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A Hipster Chique

As trivialidades de uma geek, talvez um pouco hipster, com algum sentido de humor e criatividade q.b..

A Hipster Chique

As trivialidades de uma geek, talvez um pouco hipster, com algum sentido de humor e criatividade q.b..

Ter | 18.07.17

#dia 185 - Um post especial

Hoje para além deste post, podem encontrar um pouco de mim no blog da "Miss Unicorn" que me convidou para escrever na rubrica dela, "Era Uma Vez", que por um lado me fez relembrar momentos da minha infância e que por outro lembrou-me de traumas... Dêem uma vista de olhos, Era Uma Vez... com a Hipster Chique

 

Agora, vamos ao post de hoje...

 

O meu blog fez ontem 6 meses de vida e queria falar sobre uma coisa bastante pessoal que até agora fiquei sempre na dúvida se deveria ou não falar. Mas hoje eu quero falar do assunto e espero que com isto, ajude ou inspire pessoas que tenham passado ou estejam a passar por situações parecidas. Isto não é para ser um post triste, bem pelo contrário.

 

Eu sou epiléptica.

Descobri que tinha epilepsia frontal aos 17 anos e tomo medicação todos os dias desde então. Mas o que quero contar, sem grandes pormenores ou detalhes que envolvem outras pessoas é sobre o que aconteceu antes de ser diagnosticada.

Aos 12 anos tive a minha primeira crise ao acordar. Não foi dada muita importância na altura e o tempo passou. Mais tarde nesse ano voltou a dar-me outra crise e aí já houve mais preocupação e uma ida ao médico que acabou por dar em nada. 

 

Contudo, as crises iam voltando e até aos 15 anos tinham sempre um distância entre elas de 6/5 meses. Não havia um padrão, pensou-se ser algo hormonal, houve exames feitos a várias zonas do corpo e nada. Os exames vinham sempre limpos.

A partir dos meus 15 anos a coisa mudou um pouco... Tinha crises com mais regularidade, comecei a falhar na escola o que me levou a chumbar dois 9ºs anos. Tinha crises em casa, na escola, na rua e os exames voltavam sem qualquer anomalia. Tomei vitaminas e até na altura um medicamento que servia para ataques epilépticos. Nada parou as crises.

Ouvi de tudo, "Aquilo é mimo", "Porque fazes isto à tua mãe?", como se a culpa fosse minha. Eu sabia que algo não estava bem comigo, mas só a minha palavra não chegava.

 

Eu passei por vários hospitais, normais e até psiquiátricos e nada foi feito. Até passei por tratamentos com anti-depressivos e outros e tudo se mantinha. Tudo em casa piorou, a relação com a minha mãe era horrível, pessoas que me olhavam de lado porque achavam que fazia de propósito e médicos que não acreditavam em mim.

Acabei num hospital psiquiátrico aos 17 anos e segui para o Hospital Maria Pia, onde fiz um electroencefalograma. Durante o exame deu-me uma crise e a médica decidiu continuar. No fim do exame foi-me diagnosticada epilepsia frontal. Minutos depois tomei um anti-epiléptico e até hoje não voltei a ter uma única crise. 

 

Voltei a casa, após ser diagnosticada e a relação com a minha mãe continuou horrível durante anos e sempre achei que me olhavam com pena e como se eu não fosse conseguir "ser alguém" na vida. Pois, a relação com a minha mãe neste momento é a melhor e para além de mãe, ela é uma amiga e eu sou alguém na vida.

 

Ao contrário do que já ouvi, é possível viver com esta doença e em nada me impediu de seguir os meus sonhos e de ter orgulho de mim própria. Hoje sou uma pessoa segura de si, orgulhosa do que conseguiu, tenho 3 licenciaturas, vou lançar um livro e tenho amigos para a vida. Tudo foi e é possível.

 

Estou há 8 anos sem crises e com a epilepsia adormecida e a um ano de deixar a medicação de vez.

 

Houve várias situações que durante esses 5 anos eu não contei aqui porque não havia necessidade e porque eu mal me lembro de alguns. Hoje eu consigo rir-me de alguns momentos e consigo ver tudo com um olhar positivo. Em vez de olhar para tudo como algo mau, olho como algo que ultrapassei e que talvez precisasse acontecer para eu chegar onde cheguei hoje.

Eu juro que ás vezes rebolo a rir com algumas coisas e penso o que há de errado comigo, mas a vida é assim e eu sou estranha.

 

Não importa o que se passa ou passou convosco ou quanto mau é a situação. Não desistam, sejam fiéis a vocês mesmos e riam.

 

P.S. Hoje falei com uma "senhora" da Vodafone sobre um problema que se estava a passar nos meus serviços e a "senhora" decidiu ser estúpida e mal educada. Eu tenho o nome da "senhora" e se virem, "Rapariga mata mulher com um jarro de água porque ela foi mal educada numa chamada de apoio ao cliente", no Correio da Manhã, não se espantem, sou eu.

 

Sim, talvez tenha ficado com alguns problemas após as crises. É a vida minha gente!

A Hipster Chique

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