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A Hipster Chique

As trivialidades de uma geek, talvez um pouco hipster, com algum sentido de humor e criatividade q.b..

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12.Ago.17

#dia 210 - Religião

Eu vou falar sobre religião, mas sem brincadeiras.

Desde nascença que cresci num ambiente religioso, fui baptizada e até quando cheguei aos cinco anos de idade entrei na catequese. Tudo me parecia bem na altura, eu podia ver os meus amigos ao sábado durante uma hora, aprendia sobre a vida de Jesus e até havia piqueniques no parque uma vez por mês com outras turmas da catequese.

A primeira comunhão, onde fui com um vestido bonito, houve bolo e até recebi um colar com um santinho que ainda hoje tenho. Penso que também festejei o Pai Nosso, a Festa da Palavra, Entrega do Credo, Profissão de Fé e por aqui parei. 

No início não me pareceu nada de mal, aprender sobre Jesus, a sua vida, mas ao longo dos tempos tudo foi ficando distorcido. Deixem-me explicar.

 

Não sei se isto se passa em todo o lado, mas com o tempo percebi que nada naquilo parecia verdadeiro.

Comecei a ver pais na disputa por melhores lugares nas comunhões, com contratos de fotógrafos topo de gama, vestidos caríssimos, festas do mesmo tamanho que casamentos e claro que cada um faz o que quer, mas tudo parecia demasiado fútil. Afinal era algo especial entre o filho e Deus ou era um espectáculo e uma disputa?

Eu no final de cada comunhão reunia-me com a minha família mais próxima (mãe e madrinha) e havia uma ceia e um bolo, algo simples. 

Mas isto foi apenas o começo...

 

Comecei a ir à missa e ouvia pessoas a falar mal do que outras pessoas tinham vestido, pessoas a criticar a vida de outras no final na missa, que muitas se deviam engasgar com a hóstia porque foi pecado apenas terem entrado na igreja e por aí piorou.

Eu deixei de querer ir à missa e ficava-me pela minha reza de casa no final do dia, mas fui de alguma maneira "obrigada" a ir, afinal era muito nova.

Pois bem, eu vi interesses monetários serem colocados à frente de noções importantes sobre família e amor ao próximo, vi discriminação entre pobre e rico, homossexual (LGBT's) e heterossexual e até nas etnias. Como é que no meio disto eu poderia ficar com um espírito religioso em mim ou achar que isto era no mínimo correcto?!

 

Era pequena e achava que o amor, a família e a união eram os maiores valores que a igreja e Deus poderiam nos dar através das suas palavras e dos seus ensinamentos, mas parece que isso se ficou pelos livros da catequese.

Fátima por exemplo, para mim é um negócio, não me consigo sentir bem num sítio onde o dinheiro é mais importante que a fé de uma pessoa. A religião tornou-se um negócio ou ando eu a exagerar ou a ver mal as coisas?!

Perdi a minha fé naquilo que sempre me foi ensinado. Eu acredito que exista algo acima de nós, algo a que podemos recorrer, seja um Deus, seja um familiar que já foi embora, seja ciência ou outro, mas independentemente disso a minha religião há-de ser sempre aquela que me faz acreditar no amor, na família e que é possível vivermos todos juntos sem ódios, independentemente de quem gostamos, da nossa cor e da nossa conta bancária.

 

É um pensamento demasiado irrealista nos tempos que correm? Talvez sim. Mas não muda aquilo que penso nem a forma como vou agir para com os outros. Eu retive ideias dos tempos da catequese, dos tempos que a missa para mim era um local sagrado, mas também construí as minhas próprias ideias de acordo com o que acho ser correcto.

Não julgo ninguém, não vou apontar dedos a pessoas específicas, até porque também tive boas influências. Mesmo assim sempre quis falar sobre este tópico, sem brincadeiras.

 

Religiões à parte, sejam fiéis a vocês mesmos e mais importante sejam boas pessoas. Ninguém é perfeito, mas se tentarmos ser melhores a cada dia que passa, já estamos a fazer a nossa parte.

 

A Hipster Chique

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