. Como íamos nós, 4 jovens de 17 e 18 anos entrar numa base secreta de uma agência que ninguém conhece com um reforço de segurança fora do normal?

Tínhamos de pensar bem no que estávamos a fazer, porque mesmo com a Ema e o Vasco, que já foram agentes da O.P.I.M. do nosso lado, iria ser quase impossível do nosso grupo S.A.I.D.A.S, lá entrar e trazer dois prisioneiros sem sermos vistos.

Concordámos que cada um elabora-se um plano para ser apresentado no dia seguinte. O Vasco e Hugo foram embora e a Ema ficou por cá.

 

De repente o meu telemóvel toca e era uma notificação do Facwitter com uma proposta de amizade do Barry, que aceitei imediatamente e uma mensagem...

"Hey, eu sou o Barry, onde se lê o "y", lembras-te? Ahahah xD

Encontrei-te por aqui e queria saber se estavas interessada em tomar um café, ou sumo ou algo líquido... bebidas digo, não alcoólicas?! Certo? Achei-te simpática e gostava de te conhecer melhor, mesmo tendo de confessar que dizer o teu nome sem "y" é um bocado estranho... mas eu gosto de estranho. Isto está a ficar longo... de qualquer maneira possível e um bando de pássaros... e não estou a fazer lógica nenhuma.

Bem, estarei no café do Xavier à tua espera, às 20h30. Espero que apareças. Mais uma vez, é o Barry. Isto aparece o meu nome não aparece? 345befuiawlnc..sd,f~"

 

"Oh meu deus, ele teve uma convulsão a escrever isso ou foi atacado pelo bando de patos.", disse a Ema que ficou a espreitar a minha mensagem.

"Pássaros! E isso é ser cusca.", respondi.

"Cusca?! Vá lá, tens de ir ter com ele. Ele parece muito fixe e boa pessoa. E o Tobias não te merece a ti nem a tua atenção.", disse a Ema.

"O Tobias? Não sei do que falas.", disse eu numa tentativa falhada de esconder os meus sentimentos.

"Toda a gente percebeu Jess. Anda lá, vai! Ele é tão giro e não parece ter doenças. Vais?", disse a Ema.

"Tens razão, vou. E já agora, tu não podes perceber se uma pessoa tem doenças só de olhar para ela.", disse.

Fomos jantar e a Ema ajudou-me a escolher uma roupa para o meu encontro casual e tivemos a escolher algo entre rameira e Maria Madalena, que para mim era a mesma coisa. Ainda entramos numa discussão sobre soutiens airbag ou BagBoobs que eram a última moda cá no Sítio de que eu não era fã, não sei como gostavam de usar um soutien que dá mamas falsas como um airbag assim que lhe derem chapadas. Demasiado doloroso, fisicamente e visualmente.

Estava pronta para o meu encontro casual e assim que cheguei ao café do Xavier vi o Barry na esplanada e fui ter com ele...

 

"Olá Barry...", disse.

"Jessyca, vieste! Pensei que depois daquela mensagem te tivesse assustado. Eu não tenho muito jeito para falar com pessoas.", disse o Barry.

"Bem, assustada ou não eu apareci. Faz-me bem sair e conhecer pessoas novas, tenho passado por uns momentos complicados de que não quero falar.", respondi e meti bastante entoação no "não quero falar".

"Tu saíste e eu sou uma pessoa nova. Parece estar a funcionar! Queres beber alguma coisa? Café, água, sumo?", perguntou o Barry.

"Eu vou lá dentro pedir, preciso de perguntar uma coisa ao Xavier, o dono do café.", disse, dirigindo-me para o balcão no interior do pitoresco café do Xavier.

 

Ia perguntar-lhe algumas informações sobre o Dr. Rato, algo que ele tivesse notado de estranho mas antes que pudesse dizer uma palavra, alguém chamou por mim e a voz era bem familiar...

"Jessyca, por aqui?"... era o Tobias, que não podia vir em melhor altura.

"Tobias, olá. Sim por aqui.", resmunguei.

"Podemos falar? Tentei falar contigo na escola, mas não te encontrei sozinha.", disse o Tobias.

"Sozinha? Para quê? Para me levares para uma das tuas queridas masmorras e me prenderes? Não!", depois de dizer estas palavras, o meu cérebro arrependeu-se no segundo imediato.

"Por favor, é importante! Vocês não sabem tudo. Deixa-me falar contigo.", implorou o Tobias.

"Não. Acabou, pensei que já sabia tudo, enganaste-me mais que uma vez. E estou acompanhada, estou aqui com o Barry, lê-se o "y" e tudo.", até hoje não sei porque disse tal coisa.

"Barry, Bartolomeu Querido!? Boa. Ainda bem. Eu tentei. Se mudares de ideias tu sabes como me contactar.", disse o Tobias, seguindo o seu caminho.

 

Fiquei um pouco frustrada, mas tinha de deixar de pensar e apenas focar-me nesta noite bonita com uma óptima companhia. Pedi a minha bebida e perguntei ao Xavier informações sobre o Dr. Rato, mas ele pouco ou nada sabia, apenas que era um homem desconfiado e fazia uns barulhos estranhos no quarto.

Voltei para a mesa...

"Bem, já tenho aqui a minha bebida. Onde íamos?", disse.

"Podias dizer-me o que se faz aqui no Sítio para diversão da nossa gente mais jovem.", disse o Barry.

"Pois, não temos muita escolha. Costumamos reunir nas nossas garagens e fazemos convívios com música e bebida e algumas vezes a música até é ao vivo. Costumamos improvisar músicas dos Pingos Soltos, uma banda cá da terra. Tens hits como "Romaria à casa do cavalo", "Levitar um porco no churrasco" e a minha preferida "Gonorreia e Alegria". Ou apenas viemos beber aqui uns copos ao Xavier.", disse.

"Parece divertido. Gonorreia e Alegria? É uma música de que género?", perguntou o Barry.

"Rock, mas com um toque electro. Vou pôr um pouco para ouvires.", disse eu enquanto colocava a música a dar no meu Blorify.

 

"Hoje é dia de festa aqui nas bandas,

E eu só penso em ti,

Desde aquela noite nos aviários,

Que o amor por ti é uma agoniaaaa, 

Por causa da...

Gonorreia e alegriaaaa...

Que sintoooo...

Cá dentro ardeeeee.....

Mas estamos juntosss....

Para sempreeee....

Na gonorreia e alegria!"

 

"E agora entra o electro. Mas gostas-te do que ouviste?", perguntei.

"Sim. Essa música é fogo e tem uma letra muito ardente! Um dia tens de me convidar para essas festas de garagem.", disse o Barry.

A conversa continuou e eu fartei-me de rir. O Barry era uma boa companhia e para além de ainda estar com o Tobias a atormentar o meu pensamento, ele conseguiu distrair-me por um momento.

 

"Já está a ficar tarde, talvez seja melhor ir pagar e ir embora. Estou um pouco cansada e amanhã temos aulas.", disse.

"Tens razão. Mas deixa estar que eu pago. Pagas para a próxima! Conta!", disse o Barry que levantou o braço para fazer sinal ao Xavier e foi quando vi que ele tinha uma tatuagem no pulso e não era uma tatuagem qualquer... era uma tatuagem em forma de ovo de galinha rachado.

Eu tinha visto a mesma tatuagem no pulso do Tobias no jogo dos Galetas... seria coincidência?

O Barry foi pagar e seguiu para sua casa, não tive coragem de lhe perguntar o que era aquela tatuagem. Eu fui para casa o mais rápido que pude e assim que cheguei fui ter com a Ema...

"Ema, preciso de saber uma coisa urgentemente!", disse eu quase sem ar de ter ido para casa a correr.

"Respira Jess. Que se passa? Correu bem o encontro?", perguntou a Ema.

"Correu, mas não é isso. Sabes o que quer dizer a tatuagem que o Tobias tem no pulso? O ovo de galinha rachado?", perguntei.

"Não, ele nunca me contou. Porquê? Tu viste o Tobias também?", perguntou a Ema confusa.

"Vi, mas isso não importa. O Barry tem uma tatuagem igual no pulso. Um ovo rachado!", disse.

"Talvez tenha sido moda em alguma altura e ambos fizeram. Pode ser uma coincidência. Não penses nisso. Conta-me mas é o encontro.", disse a Ema.

 

Eu resisti a início, mas lá lhe contei como correu o encontro, como o Barry era giro e ainda ouvimos umas músicas.

Acabamos a conversa e eu fui para o meu quarto... mas não parava de pensar como era de se esperar. Era muito estranho ser uma coincidência e o Tobias até sabia o nome todo do Barry, talvez porque ouviu na aula, mas eu não conseguia esquecer. 

Tinha de fazer um esforço para esquecer, tinha de começar a pensar no meu plano para mostrar amanhã na reunião e tinha de fazer os trabalhos de casa.

 

Mas o que era aquela tatuagem e o que significa um ovo de galinha rachado?

 

 

CAPÍTULO XVI

 

O SÍTIO.jpg

 

(Esta é uma série que já faz parte do blog d'A Hipster Chique há algum tempo e aqui está o décimo quinto capítulo. Link dos restantes capítulos no inicio.) 

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