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A Hipster Chique

As trivialidades de uma geek, talvez um pouco hipster, com algum sentido de humor e criatividade q.b..

A Hipster Chique

As trivialidades de uma geek, talvez um pouco hipster, com algum sentido de humor e criatividade q.b..

09.Nov.17

O Órfão . Capítulo II

CAPÍTULO I

 

P.S. Novo post no blog da rubrica "50 nomes que se dão...". O tema desta semana, Traidores!

 

Na última semana não coloquei o capítulo porque perdi-o nos rascunhos e três horas de escrita e mais de 1500 palavras desapareceram... Mas hoje cá está ele, um novo capítulo e se estás a ler isto é porque nada de mal aconteceu!

 

II

 

 

Bem, mais vale apressar-me porque hoje há jantar de despedida das férias e amanhã é dia de aulas. Só peço para não levar com brilhantes no arroz, porque depois de três meses onde o clube de strip funcionou mais do que a cantina, surpresas serão encontradas no menu...

 

O jantar foi bom, tirando o facto de andar à luta pela última asa de frango com o Jaimi, não porque ele a quisesse, mas porque ele é vegan e então esta é uma das formas de defender os direitos do animal... Enfim, nada que eu não aguentasse, até porque acabei por comer a asa de frango acompanhado pelo olhar de julgamento do Jaimi.

Antes de ir dormir gosto sempre de dar uma vista de olhos no meu blog e escrever algo. Como não sou totalmente anónimo nestas paragens, não queria escrever sobre a situação da asa de frango porque o Jaimi ia levar a mal, então decidi falar um pouco dos meus sentimentos...

 

Entrada #39

Olá...

 

 

Não conseguia escrever, a minha cabeça andava a mil, como sempre. Tenho andado preocupado, vou para o 11º ano e não sei o que quero para a minha vida. Aos 18 anos é costume mandar os rapazes órfãos para casas do campus da Universidade e ai de quem se atreve a dizer que não quer ir. Eu quero ir, mas não sei para que curso e hoje em dia o que tem mais sucesso é Engenharia de Mentes, mas eu não me interesso por codificar mentes de robots para que estes sejam cidadãos funcionais na sociedade.

Quem não quiser ir para a Universidade é automaticamente posto na rua e se não me decidir será esse o meu caminho. Um escanzelado como eu, sem qualquer atributo físico de qualidade, acabarei a trabalhar n'O Varão Saudável a servir cosmos na noite das dragmen, sim, porque aquele local tem especialidade em entretenimento para todos, heterossexuais e qualquer membro do grupo LGBTADDRNF (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Assexuais, Dragqueens, Dragmen, Robotxxx, Ninfos, Francisconas). Segundo o Director do Orfanato no tempo do avô dele era apenas LGBT, mas entretanto outros grupos se juntaram. Para mim é uma estupidez, cada um é como é, não deveria existir rótulos, até porque tenho amigos de todos os grupos.

Vou mas é dormir, tenho de estar pronto para as aulas e para rever os meus amigos.

 

6h59

Desde que colocaram uma cabra a berrar como despertador que consigo acordar um minuto antes de trazerem o animal. A cabra chama-se Fiona porque nasceu com um pequeno problema genético e metade do seu pêlo é verde. É o animal de estimação do Senhor Godofredo, que já cá trabalha há mais de 40 anos.

Uma festinha à Fiona, banho, pequeno-almoço e lá fui eu a caminho da escola com o Jaimi. O Liceu D. Pitéu fica a cinco minutos do orfanato e é uma boa escola. Somos obrigados a andar de farda, pelo menos uma camisa branca e umas calças escuras, porque o que calçamos é à nossa escolha. O nome do liceu, D. Pitéu e o nome da cidade, Pitéu, tem uma lenda que explica a sua origem.

Deixem-me contar-vos:

 

"Era uma vez,

um homem grande, muito grande chamado João. 

João vivia na aldeia de Runa e um dia percebeu que a sua vida precisava de um pouco de aventura.

Em busca de aventuras saiu João da sua aldeia indo parar a uma terra sem nome. Aí, João conheceu Matilde, por quem se apaixonou.

Matilde era treinadora de jibóias e lobos, e um dia naquela terra sem nome, uma jibóia e um lobo juntaram forças e comeram João que cortado a meio foi, para saciar ambos.

Nada previa este fim, mas diz a lenda que Matilde antes de matar os assassinos do seu amor, olhou nos olhos do lobo e da jibóia e viu que João tinha sido um pitéu para ambos. 

Enterrou-os e colocou a seguinte inscrição "Aqui jaz, quem comeu um pitéu"."

 

E assim ficou o nome. Acredito que tal história foi inventada, mesmo com a colocação de uma pedra no alto das escadas da escola e à entrada da cidade com essa mesma inscrição. Como é óbvio nesta cidade são todos muito preguiçosos para pesquisar a sua verdadeira origem.

Nada que atrapalhe os meus dias. 

Estavamos a chegar perto da escola e vimos a Fitipa ao portão. Assim que chegamos perto dela, ela apenas cumprimentou o Jaimi e ignorou-me totalmente. 

"Então, eu não sou gente?!", perguntei.

"Ah, olá. Nem te vi.", respondeu a Fitipa.

"Como assim não me viste? Estou literalmente à tua frente.", disse.

"Desculpa, não te vi. Vou ter com as raparigas, hoje começam os treinos da claque e eu quero manter-me informada.", disse a Fitipa, afastando-se de nós.

 

"Bem... Que foi aquilo?", perguntou o Jaimi.

"Não sei nem quero saber. Miúdas são demasiado complicadas. Vamos mas é para a sala.", disse.

Assim que chegamos à sala de aula, já lá estava o Storbot 5x5, o professor de história. Sempre gostei deste professor, que ao contrário do professor humano sabe mesmo como ensinar. A verdade é que nunca fui contra esta nova lei da substituição dos professores por robots, porque acho que houve melhorias significativas nas notas e no empenho dos alunos, afinal ninguém quer levar um choque eléctrico como castigo.

Quando já estávamos todos na sala e prontos para começar a aula, o Storbot 5x5 faz a introdução do dia...

"Bom dia classe de 2054! Bem-vindos a este novo ano lectivo. Para esta primeira aula vou apresentar-vos alguém que está aqui para vos dar uma palavra de cerca de três minutos. Após esse tempo iremos dar entrada na matéria deste ano lectivo. Apresento-vos sem demora o Doutor Camões Rato.".

E mesmo sem demoras entra um homem na sala de aula. Era o homem mais pequeno que já tinha visto e tinha um ar atrapalhado, confuso e um óculos quadrados que em nada beneficiavam o seu aspecto. Olhou para nós e disse...

"Bom dia. O meu nome é Dr. Rato e estou aqui a convite do director do liceu D. Pitéu..."

"Ninguém o convidou, apenas levou o director Guarda ao limite e ele foi obrigado a deixa-lo falar com pelo menos uma turma para que deixasse de o chatear.", interrompeu o Storbot 5x5. Os storbots tinha uma codificação de mente poderosa que vinha equipada com um detector de mentiras infalível.

"Quem convidou quem não é o importante neste momento. Gostaria apenas de dizer que estou à procura de um assistente para o meu website, "O Website Estranho" e nada melhor que mentes jovens e inteligentes para o trabalho. Por isso vou deixar um panfleto no placard da entrada com informações para as candidaturas ao lugar. Quem estiver interessado já sabe. Alguma dúvida?", perguntou o Dr. Rato.

"Não há tempo para dúvidas. Acabou os três minutos. Por favor dirija-se à saída da sala.", disse o Storbot 5x5, que levava as médias de tempo muito a sério.

"Claro! Já sabem, entrada, placard, informações e candidaturas para o Website Estranho...", disse o Dr. já de saída da sala.

 

Mal o Dr. saiu, o Storbot 5x5 começou a escrever no quadro informações sobre a nova matéria, mas eu fiquei distraído com aquilo que estava a ver pela janela. O Dr. Rato estava a passar um aparelho pelas paredes do edifício com uma máquina estranha e sempre que aquilo apitava ele registava tudo num caderno. Era sem dúvida uma figura bizarra e não parecia bater bem da cabeça.

Voltei a minha atenção para as aulas e aguentei o dia todo sem adormecer. A Fitipa mal falou comigo o dia todo e parecia chateada, algo que preciso de averiguar e o Jaimi foi para os treinos. Segui caminho sem antes passar no tal panfleto do Dr. Rato que era tão bizarro quanto ele.

Decidi ir até ao CPU para navegar um pouco na net e a caminho vi uma mulher aos gritos a ser expulsa do SuperPitéu e parecia ser estrangeira porque não percebia uma palavra do que ela dizia. A discussão estava acessa entre ela e o segurança e eu fiquei sossegado do outro lado da rua a ver se aquilo acalmava porque o CPU era ao lado do SuperPitéu.

A mulher calou-se e sacou do bolso uma máquina estranha, apontou para a cara do segurança que voltou para dentro do supermercado como se nada se tivesse passado. Eu achei aquilo tudo muito estranho, mas ignorei porque podia ser um dos dispositivos inventados pela Mente & Coisas Co., a empresa mais importante cá da cidade que fabricada todo o tipo de tecnologias.

O dono da empresa, Fizvaldo Pitéu é o pai da minha musa, Madonna e um dos homens mais temidos e poderosos da cidade.

 

Finalmente cheguei ao CPU, tirei uma senha, fui para o computador e abri o meu blog na esperança que o meu bloqueio de escritor estivesse resolvido após ter visto tanta coisa estranha durante o dia. Escolhi que ia escrever sobre o Dr. Rato e a mulher que comandou a mente do segurança, uma espécie de paródia. 

Assim que coloquei as mãos no teclado senti uma mão no meu ombro direito e quando me virei vi a mulher que discutia com o segurança...

"Olá. Tudo bem?", disse ela.

Afinal sempre fala a minha língua, pensei...

"Olá. Sim, tudo e consigo?", disse um pouco a medo.

"Também. Queria apenas saber se viste alguma coisa lá fora, em frente aquela loja, assim, estranha, antes de entrares aqui.", disse ela.

Eu percebi o que ela queria saber e para a coisa não ir muito longe disse...

"Não. Não vi nada. Vinha distraído a mexer no meu telemóvel. Porquê?".

"Por nada. Apenas podias ter visto algo, diferente.", insistiu a mulher.

"Não, nada diferente. Sou muito trapalhão e distraído, não vejo nada quando ando na rua.", expliquei.

Sem responder a mulher virou costas e saiu do CPU. Claro que modificou logo a minha ideia de escrever sobre o que vi e fez-me pensar se o que vi afinal foi algo de suspeito...

Estava com tantas coisas na cabeça que resolvi esquecer o assunto, pelo menos por enquanto, escrever no blog sobre o Dr. Rato e regressar ao orfanato.

Assim que cheguei fui tomar banho e pedi dispensa do jantar na sala comum e jantei na secretária do quarto alegando que tinha muito para estudar. Comi e fui para um dos meus locais favoritos do orfanato, o telhado, porque é um local sossegado onde tenho acesso a um céu estrelado e a um silêncio impagável. 

 

Lá pensei no dia que tinha passado, no porquê da Fitipa não me falar, a introdução da aula de história com aquele Dr. e naquela mulher que me fez sentir ameaçado.

Bom começo para quem queria um ano lectivo calmo...

 

 

CAPÍTULO III

 

O ÓRFÃO.jpg

 

 (Esta é a nova série aqui do blog, é um spin-off d'O Sítio sobre a personagem Barry e aqui está o segundo capítulo, uma introdução. Espero que gostem. Um capítulo novo todas as semanas.) 

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